Anterior1 de 2Próximo

Após quase três semanas de competição, disputou-se durante os dias de Domingo e Segunda-Feira a final do Campeonato do Mundo de Snooker, no Crucible Theatre, em Sheffield, Inglaterra.

Depois de eliminar Thepchaiya Un-Nooh (10×7), Jack Lisowski (13×1), Judd Trump (13×12) e Kyren Wilson (17×13), John Higgins foi o primeiro apurado para a final. O escocês teria pela frente um velho conhecido, Mark Williams, que eliminou ao longo da competição Jimmy Robertson (10×5), Robert Milkins (13×7), Ali Carter (13×8) e Barry Hawkins (17×15).

Higgins e Williams, quinto e sétimo do ranking mundial, nasceram ambos em 1975 e tornaram-se profissionais em 1992 (em conjunto com Ronnie O’Sullivan formam um trio de luxo que apareceu precisamente no mesmo ano). São dois dos jogadores mais experientes do circuito e dois nomes incontornáveis da história do snooker mundial. Com mais de 25 anos como profissionais, contam com dezenas de títulos no seu palmarés e outras dezenas de confrontos entre si (jogam juntos desde os 15 anos).

Para Higgins, esta era a sétima final de um Campeonato do Mundo (venceu quatro, em 1998, 2007, 2009 e 2011) e para Williams a quarta (tinha duas vitórias em 2000 e 2003).

Não era a final mais expectável no início do torneio, mas não se podia pedir melhor forma de terminar a maior competição do ano do que assistindo a um confronto entre duas lendas vivas da modalidade.

A final foi disputada por John Higgins e Mark Williams, duas lendas do snooker mundial
Fonte: World Snooker

Numa final disputada à melhor de 35 (vencia o primeiro a conquistar 18 frames), esperava-se um duelo muito equilibrado e as três primeiras sessões foram surpreendentes nesse aspecto. Mark Williams esteve sempre por cima do encontro, deixando por várias vezes John Higgins com vários frames de desvantagem (4-0, 14-7, 15-10). Chegou, inclusive, a especular-se que poderia não existir quarta sessão, dado o desequilíbrio no resultado.

Mark Williams dominava e vencia de forma justa. Apesar de ter menos horas de descanso antes desta final, apareceu forte, ao contrário de Higgins que se apresentou uns bons furos abaixo daquilo que tinha demonstrado nas eliminatórias anteriores.

No entanto, como já tinha ficado provado no jogo com Judd Trump nos Quartos-de-Final, nunca se deve descartar um regresso de Higgins à discussão do resultado.

Uma entrada fortíssima de Higgins na quarta e última sessão desta final voltaram a dar esperança ao escocês. Depois de vencer cinco frames consecutivos, a partida estava empatada (15×15) e Higgins parecia imparável (chegou a ter 99% de pot success nesta sessão). Mas se Higgins tem muita experiência a lidar com estes momentos de pressão, Mark Williams não lhe fica atrás. O galês voltou a conseguir ficar por cima do encontro vencendo os dois frames seguintes, encostando Higgins às cordas (17×15 para Williams).

No frame seguinte, tudo parecia correr de feição a Williams, ia com uma entrada de 63 pontos e já via a sua família a festejar no camarote. Faltando apenas embolsar uma bola rosa, quase directa, para garantir matematicamente a vitória, aconteceu o que ninguém esperava (o próprio John Higgins disse após a partida que naquele momento pensava já não voltar à mesa neste Campeonato do Mundo): Williams falha a bola rosa e permite que Higgins volte à mesa.

O escocês fez uma limpeza geral à mesa e reduziu a desvantagem para (17×16), ganhando um novo folgo para o que ainda restava do encontro.

Aqui, depois de um erro inacreditável e vendo o adversário a reduzir a vantagem alcançada, um jogador menos experiente poderia ter sucumbido à pressão de Higgins mas, tal como o escocês, Williams já tem muitos anos disto e conseguiu superar o seu erro da melhor forma. Venceu o último frame (com direito a algumas bolas incríveis) e conquistou assim o seu terceiro Campeonato do Mundo, 15 anos depois da última vez que tinha saído vitorioso do Crucible.

Mark Williams, para além do talento com um taco na mão, tem habituado os fãs ao longo de todos estes anos a esperar algo mais vindo de si. Apesar do seu ar frio, são inúmeros os momentos em que faz ou diz algo que animam quem o rodeia (durante a final já tinha sido apanhado a dividir um pacote de comida com um espectador que estava sentado na bancada).

O Campeonato do Mundo não acabaria sem mais um episódio caricato proporcionado pelo galês. Nos Quartos-de-Final, durante uma entrevista, tinha prometido que caso vencesse a competição pela terceira vez, iria comparecer na conferência de imprensa, após a final, completamente nu. Williams prometeu… e cumpriu.

Mark Williams prometeu aparecer nu na conferência de imprensa caso vencesse e não voltou atrás com a sua palavra
Fonte: World Snooker

Brincadeiras à parte, Mark Williams, ainda sem roupa, admitiu estar radiante com esta vitória, sendo a mais saborosa da sua carreira por aparecer numa fase em que o próprio jogador já não esperava. Na época anterior esteve prestes a abandonar o snooker, mas depois da insistência da sua família decidiu continuar a lutar e foi recompensado por isso esta semana.

Depois desta vitória, Williams afastou a possibilidade de abandonar o circuito, prometendo estar de regresso ao Crucible no próximo ano, tal como John Higgins havia feito minutos antes.

Esta época foi uma prova clara de que a idade está longe de ser um problema para estes senhores. Com este Campeonato do Mundo, a apelidada Classe de 92 acaba a época com 11 troféus conquistados (Mark Williams e John Higgins venceram três troféus cada e Ronnie O’Sullivan venceu cinco). Nada mau para um grupo de senhores com mais de 40 anos de vida e mais de 25 enquanto profissionais. Estão aí para as curvas.

Anterior1 de 2Próximo

Comentários