Por norma um dos torneios de abertura da temporada tenística, Doha, no Qatar, teve de esperar por março para ver alguns dos principais nomes do circuito masculino passarem pelos seus courts. Com o regressado Roger Federer como cabeça de cartaz, foi o seu surpreendente carrasco que acabou por levar o troféu de campeão para casa, depois da vitória de Andrey Rublev na época transata.

CABEÇAS DE SÉRIE SURPREENDIDOS

Com alguns tenistas já titulados no seu elenco, as surpresas começaram cedo na prova. Logo na primeira ronda, o sul-africano Lloyd Harris surpreendeu Stan Wawrinka em três partidas e quase três horas de jogo, pelos parciais 7-6(3), (6)6-7 e 7-5. Na segunda ronda foi David Goffin, antigo Top 10 e finalista das ATP Finals, a cair perante Taylor Fritz que, nos quartos de final, eliminaria Denis Shapovalov, outro dos candidatos ao título.

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A estrela do Open da Austrália, Aslan Karatsev caiu na segunda ronda, mas obrigou Dominic Thiem, primeiro cabeça de série, a trabalhos esforçados para seguir em frente. A participação do austríaco no torneio não se prolongaria muito mais, ao ser eliminado, em três sets, pelo sempre perigoso Roberto Bautista Agut, no encontro dos quartos de final.

O espanhol confirmaria depois o apuramento para o encontro decisivo com uma vitória esclarecedora, por duplo 6-3, sobre Rublev. Este foi um torneio caricato para o russo, que na defesa do título, atingiu as meias-finais sem disputar qualquer ponto, frutos das desistências de Richard Gasquet e Marton Fucsovics ainda antes de entrarem em court para os respetivos jogos. Essa falta de ritmo competitivo poderá ajudar a explicar a fraca exibição frente a Bautista Agut. Ainda assim, conquistou o título de pares ao lado do compatriota Karatsev.

FEDERER CAI PERANTE O JOGADOR SENSAÇÃO DA PROVA

Mais de um ano depois do seu último encontro oficial, Roger Federer, o campeão suíço, regressou à competição em Doha e logo com uma vitória suada frente a Daniel Evans. Apesar da natural falta de ritmo de quem esteve tanto tempo afastado da competição e teve de superar uma operação pelo meio, o ainda número seis do mundo, conseguiu levar de vencida o britânico em três partidas.

Num encontro que foi bem para lá das duas horas de duração e extremamente competitivo, graças à boa réplica do número 28 do ranking, Federer acabou por ter uma quebra de rendimento no segundo set, mas ainda foi a tempo de elevar o nível na última partida. A história repetiu-se no encontro seguinte, mas com desfecho distinto. Depois de vencer o primeiro set, e “descansar” no seguinte, o suíço chegou a ter match point na partida decisiva, mas acabou derrotado por Nikoloz Basilashvili, um jogador que até aqui estava numa espiral de resultados negativos desde o final de 2019. 3-6, 6-1 e 7-5 foram os parciais.

Motivado por este resultado, o tenista natural da Geórgia, que já foi número 16 do mundo, apurou-se para a final ao bater Fritz, por 7-6 e 6-1, na meia-final.

BASILASHVILI VS BAUTISTA AGUT: UMA FINAL AO SABOR DO VENTO

Com apenas dois embates entre ambos até à final deste sábado, o favoritismo teórico estava do lado do espanhol, ainda que ambos viessem de vitórias assinaláveis ao longo da prova. Bautista Agut venceu dois Top 10 de forma consecutiva – Thiem e Rublev -, enquanto Basilashvili tinha sobrevivido a um match point diante de Federer e realizado uma exibição sólida frente a um Fritz em boa forma.

Ainda antes do primeiro ponto ser disputado, já se percebia que o vento seria um fator de relevo no encontro, com as fortes rajadas a alterar com frequência a trajetória da bola. O início foi, por isso, equilibrado. Os dois tenistas seguravam os seus jogos de serviço com mais ou menos dificuldade, enquanto se tentavam adaptar às condições de jogo e acumulavam erros não forçados.

Com a qualidade do ténis praticado francamente comprometida, o marcador foi seguindo o seu rumo natural sem grandes sobressaltos. Embora se esperasse que a solidez do fundo do court do espanhol levasse a melhor sobre a menor consistência de Basilashvili nas trocas de bola mais longas, a verdade é que Bautista Agut nunca se conseguiu impor verdadeiramente nesse capítulo, com o georgiano a defender-se bastante bem. O ténis mais explosivo também lhe permitia superar o vento com mais facilidade.

A supremacia dos servidores – não houve qualquer ponto de break durante a primeira partida – levou a que fosse preciso um tie-break para ditar a diferença neste parcial. Curiosamente, o desempate começou com os dois tenistas a perderem os pontos jogados no seu serviço, uma vez que os primeiros seis pontos caíram para o lado de quem respondia. Bautista Agut ainda salvou um set point, mas uma notável esquerda paralela abriu caminho para a vitória no primeiro set, por 7-6, com 7-5 no tie-break.

O início da segunda partida indiciava uma história semelhante à da primeira, mas a partir do 2-2, o georgiano ganhou o ascendente e somou quatro jogos consecutivos para fechar de forma rápida o encontro. Antes disso, o georgiano já tinha deixado o avisado no jogo de serviço anterior do espanhol, quando teve um 0-30 à disposição. A partir do 3-2, Bautista Agut só ganhou mais três pontos e a vitória do número 43 do ranking ficou selada com os parciais de 7-6(5) e 6-2.

Com esta vitória, Basilashvili conquista o quarto troféu de campeão da carreira, o primeiro na categoria ATP 250, depois de três vitórias em ATP 500 – Hamburgo em duas ocasiões e Pequim. O georgiano vai subir à posição 37 da hierarquia mundial, enquanto Bautista Agut passa do 13.º para o 12.º lugar.

Foto de Capa: ATP Tour

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