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Federer demasiado grande para um Nadal demasiado diminuído

Henrique Carrilho · 5 min

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Cabeçalho modalidadesEm qualquer época futebolística, as últimas jornadas são pródigas em surpresas por parte das equipas que lutam com todas as forças pela manutenção, enquanto aquelas que estão já confortáveis na tabela classificativa frequentemente “relaxam” concedendo alguns empates e derrotas. O mesmo costuma acontecer no ténis, relativamente à corrida pela qualificação para o ATP Tour Finals – torneio que reúne os 8 melhores classificados do ano. Por essa razão, por vezes vemos os grandes favoritos a ceder precocemente em torneios como os ATP500 de Tóquio, Pequim, ou mesmo ATP1000 de Shanghai e Paris – que antecedem o ATP Tour Finals, que decorre este ano entre 12 e 19 de Novembro, em Londres.

Porém, este tem sido um ano atípico (pelo menos a comparar com as épocas mais recentes) a todos os níveis, e Roger Federer continua a perseguir Rafael Nadal na esperança de conseguir repetir o que não acontece desde 2009 (como o tempo voa!): terminar o ano como número 1 do ranking mundial. E ficou mais perto esta semana, em Shanghai.

Num torneio sem muita história antes das meias-finais, Federer e Nadal (que à partida para essa ronda vinha de 15 encontros oficiais seguidos a vencer) mostraram que, aos 36 e 31 anos de idade respetivamente, continuam a ser (de longe) os melhores – e essa evidência é ainda maior perante a ausência de tantos nomes no circuito como Djokovic, Murray, Wawrinka, Raonic, Nishikori, entre outros.

Fonte: Reuters
Fonte: Reuters

Fazendo então um fast forward até às meias-finais da prova chinesa, Rafa Nadal iria ter pela frente o atual 5º classificado ATP Marin Cilic – que ainda procura qualificação para o ATP Tour Finals. Antes desse encontro Nadal apenas havia suado para levar de vencida o búlgaro Dimitrov (9º ATP), o que conseguiu fazer (à semelhança da semana passada no ATP500 de Pequim) em 3 duros e demorados sets. Frente ao croata Cilic, dono de um poder de fogo do fundo do court assinalável e do privilégio de poder servir do alto dos seus 1,98 metros, Rafael Nadal viu-se atarefado. Foi, pessoalmente, um dos melhores encontros que acompanhei nas últimas semanas, um verdadeiro desafio ao líder do ranking ATP, que se mostrou sólido (técnica, física e psicologicamente) frente a um Cilic que tudo fez para vencer – o que aconteceria na esmagadora maioria das vezes, não estivesse do outro lado da rede Nadal. Resultado final de 7-5 7-6 para o espanhol, que se adiantava para a 3ª final consecutiva de provas oficiais.

Poucas horas depois, foi hora de Federer pisar o Court Central para enfrentar Juan Martin Del Potro, e dar (mais uma vez) uma lição de ténis ao mundo. O encontro até nem começou de feição para o suíço. Alguns erros despropositados na fase crucial do primeiro set, ditaram que o ténis consistente do argentino (uma autêntica raridade nos últimos meses), fosse suficiente para levar o 1º set consigo. Na segunda partida os papéis inverteram-se e foi Federer que no momento-chave do encontro (Del Potro servia com 3-2 a favor de Federer) soube, num jogo em que contou com 5 break-points, fazer o break e desde então não mais tirou o pé do acelerador. Federer venceu a 2ª partida por 6-3 e conseguiu que o mesmo parcial se repetisse no derradeiro set.

Era hora de Federer lutar pelo seu 94º título ATP frente ao único atleta no mundo que tem um saldo positivo no mano-a-mano com o suíço: Rafael Nadal (23-14 para o espanhol). Todos esperavam mais um encontro de antologia em solo chinês, e quando ambos entraram em court o estádio entrou em erupção com os dois jogadores a serem ovacionados de pé pelos amantes da modalidade. Não passou despercebido, no entanto, um pormenor: ao fim de largos meses, o joelho direito de Rafa voltava a apresentar-se envolto numa ligadura branca, a fazer lembrar os anos negros atormentados por lesões nos tendões do maiorquino.

A partida começou com um Federer acutilante na resposta ao serviço, e demolidor quando dispunha da primeira pancada. Logo no primeiro jogo Nadal viu o seu serviço quebrado e o clã Nadal mostrou-se estranhamente apreensivo – indicador pouco habitual para uma entourage que acompanha um dos mais guerreiros desportistas do mundo.

O jogo desenrolou-se de forma pouco espetacular e acima de tudo bastante previsível: quase como uma lei, os jogos de serviço do suíço eram rápidos e simples, e pelo contrário, Nadal nunca conseguiu mostrar os dentes a Federer e ser tão assertivo como o helvético.Primeiro set: 6-4 para Federer ao cabo de 35 minutos. A segunda partida confirmou as piores previsões para Rafa. Não que o espanhol se tenha mostrado claramente diminuído fisicamente (não coxeou nem se expressou de qualquer forma que revelasse incómodo) mas para quem conhece o ténis do espanhol, era claro que este não estava confortável nos apoios que insistentemente era obrigado a realizar para responder aos profundos ataques de Federer e mais do que isso, o espanhol estava apático. À medida que o número de erros não forçados ia subindo, o espanhol parecia cada vez mais convencido que hoje não podia fazer nada para evitar que Roger levasse para casa o troféu e o suíço obviamente que não desperdiçou, concretizando a partida com um parcial de 6-4.

Fonte: Reuters
Fonte: Reuters

Federer fica ainda a uma distância de 1910 pontos de Rafa e isso significa que teremos ténis de altíssimo nível até à última bola do ano. Para já, a próxima paragem prevista para ambos é mesmo a casa do suíço para disputarem o torneio ATP500 de Basileia antes do último Masters1000 do ano – Paris. As contas para já são simples: estão neste momento apurados para o ATP Tour Finals Rafael Nadal (#1), Roger Federer (#2), Alexander Zverev (#3) e Dominic Thiem (#4). Na corrida estão – excluindo Wawrinka, Djokovic e Murray por lesão até ao fim do ano – Marin Cilic (#5), Grigor Dimitrov (#6), David Goffin (#7), Pablo Carreño Busta (#8), Sam Querrey (#9), Kevin Anderson (#10), Nick Kyrgios (#11) e Tomas Berdych (#12).

Fica por fim uma nota para o facto de não importar o número de vitórias sobre o adversário, o número de troféus conquistados ou o lugar que ocupam na classificação mundial, para estes dois Senhores Embaixadores da modalidade mostrarem o que é o verdadeiro fair-play dentro, e ainda mais fora do court como foi mais uma vez hoje prova. “Só” por isso, muito obrigado Cavalheiros!

 

Foto de Capa: Reuters

Henrique Carrilho

Redação Bola na Rede · ver artigos