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Challenger Oeiras 3 | Um torneio latino

José Maria Reis · 7 min

Foto: Rio Open

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A Federação Portuguesa de Ténis (FPT) tem feito de tudo para aumentar o nível de competitividade dos torneios realizados em Portugal e, com isso em mente, organizou mais um Challenger no Jamor, o terceiro desta época neste complexo desportivo. Este Challenger teve a particularidade de ser da mais alta categoria Challenger, que distribui 125 pontos ao vencedor, por isto, tornou-se no segundo evento português a distribuir mais pontos ATP a seguir ao Estoril Open.

Tal como tem sido apanágio da FPT nestes torneios que tem organizado, a presença de portugueses era bastante significativa e poderia ter sido ainda mais, caso algum dos quatro tenistas lusos que disputaram o quadro de qualificação se tivesse apurado para o Quadro Principal (QP). Tiago Cação, Luís Faria e Francisco Cabral, que receberam todos um wildcard para este Qualifying, caíram na primeira ronda. Gonçalo Oliveira, por sua vez, até conseguiu chegar à segunda e última ronda da qualificação, mas acabou por cair em três sets para o primeiro cabeça-de-série deste quadro.

Fechado o QP, eram cinco os tenistas portugueses que o iam disputar. Para além dos portugueses, Gastão Elias, Frederico Silva, Nuno Borges, João Domingues e Pedro Sousa (oitavo cabeça-de-série do torneio), Carlos Alcaraz, o jovem prodígio espanhol, era o principal foco deste torneio, até porque, se o vencesse, alcançaria um marco histórico na sua carreira, a entrada no TOP-100, onde vai estar, garantidamente, muitos e bons anos.

As duas primeiras rondas correram de feição aos portugueses e apenas João Domingues e Frederico Silva caíram antes de chegar aos quartos-de-final frente a dois jogadores muito poderosos e com legítimas aspirações no torneio. João Domingues perdeu a primeira ronda frente a Pedro Martínez, número 99 do ranking ATP, e Frederico Silva caiu na segunda ronda frente a Facundo Bagnis, experiente tenista da terra batida e 109.º classificado do ranking, respetivamente.

Nos quartos-de-final, os três portugueses que tinham chegado a esta fase deram espetáculo e fizeram jogos de grande nível contra jogadores de grande nível. Infelizmente, e apesar de que qualquer um dos encontros poderia ter caído para qualquer um dos lados, os portugueses acabaram todos eliminados nesta ronda.

No primeiro encontro dos quartos-de-final, Nuno Borges, que era número 296 do mundo e tinha eliminado Pedro Martínez na ronda anterior, enfrentava Facundo Bagnis, o carrasco de Frederico Silva no dia anterior.

O primeiro set foi avassalador por parte do argentino que acabou mesmo por fechá-lo em 6-1. Nuno Borges conseguiu mudar o chip e fazer um belo segundo parcial. Até esteve a servir para fechar o set em 6-3, mas, depois de ser quebrado nessa altura, foi só no último jogo de serviço de Bagnis que o Nuno conseguiu quebrar e, simultaneamente, fechar o parcial em 7-5. O terceiro set teve um início atribulado, com muitos pontos de break e, até mesmo, uma troca de breaks, mas a partir daí jogou-se ao ritmo do serviço em jogos bastante rápidos e bem conseguidos por quem servia.

No entanto, e numa altura crucial do encontro, Nuno Borges acabou por ceder um jogo de serviço que permitiu a Bagnis servir para fechar o encontro, oportunidade que o argentino não desperdiçou, fechando o parcial em 7-5. No final, Bagnis traçou rasgados elogios ao português: “O primeiro set foi um dos melhores sets da minha vida. O Nuno está a jogar muito bem, muito agressivo e é difícil contrariá-lo. […] Ganhar um encontro assim deixa-me muito feliz”, o que revela bem a prestação e o nível de jogo do português, que acaba de renovar o seu melhor ranking de sempre, subindo mais de 20 posições para o número 275.

O português que se seguiu a entrar em court foi Pedro Sousa que, de todos, parecia ser aquele que tinha mais possibilidades de ultrapassar o seu adversário e, até, lutar pelo título no Jamor. Com este apuramento para os quartos-de-final, Pedro Sousa já tinha garantido algo que não acontecia há cerca de nove anos, que era deixarmos de ver João Sousa como número um português. Pedro Sousa fez questão de afirmar que isso não era particularmente interessante para ele e que preferia ser número dois, mas estar numa posição mais favorável do ranking.

Pela frente tinha o jovem Hugo Gaston, um jogador que se mostrou a um grande nível em Roland Garros e dotado de um arsenal técnico bastante invejável. Apesar de ter sido uma partida disputada em três sets, a verdade é que cada set foi bastante rápido e, por isso, a partida durou apenas uma hora e meia, o que, para três sets, é bastante rápido.

No primeiro set, o servidor esteve sempre bastante sólido e existiu apenas uma oportunidade de break, no oitavo jogo e numa fase crucial, Pedro Sousa deixou fugir o seu jogo de serviço e permitiu que Gaston servisse para fechar o primeiro parcial, tarefa que o francês executou de forma exímia, não permitindo qualquer ponto a Pedro Sousa.

No segundo set, o português entrou com mais vontade e, com um break inicial, liderou todo o parcial tendo, até, conseguido alcançar uma vantagem de dois breaks, para concluir o set em 6-1.

No derradeiro, e mais longo, set, Pedro Sousa desperdiçou duas oportunidades de entrar logo a fazer break e, depois de não o ter conseguido, foi quebrado de seguida. Na frente da partida, Hugo Gaston acabou por fazer tudo com mais confiança e tranquilidade e até acabou por quebrar de novo o serviço do português, numa altura em que Pedro Sousa servia para se manter na disputa da partida.

Gastão Elias tinha a difícil tarefa de enfrentar Alcaraz. O português entrou muito bem no encontro e, com um break a meio do primeiro set, acabou por chegar à fase decisiva do parcial com uma vantagem de 5-2, mas foi nesse momento que Carlos Alcaraz se superou e acabou por ganhar os cinco jogos seguintes para vencer o primeiro set por 7-5.

Com o andamento do set anterior, o espanhol foi superior no segundo set e, apesar de até ter voltado a sofrer um break no set, aproveitou duas das oportunidades que teve para quebrar o serviço a Gastão e vencer, também, este segundo parcial.

E foi assim que terminou a, muito positiva, prestação portuguesa no Oeiras 3 onde os principais destaques foram mais uma excelente semana de Nuno Borges que vai melhorando o seu melhor ranking de sempre todas as semanas e mais uma boa semana de Gastão Elias que vai continuando a subir no ranking e elevando o seu nível.

A FINAL

À final, chegaram Facundo Bagnis, carrasco de Nuno Borges e Frederico Silva, e Carlos Alcaraz, carrasco de Gastão Elias. O gap geracional era um dos principais pontos de interesse do encontro. Como é que Bagnis ia conseguir contrariar a juventude e irreverência de Alcaraz? E como é que Alcaraz ia conseguir contrariar a experiência de Bagnis?

Falta ainda voltar a referir que Alcaraz, aos 18 anos, estava a uma vitória de vencer o torneio e, por isso, de entrar no TOP-100 do ranking ATP e, se por um lado isso lhe podia trazer algum nervosismo, trazia muita motivação por parte do espanhol.

Carlos Alcaraz entrou muito focado e garantiu o break logo no jogo inicial. Mesmo com este break de vantagem, e apesar de não ter existido mais nenhum ponto de break durante toda a primeira partida, era sempre o espanhol que incomodava mais os jogos de serviço do adversário. Quando servia para concluir o primeiro parcial, Alcaraz não tremeu e fechou o jogo em branco.

O segundo set teve muitas nuances do primeiro e, apesar de, tal como o primeiro, se ter mantido equilibrado até ao fim, foi sempre Alcaraz que pareceu estar mais confortável e perto de “ferir” Bagnis. No final do set, três breaks consecutivos, dois para Alcaraz e um para Bagnis, deixaram Alcaraz a servir para vencer o seu quarto título Challenger, mas mais que isso, digo eu, para entrar no TOP-100. Desta feita, permitiu um pouco mais ao adversário do que havia feito no primeiro set, mas acabou por, novamente, conseguir concluir o set e assinalar um marco histórico na sua carreira.

Foto de Capa: Rio Open

José Maria Reis

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