Cabeçalho modalidadesPonto final na vertente feminina de Roland-Garros 2017 e, no final, aquilo que parecia impossível aconteceu: aos 20 anos de idade a tenista letã Jelena Ostapenko conquistou o primeiro torneio do Grand Slam da sua carreira, num torneio no qual nunca havia ganho qualquer encontro nas edições anteriores, ao bater na final a mais experiente Simona Halep por 4-6, 6-4 e 6-3. Numa final na qual Ostapenko esteve sempre no centro do encontro, quer pelos 54 winners concretizados quer pelos 54 erros não forçados, Halep correu muito (1998,5m.) mas tal não foi suficiente para contrariar a agressividade do ténis da letã.

No caminho até à final Jelena Ostapenko deixou pelo caminho Louisa Chirico, Monica Puig, Lesia Tsurenko, Samantha Stosur, Caroline Wozniacki e Timea Bacsinszky. O estilo foi sempre o mesmo: pontos jogados em poucas pancadas, bola quase sempre colocada próximo das linhas laterais do court, muita agressividade na pancada de direita (mais rápida [média de 122 Km/h] do que, por exemplo, a de Andy Murray – ainda que também muito mais chapada), winners atrás de winners, uma atitude dominadora desde o início de cada ponto disputado. Os pontos fracos também sempre foram evidentes, em particular a pouca agressividade do segundo serviço, a inconsistência dos volleys, e os défices ao nível da movimentação no court, mas é precisamente a sua atitude “mandona” que lhe permite não ter que se deslocar tanto quanto as suas adversárias (por exemplo, na final Ostapenko correu quase menos 500m. do que Halep).

Fonte: Página do Facebook de Roland-Garros
Fonte: Página do Facebook de Roland-Garros

Do encontro decisivo o que fica é, acima de tudo, a beleza da inocência do ténis de Ostapenko, a forma aparentemente irresponsável como encarou o momento e que lhe permitiu não abdicar, em momento algum, do seu estilo de jogo. Mesmo nos momentos de maior tensão, naqueles em que mesmo os melhores tenistas tremem, Ostapenko nunca deixou de ser agressiva, de procurar fazer winners, e nunca desesperou mesmo quando os erros não forçados se sucediam. A inocência da letã era de tal forma evidente que, mesmo após ter consumado a vitória, esta parecia não ter noção da verdadeira dimensão do seu feito.

Para Simona Halep esta foi a sua segunda final de um torneio do Grand Slam disputada e também a sua segunda derrota nas mesmas. Após ter dominado a temporada de terra batida Halep parecia a grande favorita à conquista de Roland-Garros, mas a lesão no tornozelo esquerdo que sofreu pouco antes do início do torneio colocou muitas dúvidas acerca da sua condição física. Porém, esta sempre pareceu muito forte ao longo da competição, tendo cedido sets apenas frente a Elina Svitolina (a outra grande figura da temporada de terra batida) e Karolina Pliskova (número 2 do ranking WTA). Na final o ténis de Halep foi sempre bem ao seu estilo, nunca dando qualquer bola por perdida, deslocando-se brilhantemente no court, e procurando acima de tudo prolongar os pontos em busca daquela que é, provavelmente, a sua maior arma: a consistência. Porém, na romena, a consistência mental nem sempre acompanha a consistência de jogo, embora hoje não tenha sido por aí que Halep saiu derrotada no Court Philippe-Chatrier.

Fonte: Página do Facebook de Roland-Garros
Fonte: Página do Facebook de Roland-Garros

Terminado Roland-Garros, Simona Halep ascende ao 2º lugar do ranking WTA e iguala a sua melhor classificação de sempre. Porém, aos 25 anos de idade, continua sem conseguir conquistar qualquer torneio do Grand Slam. Já Jelena Ostapenko passa diretamente para a 12ª posição do ranking mundial e ultrapassa Madison Keys como a mais jovem tenista integrada no top 20 na história da modalidade. Daqui em diante o nome de Jelena Ostapenko terá sempre que ser tido em consideração para os torneios do Grand Slam que se seguem, sendo que as caraterísticas do seu jogo são até interessantes para a relva de Wimbledon. Porém, a tenista letã não poderá “embandeirar em arco”, porque se por um lado a agressividade da sua pancada de direita faz lembrar os tempos áureos de Petra Kvitova, por outro lado é também claro que Ostapenko precisa ainda de crescer taticamente e de saber dosear um pouco mais a impetuosidade do seu jogo já que, como se sabe, o ténis não é apenas um concurso de winners.

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Foto de Capa: C. Dubrueil/FFT

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Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.