O Golden Swing é uma série de torneios jogada, em terra batida, na América do Sul. Uma vez que decorre durante a temporada de piso rápido jogada maioritariamente na Europa, os jogadores menos cotados e mais propensos a ter bons resultados em terra batida acabam por escolher participar neste swing para, assim, amealhar pontos importantes no ranking longe da concorrência dos melhores do mundo. Este torneio de Santiago faz parte deste circuito.

Uma forma de percebermos esta diferença de nível é ver que o primeiro cabeça-de-série do torneio no Chile seria o último cabeça-de-série do ATP de Doha que distribui exatamente os mesmos pontos, por exemplo. Posto isto, no início do torneio existiam dois grandes pontos de interesse, ver se João Sousa conseguiria finalmente vencer um jogo de um Quadro Principal (QP) de um torneio, e a prestação de Pedro Sousa na sua superfície favorita.

João Sousa teve como adversário um jogador vindo do qualifying e que é número 171 do mundo, Juan Pablo Varillas. João Sousa era o claro favorito para vencer este encontro, mas o português nunca pareceu suficientemente tranquilo para encarar este encontro com a atitude certa. À medida que ia errando ia-se irritando mais, e à medida que se ia irritando ia errando mais, num círculo vicioso que acabou por resultar num segundo set desastroso que perdeu por 6-1. Começa a ser difícil ver o fim desta tremenda crise de resultados para João Sousa cujo lugar dentro do TOP-100 mundial parece, cada vez mais, em perigo.

Pedro Sousa, por sua vez, voltou a mostrar um bom nível de ténis e pareceu já totalmente recuperado da pequena lesão que sofreu durante o ATP de Cordoba. Frente a um antigo TOP-30 mundial, mas muito longe desse nível de jogo, Leonardo Mayer, Pedro Sousa mostrou-se bastante autoritário e, a servir bem, não deu qualquer hipótese ao seu adversário de o importunar verdadeiramente no seu serviço, algo de assinalar quando estamos a falar de um jogo disputado na superfície mais lenta do circuito, a terra batida. Pedro Sousa acabou por se fazer valer de dois breaks no primeiro set e um no segundo para comandar a partida e marcar presença na segunda ronda.

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O adversário da segunda ronda era o quarto pré-designado do torneio, Laslo Djere, que, por ser cabeça-de-série tinha beneficiado de um bye na primeira ronda do torneio e, por isso, mais tempo de descanso do que Pedro Sousa. Apesar de ter sido quebrado, em branco, logo no início do primeiro set, o português acabou por conseguir dar a volta à situação e virar o set a seu favor e um break, no 11.º jogo, deixou o lisboeta a servir para fechar o primeiro parcial por 7-5. O segundo set foi novamente muito equilibrado e foi novamente Pedro Sousa que quebrou o serviço adversário numa fase crucial do encontro o que deixou o português, novamente, a servir em 5-4 para fechar o set e, desta vez, o encontro, mas o desfecho não foi o mesmo. Pedro Sousa teve dois match points nesse jogo de serviço mas desaproveitou os dois e, nesse set, perdeu todos os restantes jogos e o set por 7-5. No terceiro set, os serviços desempenharam um papel chave. Em cada um dos seus jogos de serviço, os servidores nunca permitiram mais do que um ponto ao adversário, exceto numa ocasião que foi num dos jogos de serviço de Pedro Sousa o que acabou por ditar o fim da participação portuguesa.

O outro destaque vai para Holger Rune, o número um mundial de juniores, que acabou por fazer um torneio melhor do que seria de esperar. O norueguês tinha-se estreado em QP do circuito ATP na semana anterior, em Buenos Aires, mas só agora conseguiu a primeira vitória ATP da carreira. Rune, que vinha do qualifying, conseguiu vencer Sebastian Baez e, ainda, surpreendeu tudo e todos ao eliminar o segundo cabeça-de-série, Benoit Paire. É um tenista que nos vamos começar a habituar a ver nos torneios ATP e estas foram as duas primeiras vitórias de muitas que a sua carreira trará, certamente.

FINAL

No resto do torneio, o primeiro pré-designado e atleta da casa, Cristian Garín, acabou por fazer um excelente torneio e chegou à final depois de ter ultrapassado toda a concorrência em parciais diretos. Do outro lado do quadro, foi Facundo Bagnis quem chegou à final. O argentino teve um percurso bastante mais sinuoso, teve de disputar, por duas vezes, o set decisivo e jogou, ainda, três tie-breaks. A chegada à final foi uma surpresa e a vitória frente a Frances Tiafoe representou uma das surpresas do torneio.

Na final, o favoritismo estava todo do lado de Garín, mas foi Bagnis quem entrou melhor e pressionou o serviço do chileno. Depois de dois break points salvos por Garín, foi mesmo o chileno que acabou por, na primeira oportunidade, quebrar o serviço do adversário e avançar para a conquista do set por 6-4. No segundo set, e tendo em conta o cansaço acumulado de Bagnis ao longo do torneio, era fundamental para o argentino entrar por cima do encontro e ir à procura de fazer o primeiro break. Não foi isso que aconteceu. Cristian Garín voltou a aproveitar a primeira oportunidade que teve de quebrar o serviço ao seu adversário logo no segundo jogo de serviço de Bagnis. O argentino não ia deitar a toalha ao chão e devolveu de imediato a quebra de serviço. Depois desta troca de breaks inicial, o jogo acabou por se desenrolar de forma bastante rápida com os servidores a darem poucas oportunidades ao adversário de fazer break. Bagnis tem um primeiro serviço poderoso e, assim que o conseguia colocar, ficava de imediato em vantagem no ponto. Infelizmente para ele, no primeiro set a percentagem de primeiros serviços dentro foi bastante baixa, apenas 46%. Melhorou muito esse aspeto no segundo set e isso foi chave. Bagnis acabou por conseguir levar o set a tie-break onde teve uma prestação de altíssimo nível, vencendo o tie-break por 7-3. Ficava, assim, tudo para decidir no último set.

No terceiro set, foi Garín que elevou o seu nível. Nunca deixou Bagnis confortável no seu jogo de serviço e acabou por ir conseguindo vencer os jogos com alguma tranquilidade. Conseguiu, novamente, ser o primeiro a quebrar, mas, psicologicamente, voltou a não saber manter o nível e deixou o argentino fazer de imediato o contra break. Num final de set decidido nos detalhes, Crsitian Garín acabou por ser mais competente e levar esta final de vencida.

Com esta vitória, o chileno vence o seu quarto torneio ATP e reentra no TOP-20 mundial, praticamente cinco meses depois de ter saído.

Apesar desta derrota, Facundo Bagnis tem de estar orgulhoso da sua prestação pois, depois de em Cordoba se ter estreado nas meias-finais de um torneio ATP, aqui em Santiago estreou-se numa final, aos 31 anos. Os argentinos têm vindo a fazer um excelente Golden Swing e, neste torneio, voltaram a colocar dois jogadores nas meias-finais, Bagnis e Delbonis.

Foto de Capa: ATP Tour

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