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ATP 250 Pune | Descoberta do caminho tenista para a Índia

Filipe Torres · 6 min

ATP 250 Pune | Descoberta do caminho tenista para a Índia
Foto: ATP Tour

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Um torneio que parecia ser só mais um para preencher o calendário, acabou por ser histórico para Portugal. João Sousa, número um nacional e atual número 137 do ranking ATP, voltou a levantar um troféu do principal circuito de Ténis. Aos 32 anos, o português venceu o quarto troféu individual ATP.

O outro finalista foi Emil Ruusuvuori, que fez um grande torneio. Destaque para a imprevisibilidade que houve no torneio: apenas um dos cabeças-de-série chegou às meias-finais da prova.

JOÃO SOUSA | À PROCURA DO REGRESSO À BOA FORMA

Antes do torneio começar, quem diria que João Sousa ia ser um dos dois finalistas? Pois. O tenista português surpreendeu tudo e todos e fez um trajeto incrível até chegar à final da prova.

No primeiro jogo, Sousa jogou contra um dos jogadores de casa – Arjun Kadhe, número 756 do ranking ATP, que recebeu um wildcard. Se o tenista português vencesse, seria a primeira vitória num Circuito ATP em quase um ano, e foi o que aconteceu. Os primeiros dois sets foram muito equilibrados, apenas decidido no tie-break e cada um venceu um set, mas Sousa acabou por ser superior no terceiro e último set para garantir a vitória.

No segundo jogo, o tenista de Guimarães enfrentou Gianluca Mager, número 67 do ranking ATP, numa batalha que foi muito intensa: durou 2h15m e o último set foi apenas decidido no tie break. Sousa adorou os tie-breaks no torneio. Destaque para o número de aces de ambos tenistas: 15 para Mager e 12 para Sousa. Estavam com muita potência no serviço.

No terceiro encontro, o adversário era Daniel Altmaier, número 85 do ranking ATP, que acabaria por ser o jogo mais fácil para Sousa no trajeto até à final. O tenista alemão foi o único que não venceu qualquer set contra o tenista alemão, num encontro que durou 1h15m.

Nas meias-finais, o último obstáculo antes da grande final era Elias Ymer, um adversário de boas memórias para João Sousa – o tenista português venceu os três encontros que tinham sido jogados.

O primeiro set foi o pior do português. Apesar de ter quebrado o serviço do sueco em duas ocasiões, Ymer quebrou-o três vezes. João Sousa tinha começado com o pé esquerdo, mas nunca deu a partida como perdida. No segundo set, Sousa foi quebrado no primeiro serviço, mas compensou ao quebrar os primeiros dois serviços do sueco. Num possível 3-5, Sousa não aproveitou e foi quebrado. O set acabou por ser decidido no tie-break, onde, novamente, Sousa foi feliz. No terceiro e último set, Sousa e Ymer estavam mais consistentes e parecia que nenhum ia ter o serviço quebrado e seria decidido no tie-break, mas não foi o caso. O tenista português conseguiu quebrar o sexto serviço do sueco, com uma grande recuperação, e garantiu depois a vitória e o acesso à final, depois de ter salvado três match points. O jogo durou 3 horas e 15 minutos!

EMIL RUUSUVUORI | À ESPREITA DO PRIMEIRO TROFÉU

O tenista finlandês tinha sido uma das grandes surpresas do ano passado, mas não venceu qualquer troféu no circuito ATP, e esse era o grande objetivo de Emil Ruusuvuori.

No primeiro jogo, o tenista finlandês jogou contra Egor Gerasimov, da Bielorússia, e entrou com o pé direito. No primeiro set, venceu todos os seus serviços e ainda quebrou todos os serviços do bielorusso. A vida do finlandês no segundo set foi mais complicada, mas venceu após uma disputa no tie-break 7-6 (11).

Na segunda partida, o adversário era Vit Kopriva, número 193 do ranking ATP. Novamente, Ruusuvuori não teve muita dificuldade e eliminou o tenista da República Checa com um duplo 6-3.

No terceiro jogo, Ruusuvuori enfrentou Jiri Vesely, número 80 do ranking ATP e número um da República Checa. Apesar de ter sido um encontro mais competitivo que o anterior, o finlandês nunca esteve próximo de ser quebrado e venceu o jogo com 6-3 e 6-4.

Nas meias-finais, o adversário era o polaco Kamil Majchrzak. O encontro durou quase 2 horas e foi o mais complicado para o finlandês no percurso até à final. Depois de um 6-3 no primeiro set, Emil foi quebrado no segundo set, mas compensou logo de seguida. No tie-break, não deu qualquer hipotese ao polaco: 7-6 (0).

A GRANDE FINAL

Chegava a altura do derradeiro jogo. Ambos tenistas precisavam da vitória. Ruusuvuori queria relembrar Pune como o primeiro torneio onde venceu um troféu do circuito ATP. Do outro lado, João Sousa queria vencer uma competição ATP pela primeira vez desde 2018 e ter mais mais um troféu para se juntar aos outros três títulos que já venceu – Open da Malásia de 2013, Open de Valência de 2015 e Open de Estoril de 2018.

O favorito do público era Emil Ruusuvuori. Nas meias-finais, frente a Ymer, o português também foi o tenista menos aplaudido. O derradeiro jogo foi uma autêntica montanha russa.

O primeiro set foi muito equilibrado até ao quarto serviço de ambos tenistas. No serviço de Sousa, o português perdeu após ter uma vantagem de 30-15. Agora, no serviço do finlandês, começou o pior pesadelo de Ruusuvuori na final: as duplas faltas. Os últimos dois pontos de Sousa vieram das únicas duas duplas faltas que o finlandês fez no primeiro set. Não houve qualquer alteração no restante do set.

O tie-break foi uma grande mistura de emoções para os portugueses. Sousa começou mal, mas recuperou e ainda teve três oportunidades de vencer o set, mas não aproveitou. O finlandês teve uma oportunidade de vencer o set, mas não conseguiu. O tenista português aproveitou a quarta oportunidade para vencer o primeiro set da final.

No segundo set, João Sousa começou muito bem e chegou a ter uma liderança de 4-1, mas o finlandês jogou alguns dos melhores minutos da sua carreira e fez uma grande recuperação para empatar a partida. O título seria decidido no terceiro e último set.

Na terceira parte do encontro, ambos tenistas estavam encorajados, por estarem tão próximos de vencer um título do circuito ATP. O nervosismo de Ruusuvuori notou-se logo no primeiro serviço, onde foi quebrado pelo português. João Sousa não mostrava sinais de ser quebrado e conseguiu quebrar mais uma vez o serviço do atual número 87 do ranking ATP. No sexto serviço de Sousa, a partida já estava 5-1, ou seja, bastava vencer o serviço para se tornar no novo campeão do torneio. O português chegou a ter uma liderança de 40-0, que rapidamente chegou a ser 40-30, mas Sousa conseguiu levar a melhor sobre o finlandês, após quase três horas de jogo (2h45m).

Foi o quarto troféu de João Sousa no circuito ATP e o regresso às vitórias. Depois de dois anos muito complicados, o português voltou a sorrir. Não foi dos primeiros portugueses a deixar uma marca na Índia – o grande destaque foi Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo da Europa até à Índia – mas foi o mais recente a fazê-lo.

Com isto, João Sousa reforça o estatuto de melhor tenista português de todos os tempos e vai subir, amanhã, para o lugar 86 do ranking ATP, vai ser a primeira vez que ocupará um lugar no top 100 desde março de 2021.

Foto de Capa: ATP Tour

Filipe Torres

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