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Estoril Open: Torneio regressa com João Sousa e estreantes de luxo

Pedro Marques dos Santos · 8 min

Estoril Open: Torneio regressa com João Sousa e estreantes de luxo
Foto de Capa: Estoril Open

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Depois de um ano de interregno devido à pandemia de COVID-19, que levou ao cancelamento da edição de 2020 do único torneio em solo português de categoria ATP, o renovado Estoril Open, agora disputado no Clube de Ténis do Estoril e não no Jamor, arranca para a sua sexta edição este sábado.

Sem público nas bancadas para receber alguns dos melhores executantes do mundo, há ainda assim muitos motivos de interesse para acompanhar aquela que promete ser mais uma prova recheada de encontros memoráveis, com a estreia em Portugal de autênticas vedetas do circuito masculino e, claro está, de João Sousa, o melhor tenista português de todos os tempos e vencedor do torneio em 2018.

DESISTÊNCIAS DE ÚLTIMA HORA E CABEÇAS DE SÉRIE

Apesar de ter perdido quase todos os elementos do Top 20 do ranking mundial anunciados aquando da apresentação do torneio, no final de março, a sexta edição do Estoril Open conta com vários nomes sonantes a servir de cabeça de cartaz para a competição de singulares. Diego Schwartzman (número 9 do ranking), o único Top 10 com presença confirmada para o torneio, foi baixa de última hora, com uma lesão na anca detetada após a derrota nos quartos de final de Barcelona.

Antes disso, já Gael Monfils (15.º), que não conseguiu recuperar da lesão que o tem apoquentado neste arranque da temporada, Fabio Fognini (27.º), lesionado no pulso, e Pablo Carreno Busta (13.º), vencedor da prova em 2017 que indicou a fadiga acumulada do muitos torneios disputados nas últimos tempos – foi campeão em Marbella há duas semanas, caiu nos oitavos em Monte Carlo e atingiu as meias-finais esta semana, em Barcelona -, foram as outras desistências entre os cabeças de série originalmente previstos.


Esse mesmo estatuto tinha Grigor Dimitrov (17.º), o bielorusso e antigo Top 10 que tinha recebido o segundo Wild Card da organização, mas acabou por ter de abdicar da sua participação devido a uma infeção dentária. Para o seu lugar entrou Denis Shapovalov (14.º), jovem canadiano que se vai estrear no torneio e, fruto das desistências, como primeiro cabeça de série.

Para além de João Sousa (105.º) e do tenista de 22, o terceiro e último Wild Card foi atribuído a Kei Nishikori, o nipónico que esteve durante largos anos no Top 10, que já foi finalista de um torneio do Grand Slam, e que procura recuperar o seu melhor nível depois das muitas lesões que o têm fustigado ao longo das últimas épocas. O japonês é o quarto cabeça de série de uma competição em que nunca tinha participado.


Os restantes cabeças de série são Cristian Garin (22.º), chileno especialista em terra batida, Ugo Humbert (31.º), o melhor cotado dos muitos franceses em prova no Estoril, Alexander Bublik (42.º), o desconcertante tenista do Cazaquistão, Marin Cilic (44.º), croata que venceu o US Open em 2014, frente a Nishikori, e já esteve em finais no Open da Austrália e de Wimbledon, Albert Ramos-Vinolas (46.º), outro especialista do pó de tijolo, e Alejandro Davidovich Fokina (48.º), um dos valores espanhóis da “Next Gen”.

Foto de Capa: Estoril Open

OUTROS DESTAQUES DO ELENCO

Além dos teóricos favoritos ao títulos, o Estoril Open vai também receber outros nomes consagrados do ténis mundial. Entre eles estão o veterano espanhol Fernando Verdasco (69.º) e o veterano gaulês Gilles Simon (70.º), para além de Kevin Anderson (107.º), o sul-africano que se encontra afundado no ranking devido a problemas físicos, mas que já foi finalista em Wimbledon e no US Open.


Richard Gasquet, campeão da primeira edição do torneio português disputada no Clube de Ténis do Estoril, em 2015, também está de volta à competição e é, a par de João Sousa, o único tenista em prova que sabe o que é ganhar o Estoril Open. Frances Tiafoe (65.º), finalista derrotado pelo português em 2018, é outros dos regressos confirmados.
Lloyd Harris (53.º), Cameron Norrie (58.º) e Pierre-Hugues Herbert (74.º) são mais alguns nomes a ter em conta para a prova portuguesa, uma vez que já alcançaram resultados interessantes esta temporada.

CINCO PORTUGUESES EM AÇÃO

Depois de João Zilhão, diretor do Estoril Open, ter admitido o interesse de múltiplos jogadores de renome em receber Wild Cards para o torneio, as vagas para os tenistas portugueses acabaram por ficar mais reduzidas por comparação com edições anteriores, até porque a má fase de João Sousa, que o viu cair para fora do Top 100, fez com que um deles fosse entregue ao vencedor de 2018, que normalmente conseguia a qualificação direta para a prova fruto do seu ranking.

Curiosamente, o sorteio ditou que o vimaranense vá jogar a primeira ronda frente a Cameron Norrie, o britânico que, para além de estar num bom momento de forma, vai competir ao lado de João Sousa na competição de pares. Tendo em conta os resultados mais recentes de ambos, o tenista londrino tem o favoritismo do seu lado, embora o melhor ténis do português seja suficiente para o levar de vencida. Como dupla, os dois têm encontro marcado com Oliver Marach e Austin Krajicek, terceiros cabeças de série nesta vertente.


Os restantes portugueses tiveram de iniciar a sua participação no torneio na fase de qualificação. Pedro Sousa (112.º) foi o único a ter lugar direto nesta etapa preliminar, mas caiu logo na primeira ronda frente ao suíço Marc-Andrea Huesler (161.º), por 6-2 e 6-4, num encontro em que reconheceu “não estar nos seus dias”.

Com convite da organização para competir no qualifying, Nuno Borges (331.º) estreou-se em torneios da categoria ATP com uma das melhores vitórias da sua ainda curta carreira, ao bater Liam Brody (137.º), por 6-3 e 7-5. Após a vitória, o maiato reconheceu que é especial jogar pela primeira no court principal de um torneio ATP e afirmou ter sentido que jogou bem, “apesar de ter vacilado um pouco no final do segundo set”. Borges vai agora defrontar, este domingo, o espanhol Roberto Carballes Baena (91.º), cabeça de série número dois desta fase.


Na mesma situação estava Frederico Silva (171.º), que ficou a apenas uma desistência de entrar diretamente na fase de qualificação e libertar o seu Wild Card para outro português. Também o tenista das Caldas da Rainha aproveitou a oportunidade da melhor forma e bateu, de maneira tranquila, Brandon Nakashima (136.º), por 6-2 e 6-3.

O número três nacional vai discutir o acesso ao quadro principal com Jaume Munar (86.º), primeiro cabeça de série. Sobre o jogo de hoje, considerou que “foi muito bom” e admitiu estar “bastante satisfeito”, salientando a importância de ganhar em duas partidas. O português de 26 anos está também inscrito na competição de pares, na qual vai jogar ao lado de Pedro Sousa. Na primeira ronda, a dupla nacional vai enfrentar os norte-americanos Frances Tiafoe e Nicholas Monroe.


Finalmente, João Domingues (197.º) foi uma adição de última hora ao qualifying, que, por consequência da desistência de Diego Schwartzman, abriu vaga para um alternate. Ainda assim, o número quatro nacional, que pouco tem competido esta temporada, não conseguiu oferecer grande réplica a Carlos Taberner (142.º) e saiu derrotado por 6-4 e 6-2. Em declarações após o fim do jogo, o tenista de Oliveira de Azeméis assumiu que não estava à espera de participar, e afirmou que não jogou bem e que nunca se sentiu confortável no court.


EMBATES ALICIANTES EM PERSPECTIVA

Realizado este sábado, o sorteio do quadro principal ditou já alguns encontros interessantes para a primeira ronda do torneio, entre os quais estão os duelos 100% espanhóis entre Verdasco e Ramos Vinolas, e entre Pablo Andujar (80.º) e Davidovich Fokina. Igualmente apetecível será a partida entre Kevin Anderson e Frances Tiafoe, numa autêntica batalha de gerações.


Caso Nuno Borges ou Frederico Silva cheguem à quadro principal, sabem desde logo que têm como adversários possíveis Marin Cilic, Jeremy Chardy (51.º), Jordan Thompson (59.º) e Alexander Bublik.

Olhando para as duas metades do quadro, Shapovalov e Umbert têm o favoritismo do seu lado na metade superior, enquanto na metade inferior Cilic, Nishikori e Garín são os nomes mais sonantes, a que se junta o francês Gasquet que, salvo algum problema físico, é um tenista com capacidade para surpreender nesta superfície.


Com prémios monetários superiores a 480 mil euros e 250 pontos ATP à espera para o vencedor, o quadro principal do Estoril Open arranca na segunda-feira, 26 de abril, e tem a final agendada para 6 de maio. Amanhã jogam-se as partidas decisivas do qualifying, com Nuno Borges e Frederico Silva ainda a lutar por uma vaga no principal torneio de Ténis português.

Pedro Marques dos Santos

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