Cabeçalho modalidadesFoi, quiçá, a melhor semana da carreira de Andy Murray. O escocês ganhou o seu primeiro título em Paris Bercy, sobrevivendo aos serviços monstruosos de Isner na final, depois de ter também tido enormes dificuldades contra Berdych e Verdasco. Foi uma vitória da raça e do crer: Murray a cumpriu um sonho e tornou-se no 26º jogador da história a atingir o topo do ranking mundial, após passar quase toda a sua carreira na sombra de Federer, Nadal e Djokovic.

Verdade seja dita, a ascensão de Murray ao topo da hierarquia foi bastante ajudada pelas circunstâncias deste ano. Com Federer lesionado e Nadal longe dos seus melhores dias, tudo fazia antever que Djokovic acabaria como número 1 muito facilmente, especialmente após ter ganho os dois primeiros Grand Slams da temporada e 3 dos primeiros 5 Masters 1000. Mas após vencer em Roland Garros, Djokovic teve uma quebra abrupta de rendimento, ganhando apenas um torneio (Canadá) e perdendo cedo em vários outros.

De facto, a parte mais incrível da ascensão de Murray é que desde a final de Roland Garros não defrontou Djokovic uma única vez, apesar de ter ganho 7 de 9 torneios em que participou. O sérvio simplesmente não tem sido capaz de jogar a um nível que lhe permita chegar a finais consistentemente. Ainda mais incrível é o facto de Murray não ter defrontado um único jogador do top 5 durante este seu assalto ao topo do ranking, o que demonstra um circuito sem vencedores consistentes, com Djokovic fora da equação.

Murray tem estado ao mais alto nível Fonte: Andy Murray
Murray tem estado ao mais alto nível
Fonte: Andy Murray

Murray tem sido, de longe, o melhor jogador do circuito desde o começo da temporada de relva; as suas três únicas derrotas desde então foram contra Cilic na final de Cincinnati, Nishikori nos quartos de final do US Open e del Potro na Taça Davis – tudo jogadores que não têm a consistência para ambicionar os lugares de topo do ranking, por um motivo ou outro. Tirando essas três derrotas, sobram títulos em Queens, Wimbledon, Jogos Olímpicos, Pequim, Shanghai, Vienna e Paris Bercy, a juntar ao título de Roma que já havia conquistado.

Quanto tempo conseguirá Murray aguentar esta posição? Tudo dependerá de Djokovic; se o sérvio voltar ao nível estratosférico que apresentou em 2015 e, até este ano, no Roland Garros, não tardará a voltar ao topo. Se, porém, o seu declínio for permanente, Murray poderá permanecer no topo por bastante tempo, já que não parece haver outros jogadores capazes de sequer se aproximarem do nível de consistência exibido por Murray.

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Foto de capa: Andy Murray

Artigo revisto por: Francisca Carvalho