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O dia 29 de Setembro de 2013 marcou o primeiro dia do resto da vida de João Sousa. O tenista português que se tornou o primeiro a vencer um título do ATP World Tour, etapa do circuito mundial, passará nos próximos tempos pela fase mais crucial da sua carreira, onde todos os tenistas portugueses falharam.

Esta não é a minha tentativa de ser o “advogado do diabo”, mas sim a de procurar clarificar que o próximo ano será extremamente exigente para João Sousa. Frederico Gil e Rui Machado, depois de atingirem o pico das suas carreiras, não conseguiram superar-se a si mesmos, caíndo no ranking e no nível exibicional. Acreditemos então que desta vez será diferente para o jovem João Sousa.

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João Sousa em 2008  http://www.newsportevents.pt/
João Sousa em 2008
Fonte: newsportevents.pt

Em 2008, quando apareceu pela primeira vez em grande destaque após ultrapassar a qualificação do Estoril Open, João Sousa acabou derrotado nesse mesmo torneio, apenas frente a Frederico Gil, registando posteriormente resultados irregulares até ao fim da temporada. Ou seja, após o grande sucesso, João Sousa acabou por descer o nível das competições, procurando melhores resultados que, contudo, não foram alcançados.

É compreensível. O tenista vimaranense encontrava-se numa fase de crescimento em que a regularidade ainda não era a desejada; mas isto tudo para dizer que, após um grande sucesso, pode seguir-se um período de resultados “menos bons”.

Lembre-se que Frederico Gil, após atingir a final do Estoril Open, apenas alcançou os quartos-de-final do Masters de Monte Carlo, desaparecendo a partir daí, quer a nível exibicional, quer no ranking mundial, onde actualmente está fora do top500. Rui Machado, fustigado por lesões, depois de atingir o 59ºlugar do ranking e de ter vencido quatro torneios Challenger (uma espécie de 2ªdivisão do ténis) em 2012 ficou aquém das expectativas, aproveitando agora 2013 para tentar nova recuperação física e no ranking mundial.

João Sousa em 2013 www.record.xl.pt
João Sousa em 2013
Fonte: Record

Tudo isto para esclarecer que o ano de 2014 será um ano crucial para João Sousa. Não porque a sua carreira dependa da próxima temporada, nem porque o seu desempenho seja como o de Frederico Gil e Rui Machado a seguir aos anos de grande sucesso, mas sim porque 2014 será o ano em que terá mais pontos a defender. No ténis, o ranking mundial renova anualmente e, caso um tenista não consiga alcançar os resultados do ano passado, perde pontos; ou seja, João Sousa colocou a fasquia alta ao vencer um torneio do ATP World Tour, dois Challengers, uma final de um Challenger e uma meia-final de outro torneio do ATP Tour.

Para o ano que vem, João Sousa terá a sua prova de fogo ao mais alto nível. Será que vai conseguir afirmar-se como um tenista top50, ou, tal como Frederico Gil e Rui Machado, será “apenas” top100? Com uma boa ou má temporada, João Sousa merece, no entanto, a nossa compreensão na próxima temporada, mas sobretudo a crença de que conseguirá dar o salto qualitativo que o ténis português ainda não conseguiu a nível mundial.

Entretanto, muito obrigado por tudo, João!