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O quarto Masters 1000 da temporada teve um vencedor deveras inesperado: o escocês Andy Murray. Murray já havia ganho nove títulos desta categoria na sua carreira, mas nenhum deles em terra batida, onde nunca havia chegado sequer a uma final. Antes de Munique, na semana passada, Murray nunca havia chegado sequer a uma final de terra batida em qualquer categoria de torneios, e agora já soma dois títulos e mostra credenciais de potencial candidato ao título em Roland Garros.

Após receber um BYE na primeira ronda, Murray venceu Kohlschreiber em 3 sets na segunda ronda, na reedição da final da Munique (vencida pelo Escocês no tie-break da terceira partida); num encontro que começou à 1 da manhã em Madrid, os dois primeiros sets foram equilibrados, mas, como já é seu apanágio, o alemão vacilou numa altura decisiva contra um jogador de topo e Murray venceu o terceiro set por 6-0, cortesia de erro atrás de erro de Kohlschreiber.

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Na terceira ronda aguardava-se um duelo contra Gael Monfils, mas o Francês foi derrotado num encontro que durou 3h20m, contra Marcel Granollers, que não tinha reservas de energia suficientes para defrontar Murray no dia seguinte. Mesmo que estivesse fresco, é bastante duvidoso que Granollers tivesse armas necessárias para importunar Murray, mas estando fisicamente de rastos conseguiu apenas ganhar dois jogos, seguindo assim Murray tranquilamente para os quartos-de-final.

De forma categórica, Andy Murray venceu o seu primeiro Masters 1000 no pó de tijolo Fonte: Facebook do Eurosport
De forma categórica, Andy Murray venceu o seu primeiro Masters 1000 no pó de tijolo
Fonte: Eurosport

O adversário que se seguiu foi Milos Raonic, que se encontrava lesionado no pé e que aliás vai ser operado esta semana, falhando Roma e sendo bastante provável que não participe em Roland Garros nem em Wimbledon. Não quer isto dizer que tenha sido um encontro fácil para Murray; porém, com a sua movimentação diminuída, Raonic fez um jogo de alto risco, usando o seu famoso serviço canhão e procurando winners à mínima oportunidade. Foi necessária uma exibição sólida e concentrada de Andy Murray para levar o Canadiano de vencida pelos parciais de 6-4 7-5.

Nas meias-finais, o adversário foi o Japonês Kei Nishikori, que as casas de apostas consideraram favorito para chegar à final; no court, porém, a realidade foi bem diferente, com Murray a saber tirar partido das fragilidades do jogo do japonês -nomeadamente do seu fraco serviço -, que esteve constantemente sob pressão no seu saque. A grande capacidade de resposta de Murray (combinada ao serviço fraco de Nishikori) e a sua capacidade defensiva foram a chave para frustrar o japonês e carimbar o passaporte para a final.

Na final, Murray defrontou um jogador que dispensa apresentações: Rafael Nadal, que havia chegado à final tendo batido Johnson, Bolelli, Dimitrov e Berdych, sem perder um único set e como favorito a vencer em Madrid pelo terceiro ano consecutivo. Mas o Espanhol fez uma exibição surpreendentemente fraca na final, cometendo imensos erros incaracterísticos e respondendo muito mal ao serviço, falhando inclusivamente respostas a segundos serviços relativamente acessíveis apesar de se posicionar muito atrás da linha de fundo para ganhar tempo para preparar a pancada. Murray aproveitou e fez uma exibição muito sólida para ganhar o seu primeiro Masters de terra batida e 10.º no geral, contra todas as previsões.

Outros destaques:

Após ter vencido Nadal em Wimbledon no ano passado, Nick Kyrgios venceu agora Roger Federer, num encontro muito tenso decidido no tie-break do terceiro set com ambos os jogadores a terem de salvar match points.

Kyrgios foi eliminado por Isner, que por sua vez saiu do torneio nos quartos-de-final contra Berdych, apesar de não ter perdido nenhum jogo de serviço durante o torneio, como aliás já tinha acontecido no US Open do ano passado.

Milos Raonic atingiu a posição de ranking mais alta da sua carreira, sendo agora número 4 mundial. Essa colocação no ranking não vai durar, devido a já mencionada operação no pé que o vai obrigar a falhar Roma, no mínimo, e possivelmente Roland Garros e Wimbledon.

Com a sua derrota na final, Nadal está agora fora do top 5 do ranking ATP, pela primeira vez desde 2005. É agora #7 do mundo.

Foto de Capa: Eurosport