cab ténis

João Sousa teve pela frente na segunda ronda do primeiro grand slam da temporada o colombiano Santiago Giraldo. O confronto direto era bastante desfavorável: Giraldo 3 – 0 Sousa. Contudo, e tal como havia acontecido na ronda anterior, Sousa apresentou um nível altíssimo e sem grandes dificuldades levou de vencida Santiago Giraldo. O português está, desta forma, pelo segundo ano consecutivo na terceira ronda do Australian Open.

Sousa, que curiosamente voltou a ter de esperar alguns minutos antes de entrar em court, pareceu sempre mais forte que o seu adversário. No primeiro set, e apesar da baixa percentagem de primeiros serviços (56%), o português estava a vencer 87% dos pontos em que colocava a primeira bola e vencia ainda 43% dos pontos em que respondia ao serviço. A juntar a isto, Giraldo ia cometendo erros em catadupa (17 apenas na primeira partida). Naturalmente, e mesmo com uma baixíssima percentagem de conversão de break points (11%), Sousa acabaria naturalmente por vencer o primeiro set por 6-3.

Na segunda partida, onde seria normal, tal como veio a acontecer, que o colombiano esboçasse uma reação, João Sousa demonstrou um enorme controlo emocional. O português, que foi breakado logo no início do segundo set, soube manter-se calmo e procurar novas soluções – o amorti e o slice, por exemplo – quando as coisas não estavam a correr tão bem. Este “novo” João Sousa, que está exclusivamente concentrado no jogo e que não passa a vida a falar sozinho, é na minha ótica a grande melhoria para a temporada de 2016.

Campo cheio para ver João Sousa em ação Fonte: Australian Open
Campo cheio para ver João Sousa em ação
Fonte: Australian Open

De resto, nota para uma normal quebra de concentração de Sousa na terceira partida. Giraldo, que começou a apostar no tudo ou nada, acabaria por vencer o terceiro set por 6-3. Todavia, João Sousa soube recompor-se e numa clara demonstração de força aplicou um contundente 6-1 ao colombiano.

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Gostaria ainda de destacar, tal como tive oportunidade de o referir anteriormente, o nível do serviço do português: realizou oito azes e ganhou 81% dos pontos em que colocou a primeira bola e 56% no segundo serviço. A resposta, outro dos capítulos em que tinha notado melhorias significativas, voltou a estar bem: 42% de pontos ganhos quando respondia ao serviço.

Na próxima ronda Sousa terá pela frente Andy Murray. O português, que já defrontou o escocês por seis vezes – duas delas no Australian Open (2013 e 2015) – conseguiu roubar um set a Murray na última vez em que se defrontaram (Rolland Garros 2015). A verdade é que será muito difícil Sousa vencer Andy Murray. No entanto, acredito que o português possa voltar a “roubar” uma partida a Murray. Sonhar ainda não paga imposto e no ténis não há impossíveis.

Imagem de capa: João Sousa