cab ténis

Confesso: esperava escrever este artigo com uma dispoisção totalmente diferente. Roger Federer acabou de levar “uma passagem” de Rafael Nadal, nas meias-finais do Austrália Open.

Podia ainda assim ter substituído no título a palavra Roger por Rafa, mas mais uma vez confesso: não sou capaz. A magia de Roger Federer é inigualável e se a minha admiração por ele resistiu ao fatídico ano de 2013, também é capaz de resistir a mais uma derrota clara frente ao rival espanhol.

Não somos só nós, os portugueses, que torcemos o nariz sempre que se fala de Espanha e de desporto. Certamente a Suíça também terá razões para não achar grande piada a “nuestros hermanos”. Em linguagem futebolística, e perdoem-me os meus amigos benfiquistas a comparação, Federer parece o Benfica de Jorge Jesus sempre que joga no Dragão: mostra medo e mostra não conseguir soltar o jogo de forma a lutar de igual para igual pela vitória.

Roger Federer – Australian Open 2014 http://i.telegraph.co.uk
Roger Federer – Australian Open 2014
Fonte: telegraph.co.uk

Há que dar claramente mérito ao espanhol, não só por ser um lutador nato e conseguir sempre renascer das cinzas mas por ter construído um jogo dificílimo de combater. Mais uma vez, o espanhol parece o Barcelona: nem sempre é mais bonito, mas é sempre o mais eficaz (e ele que até é um confesso adepto do Real Madrid).

Nadal vai agora encontrar o “patinho feio” da Suíça, Stanislas Wawrinka, que, com a raça de um espanhol e a esquerda de um suíço, alcançou com todo o mérito esta final. “Stamina” Wawrinka, por serem recorrentes os encontros com mais de três ou quatro horas, sente que chegou a sua altura. É merecido. Já aqui contei a história de que Stan deixou a mulher e o filho para se dedicar exclusivamente ao ténis. Só por isso já merece que a aventura lhe corra bem.

Voltando a Roger Federer; do alto dos seus 32 anos, voltou a surpreender tudo e todos. Quanto todos esperávamos um Roger pronto a atacar o título, eis que chega a Nadal e bloqueia. Ao longo das últimas semanas vimos um Federer acutilante, disponível fisicamente, que derrotou Tsonga em três set’s numa demonstração de força e de vontade, mas que caiu perante Rafa Nadal.

Federer está claramente no circuito por prazer. O tenista suíço já aprendeu a perder, já aprendeu a não ser o melhor, e como disse um colega meu, José Morgado, teve a humildade de ir buscar alguém como Stefan Edberg para trabalhar um estilo de jogo diferente. Federer é isto. É o embaixador por excelência do ténis, seja em 1º ou em 6º, seja a ganhar ou a perder. O nome do tenista suíço confunde-se facilmente com a classe que passeia em court.

Aos 32 anos, Roger Federer ainda faz falta ao ténis. Faz falta porque dos quatro mosqueteiros (Djokovic, Nadal, Murray e Federer) é o mais experiente, é aquele que proporciona a maior magia dentro do campo, mas é também aquele que, aos 32 anos, ainda não desistiu de sonhar e de lutar pelos poucos objectivos que ainda não alcançou.

Let’s Go, Roger, espero ver-te no Rio em 2016, a sair em beleza!

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