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Na rubrica de hoje não vou estar para aqui a falar de notas ou de nomes mais técnicos. Vou fazer um pequeno apanhado do que se passou no Hawai, uma vez que este acolheu, nos últimos 30 dias, o Vans Triple Crown.

As ondas entravam na costa havaiana com cerca de três metros, e faziam um tubo tão perfeito e largo que muitos surfistas entravam lá dentro completamente esticados e de braços abertos. Já um amigo meu dizia: “oi, o meu carro cabia lá dentro”.

Com os dois únicos candidatos ao título mundial, Mick Fanning e Kelly Slater, ainda em prova, tudo estava em aberto. Por um lado, Slater tinha a vantagem de estar nos quartos finais, enquanto Fanning ainda precisava de passar o round 5 para chegar aos quartos; mas, ao mesmo tempo, Fanning apenas precisava de chegar às meias-finais para somar os pontos necessários para se tornar campeão do mundo. Deste modo, mesmo que Kelly Slater ganhasse a prova era impossível ser campeão mundial. Mas pronto, vamos voltar então ao round 5.

Round 5 a decorrer e Mick entrava dentro de água contra CJ Hobgood, um perito em tubos. O mar não ajudava mas, com algum esforço, Mick Fanning conseguiu bater CJ, passando assim aos quartos-de-final. E pronto, mais uma vitória, e iríamos ver Fanning a pegar no grande, pesado e prestigioso troféu.

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Os quartos-de-final só começaram passados três dias, e agora sim, entravam umas bombas com três metros ou mais.

Fanning a encaixar nu tubo perfeito Surftotal.com
Fanning a encaixar nu tubo perfeito
Fonte: Surftotal.com

Mick Fanning foi o primeiro a entrar dentro de água, contra Yadin Nicol, mas o que muitos não sabem é que Fanning fez de propósito para competir nos quartos-de-final contra Yadin. Como é que isso é possível? Eu explico. No round 4, Mick Fanning tinha pela frente John John Florence e Nat Young. Com a bateria a chegar ao fim, Mick Fanning encontrava-se na segunda posição e, uma vez que neste round ninguém é eliminado, o surfista australiano até estava tranquilo, uma vez que ainda iria competir no round 5. Mas Fanning começou a pensar e reparou em que, se ficasse em segundo lugar, iria enfrentar o difícil Julian Wilson, e, caso ganhasse, iria debater-se contra John John Florence no derradeiro heat (quartos-de-final). Esse seria o caminho mais difícil, pois John John surfou a onda de Pipeline toda a sua vida, uma vez que esta mora mesmo em frente àquela assustadora onda. Portanto, se Mick ficasse em 2º lugar, iria pelo caminho mais árduo e improvável para ser campeão, enquanto que, se ficasse no 3º posto, apanharia CJ Hobgood no round 5 e Yadin Nicole nos quartos-de-final – um caminho bem mais fácil. Não ponho a hipótese de ele passar o heat em primeiro, porque naquela altura já era impossível passar à frente de John John. Entao Mick jogou com a cabeça e não com as “skills” e apanhou propositadamente uma onda em que não tinha prioridade, o que fez com que ficasse sem metade da pontuação da sua melhor onda. Assim passou para 3º lugar no heat.
Agora sim, voltemos aos quartos-de-final.

Com Yadin Nicole a dominar a bateria, o público na praia já não acreditava que Mick Fanning pudesse ganhar, mas, a 1.30 minutos do fim, Fanning apanha umas das maiores ondas do heat, e manda um tubo super perfeito, conseguindo assim a nota para ganhar. Deste modo, Mick Fanning tornou-se campeão Mundial pela terceira vez.

Mas o campeonato continuava, pois ainda só ia nos quartos-de-final. Kelly Slater não conseguiu tornar-se campeão mundial, mas, ainda assim, descarregou toda a sua raiva nas ondas e ganhou o Pipe Masters. Mas quem é que Slater enfrentou na final? Pois, foi John John Florence, o miúdo tão temido por Fanning. Por isso, será que a vitória do australiano foi justa? Kelly limpou tudo e todos e deu um grande espetáculo a todo o público. O que é facto é que não se pode ver apenas o que foi feito nesta prova, mas sim ao longo de todo ano.

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O Jóni é um jovem surfista que começou a praticar surf há 5 anos e, desde então, nunca mais parou. Mesmo quando as ondas estão pequenas, a "pica" é tanta que acaba sempre por entrar só para colocar a "prancha no pé".                                                                                                                                                 O Jóni não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.