A longa época de terra batida teve, na semana passada, o seu começo com o Masters 1000 de Monte Carlo. O torneio, que se realiza no principado do Mónaco, tem só por si algumas características especiais como, por exemplo, o facto de ser o único torneio desta categoria em que não é obrigatória a presença dos jogadores do top 10. No entanto, esta edição, em concreto, tinha mais alguns pontos de interesse: Será que Djokovic iria ser capaz de dar seguimento à excelente temporada que está a realizar? Iria Rafael Nadal, que tinha vindo a apresentar um nível bastante medíocre, seria capaz de voltar às vitórias no principado?

O torneio, que não contou com Andy Murray nem Kei Nishikhori, teve um começo bastante tranquilo. Os favoritos avançaram sem grandes sobressaltos. No entanto, nos oitavos-de-final da prova surgiram as primeiras surpresas: Roger Federer, que habitualmente não jogava este torneio, caiu aos pés de um excelente Gael Monfils, que acabaria por atingir as meias-finais da prova, caindo apenas aos pés de Tomas Berdych; Rafael Nadal, que estreou neste torneio uma nova raquete, foi obrigado a um terceiro set frente a John Isner; o então detentor do titulo, Stan Wawrinka, viu Grigor Dimitrov aplicar-lhe um corretivo (6-1 e 6-2). Estavam, assim, encontrados os 8 jogadores que iriam jogar os quartos-de-final.

Num dos encontros que mais espetáculo prometia, o que, de facto, veio a acontecer, Rafael Nadal derrotou em 3 partidas um sempre difícil David Ferrer. Nadal, que até poderia ter fechado o encontro em 2 sets, dispôs de serviço a 5-4 para selar o encontro, e realizou, provavelmente, uma das melhores exibições da temporada e marcava, mais uma vez, o duelo que todos esperavam frente a Novak Djokovic, que havia derrotado Marin Cilic sem grandes dificuldades. No que aos restantes jogos diz respeito, Milos Raonic, que havia vencido o português João Sousa, na segunda ronda, viu-se forçado a desistir perante o checo Tomas Berdych. Por sua vez, Monfils bateu Grigor Dimitrov por 6-1 e 6-3.

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Tem sido uma temporada fantástica para Djokovic
Tem sido uma temporada fantástica para Djokovic
Fonte: Facebook Oficial do Torneio de Monte Carlo

Quase um ano depois, o útimo duelo entre ambos aconteceu na final de Rolland Garros de 2014, aí, com vitória para Nadal, Novak Djokovic e Rafael Nadal voltavam a defrontar-se. Num jogo em que os parciais não demonstram o equilibrio que esteve patente durante todo o jogo, o sérvio bateu o espanhol por duplo 6-3. Contudo, Rafael Nadal pode estar contente com o ténis que apresentou durante toda a semana. O espanhol, na minha opinião, está num progressivo crescimento que terá, possivelmente, o seu pico em Rolland Garros. Na outra meia-final, e respeitando a lógica, Berdych deu continuidade ao bom momento que está a atravessar e bateu Monfils por expressivos 6-1 e 6-4. Estavam, desta forma, encontrado os dois finalistas da edição de 2015 do Masters 1000 de Monte Carlo.

Naquele que, a meu ver, foi o melhor encontro de todo o torneio, Djokovic triunfou sobre Tomas Berdych numa equilibrada partida, que só ficou resolvida ao fim de 163 minutos de jogo. O checo foi o único jogador a conseguir roubar um set a Djokovic. Contudo, e para quem assistiu à final, pareceu sempre que o sérvio acabaria por triunfar, aliás, head2head assim o dita (17-2).

Novak Djokovic continua, assim, imparável. Depois da conquista dos Masters 1000 de Shanghai e Paris, e ainda do Masters de final de temporada, realizado em Londres, todos estes torneios dizem ainda respeito à temporada transata. No entanto, o sérvio não desarmou e começou a temporada de forma autoritária: Australian Open, Indian Wells, Miami e, agora, Monte Carlo foram os torneios conquistados por Djokovic. Ora não será difícil concluir que o sérvio conquistou todos os eventos de maior importância no circuito.

Embora não seja um grande fã de Djokovic, a verdade é que o sérvio está imparável. Será que é desta que consegue ganhar Rolland Garros? Esperar para ver.

Foto de capa: Facebook Oficial do Torneio de Monte Carlo