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Depois de uma semana sem ondas e, consequentemente, sem competição, o Pro Portugal voltou neste sábado para que os quartos de final fossem realizados. Depois do adiamento do primeiro call, o dia começou, à segunda tentativa, com os heats masculinos. Muito se ansiava por uma decisão por parte da WSL para saber se a competição ia terminar já e, pelos vistos, foi isso que aconteceu mesmo. Assim, trazemos-te o resumo de tudo aquilo que se passou neste último dia de Pro Portugal, em Peniche.
QUARTOS DE FINAL TRAZEM SENTIMENTO AMBÍGUO AOS BRASILEIROS
Os primeiros a entrar no mar de Supertubos foram Jordy Smith e Kolohe Andino, num heat de grande importância para os dois surfistas, considerando que estão ambos na luta pelo titulo mundial. Num heat onde predominaram as ondas medianas e fracas, Jordy Smith com um 7.07 e um 6.33 acabou por levar a melhor face ao norte-americano que apenas conseguiu um score combinado de 10.97.
A surpresa acabou por surgir no segundo heat do dia. Depois da eliminação de Gabriel Medina na ronda anterior, Filipe Toledo tinha agora caminho aberto para assumir a liderança do ranking mundial, faltando disputar apenas mais um evento. No entanto, o atual número dois do ranking defrontou um grande conhecedor das ondas portuguesas, Kanoa Igarashi, que com um 8.67 e um 6.57 (15.24 no total) levou a melhor diante do brasileiro, que fez apenas 12.26.
Another look at the 8.67 that helped @kanoaigarashi get past @toledo_filipe in the #MEORipCurlPro Quarterfinals
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— World Surf League (@wsl) October 26, 2019
Depois da eliminação de Filipe Toledo, foi a vez de outros dois brasileiros entrarem na água: Caio Ibelli e Peterson Crisanto. Num heat marcado por scores baixos, Caio Ibelli com um 6.53 e um 6.33 (12.86 no total) eliminou Peterson Crisanto, ele que tinha protagonizado alguns dos melhores scores da competição até ao momento. Deste modo, a caminhada de Caio na tentativa da manutenção na elite mundial no próximo ano mantém-se intacta.
A fechar os quartos de final masculinos tivemos, provavelmente, o melhor heat do campeonato até ao momento. Italo Ferreira e Jack Freestone brindaram os presentes na praia de Supertubos com algumas das melhores ondas do campeonato. Num heat onde nenhum dos dois merecia ser eliminado, a vitória acabou por cair para o lado do brasileiro que com duas ondas na casa do excelente (9.57 e 8.33 – 18.40 no total) deitou as esperanças de Jack Freestone, de sair de Peniche com o título da prova portuguesa, por terra. Apesar da sua eliminação, o australiano sai de prova com um score combinado de 16.87, pontuação que lhe daria a vitória em qualquer outro heat dos quartos de final.
AQUILO QUE JÁ SE ESPERAVA… TUDO PRONTO PARA O EMBATE DE TITÃS
A norte-americana Caroline Marks e a australiana Shephanie Gilmore abriram os quartos de final femininos na praia dos Supertubos. A número quatro do ranking mundial, Caroline Marks, começou da melhor maneira este primeiro heat com uma onda com um score de 7.00 e terminou com uma 8.17 e não deu hipóteses à australiana. Shephanie Gilmore acabou com um total de 12.07, que foi insuficiente para passar à próxima fase.
No segundo heat, foi a vez de termos uma surpresa. A número três do ranking mundial, Sally Fitzgibbons, acabou por desiludir, em Peniche, ao ser eliminada nestes quartos de final. A brasileira Tatiana Weston-Webb começou o heat da melhor maneira com um 7.50 e para terminar a sua combinação final fez uma onda avaliada em 6.17 e foi mais do que suficiente para passar às meias finais. A australiana não passou de um total de 9.14 (4.77 + 4.37).
A líder do ranking mundial está imparável e não tem dado qualquer hipótese à concorrência nesta etapa portuguesa. Desta vez, a havaiana deixou para trás a francesa Johanne Defay com uma diferença de 8,56 no combinado total. Carissa Moore, à semelhança de Ítalo Ferreira nos heats masculinos, conseguiu uma das melhores notas nesta etapa com um 9.33! A havaiana fez um total de 16.06 e marcou presença na meia final enquanto que Johanne Defay não foi além de um 7.50 (3.00 + 4.50).

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
No último heat desta fase, houve alguém a mostrar que ainda não desistiu de lutar pelo título mundial: Lakey Peterson. A norte-americana mostrou ainda estar viva no campeonato depois de uma boa exibição nos quartos de final. Peterson só se mostrou nesta fase com as suas duas últimas ondas (5.83 e 5.50) e isso levou-a a ter um total de 11.33, que foi suficiente para passar às meias. Nikki Van Dijk acabou por ser eliminada com um total de 8.83 (4.90 e 3.93).
MEIAS FINAIS DITAM NOVO LÍDER DO RANKING MUNDIAL
Depois dos quartos de final femininos, os homens voltaram a entrar na água para disputar o acesso à final do Pro Portugal. Na primeira meia final tivemos um duelo entre Jordy Smith e Kanoa Igarashi. Depois da eliminação de Gabriel Medina e Filipe Toledo nas rondas anteriores, o sul africano tinha agora caminho livre para assumir a liderança do ranking mundial, mas para que isso acontecesse tinha de vencer o japonês. Apesar de ser um heat de extrema importância para Jordy Smith, foi Kanoa Igarashi quem liderou durante maior parte da bateria, no entanto, o sul africano guardou o melhor para o fim e na sua última onda, debaixo da prioridade de Kanoa, fez um score de 9,33, relegando o japonês para o segundo lugar. Com esta vitória, Jordy era, matematicamente, líder do ranking mundial.
.@jordysmith88 just launched himself into the Finals at the #MEORipCurlPro 🚀
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Finals Day is ON! Tune in now on https://t.co/ie0ZfMVLPY, Facebook Live, WSL app or the Fox Sports app @ripcurl @MEOpt pic.twitter.com/ERiynQNLg8— World Surf League (@wsl) October 26, 2019
Na segunda meia final, tivemos um duelo brasileiro entre Caio Ibelli e Italo Ferreira na busca pelo lugar que restava na final. Ainda que por razões bem distintas, este heat era crucial para ambos os surfistas. Por um lado, Italo Ferreira continua na luta pelo título, por outro, e na outra ponta da tabela classificativa, Caio continua a lutar para se manter no tour. Num heat com pontuações muito semelhantes, isto considerando os dois 7,43 de Caio e outro 7,43 de Italo, foi mesmo uma onda que entrou na casa do excelente, um 8 pontos, que desempatou o heat e fez de Italo o vencedor da bateria. Com este resultado, a final ganhou especial importância, visto que o vencedor assumia de imediato a liderança do ranking mundial.
CARISSA MOORE NÃO VENCE EM PORTUGAL E TÍTULO É ADIADO PARA O HAVAI
A única brasileira em prova, Tatiana Weston-Webb, entrava na água para defrontar a norte-americana Caroline Marks. A jovem de 17 anos (!) entrou com tudo nesta bateria e em apenas quatro ondas conseguiu um total mais do que suficiente para conseguir passar para a final do Pro Portugal. A quarta classificada do ranking mundial fez um total de 13.16 (6.83 e 6.33) e bateu Tatiana Weston-Webb, que apenas fez um total de 7.70 (5.20 e 2.50). A juntar à sua bela vitória nas meias finais Caroline Marks conseguiu ainda alcançar a sua primeira final em águas portuguesas – um feito que merece ser destacado.

Fonte: WSL
No último heat das meias finais estava em questão o título mundial, que poderia (ou não) ser ganho já em Portugal por Carissa Moore. Mas Lakey Peterson fez questão de destruir as intenções da havaiana de festejar nas ondas penicheiras. Apesar de ter começado mal, a norte-americana depressa mostrou estar mais forte do que a líder do ranking mundial. Uma onda de 8.00 e outra de 5.23 deitaram por água abaixo as intenções de Carissa Moore de chegar à final. A havaiana precisava de 6,085 para chegar à decisão final, contudo, as ondas não a ajudaram e acabou eliminada com um combinado de 11.50.
ÍTALO VOA PARA A LIDERANÇA

Fonte: Beatriz Marques/Bola na Rede
Depois um longo dia de competição em Supertubos, chegou a grande final. Italo Ferreira e Jordy Smith, dois surfistas que já sabem o que é vencer em Supertubos, entraram na água com o desejo de conquistar o troféu mais uma vez. O heat não podia ter começado de melhor forma para o brasileiro que na sua primeira onda voou para um 10 (melhor onda do evento). Jordy ainda tentou responder com um 6.17, mas, de seguida, Ítalo com uma onda de 8.43 acabou com quaisquer possibilidades que o sul africano ainda pudesse ter. Com a conquista do Pro Portugal, Ítalo Ferreira assume a liderança do ranking e relega Gabriel Medina para o segundo posto, com Jordy Smith e Filipe Toledo em terceiro e quarto, respetivamente. A luta pelo titulo mundial está assim relançada e tudo será decidido na ultima etapa, em Pipeline.
A JOVEM CAROLINE MARKS VENCE EM SUPERTUBOS

Fonte: Beatriz Marques/Bola na Rede
A final feminina tinha como protagonistas duas norte-americanas Caroline Marks e Lakey Peterson. A jovem de 17 anos na sua segunda onda fez um bom score de 5.67 e assumiu a liderança, mas houve tempo ainda para melhorar este registo. Caroline Marks fez na terceira onda um 6.33 e na quinta um 7.40 e ficou impossível para Lakey Peterson dar uma resposta na final. Depois de uma grande meia final contra Carissa Moore, a número dois do ranking mundial não foi além de um 6.27 no total (3.50 e 2.77). Assim, Caroline Marks vence pela primeira vez a etapa portuguesa com somente 17 anos de idade e com esta vitória passa também a ser a número três do ranking da WSL. Carissa Moore viu assim a festa do título adiada, no entanto, ainda tem a possibilidade de conquistá-lo na sua terra natal (Havaí).
Foto de Capa: Beatriz Marques/Bola na Rede
Artigo de opinião de Beatriz Marques e João Pedro Barbosa
artigo revisto por: Ana Ferreira












