Cabeçalho modalidadesAs últimas duas semanas foram fantásticas para o ténis português, e não graças aos resultados de João Sousa mas sim aos de Gastão Elias. O potencial do jogador nunca esteve em questão, mas até este ano nunca se tinha verdadeiramente materializado, por diversos motivos. Agora, porém, Elias é #64 do mundo e #62 no ranking anual, apenas a 150 pontos de João Sousa em 2016. O que há pouco tempo parecia impensável afigura-se agora bem possível: podemos ter um novo número 1 nacional até ao fim do ano.

Aliás, em Bastad Gastão Elias derrotou precisamente João Sousa nos quartos de final, por contundentes 6-2 6-2, antes de perder para Verdasco nas meias finais. Na semana seguinte, voltou a chegar às meias finais, em Umag, perdendo apenas para o eventual campeão Fognini, e derrotando o #20 mundial e especialista de terra batida Pablo Cuevas.

Estes resultados não vieram do nada; Elias já tinha ‘ameaçado’ Thiem, o actual #9 mundial, duas vezes esta temporada, ficando incrivelmente perto de o derrotar (teve até match points em Buenos Aires) por duas ocasiões. Realisticamente Gastão Elias nunca poderá vir a ser um jogador de top 10 mundial ou um concorrente para grandes títulos, mas está mais do que demonstrado que não lhe falta talento e qualidade para até possivelmente ultrapassar os feitos de João Sousa e elevar o ténis Português a um novo patamar. A questão é: terá agora finalmente a consistência e a mentalidade para o fazer?

Gastão Elias está em excelente forma Fonte: Gastão Elias
Gastão Elias está em excelente forma
Fonte: Gastão Elias

Com esta subida no ranking, Elias vai passar a jogar menos challengers e mais torneios ATP, e vai ter de começar a jogar muito mais em piso rápido do que aquilo a que está habituado (se bem que já tenha mostrado ser capaz de jogar bem nessas condições). Resta ver se está preparado para se estabelecer como pelo menos um jogador de top 50 regular.

Como prémio pela sua excelente época, Elias vai participar nos Jogos Olímpicos do Rio do Janeiro. Mas não passa disso: um prémio. Ganhar uma medalha não é um cenário minimamente realista infelizmente. O mais importante é conseguir algumas boas campanhas em torneios ATP, e até possivelmente em Masters e no US Open, para consolidar o que já é a melhor época da carreira de Gastão Elias e preparar fundações para um 2017 que pode ser ainda melhor.

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Foto de Capa: Gastão Elias

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