O Abierto Mexicano de Tenis, a disputar-se em Acapulco era a grande prova ATP desta semana. Confirmadas as presenças de seis jogadores do top10 (Rafael Nadal, Alexander Zverev, Dominic Thiem, Jack Sock, Kevin Anderson e Juan Martin del Potro), o torneio mexicano prometia ser emocionante e muito renhido. A juntar-se às estrelas já referidas, também Shapovalov, Chung, Kokkinakis e Rublev jogaram em Acapulco dando muito sangue novo à competição.

Poucos dias antes de se iniciar o quadro inicial, o “Kids Day” (iniciativa semelhante ao tradicional Arthur Ashe Kids’ Day do US Open) contou com a presença do grande astro espanhol Rafael Nadal que surgiu muito bem-disposto, sorridente e (aparentemente) livre de qualquer incómodo físico. Esta imagem permaneceu até ao dia imediatamente anterior à estreia do maiorquino, quando Nadal (na última sessão de treino antes do encontro) sentiu de novo a dor que o fez desistir do Australian Open.

Rafa ainda esteve no México mas não chegou a iniciar a competição
Fonte: Abierto Mexicano de Tenis

O espanhol revelou mais tarde em conferência de imprensa que ainda tem líquido no psoas da anca direita, e que por muito que quisesse, desta vez não podia forçar o seu corpo a jogar no México. Para além desta desistência, está também já confirmada a ausência de Rafa dos torneios de Miami e Indian Wells, sendo que a grande prioridade do espanhol neste momento é recuperar a ponto de poder defender os mais de quatro mil pontos que amealhou na temporada de terra batida de 2017.

Apesar de retirar algum mediatismo à competição mexicana, a ausência de Rafa Nadal abriu portas aos restantes candidatos que, agora, viam a vitória da prova como um objetivo (pelo menos) mais realista. A metade inferior da prova era sem dúvida a mais dura para os jogadores, e nela constavam os nomes de Zverev, Thiem, Rublev, Ferrer (que parece que recuou 6 anos e está de novo em boa forma), Nishikori (que procura voltar ao melhor ritmo, depois de meses afastado do circuito), Shapovalov, a sensação argentina Diego Schwartzman e o seu compatriota Juan Martin del Potro. Este último acabou mesmo por ser o grande herói da semana: vitórias duras frente a David Ferrer e Dominic Thiem (que parece um pouco longe do seu melhor nível) colocaram a “torre de Tandil” nas meias-finais onde iria encontrar o atual número 5 da hierarquia mundial, Sascha Zverev.

O que aí vinha, porém, nem o mais confiante dos argentinos poderia prever. O jovem alemão de 20 anos viu um autêntico rolo compressor passar por cima de si, ao mesmo tempo que um imparável Del Potro ofereceu uma autêntica aula de técnica e força a todos os presentes que aplaudiram a vitória inequívoca do argentino de 29 anos por 6/4 e 6/2. O atleta de Tandil marcava assim encontro com Kevin Anderson na Final, encontro que já não disputava desde outubro, quando venceu o ATP de Estocolmo.

Fonte: Abierto Mexicano de Tenis

No derradeiro encontro o resultado acabou por ser o mais previsível: com maior ou menor dificuldade em alguns momentos do encontro Del Potro foi melhor em todos os capítulos. Num encontro entre dois “bombardeiros” seria absolutamente indispensável ter um bom aproveitamento no que a break points diz respeito, e o argentino sabia disso, confirmando o break em dois dos três pontos de break que teve à sua disposição acabando por derrotar o sul-africano por duplo 6/4.

Após uma semana intensa no México, fica a sensação que o argentino pode colocar alguns dos melhores jogadores do circuito em sentido nesta mini tour pelos Estados Unidos da América, sendo que com esta vitória o argentino salta para a 8ª posição do ranking ATP. Apesar de admitir que “não há dia que passe que não sinta dores nos pulsos”, é de louvar o esforço e persistência do argentino que desde 2010 batalha contra as lesões em ambos os pulsos. Se estes o permitirem, o ano de Del Potro terá, com certeza, mais momentos como os deste domingo e poderá somar mais finais ao seu currículo depois de, nos últimos 3 anos, contar com o mesmo número de Finais – e títulos ATP.

Foto de Capa: Abierto Mexicano de Tenis

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