Missão Cumprida! Portugal garante a manutenção no Grupo I da Fed Cup

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Cabeçalho modalidadesOs dias 8 a 11 de fevereiro de 2017 foram marcados por grandes, mas esperadas, dificuldades para a seleção portuguesa de ténis feminino composta por Michelle Larcher de Brito, Inês Murta, Francisca Jorge e Rita Vilaça. Sabia-se que a luta pela manutenção no Grupo I da zona euroafricana da Fed Cup não seria fácil e que as equipas adversárias contavam, na generalidade, com tenistas mais cotadas no ranking WTA do que aquelas que compunham a seleção portuguesa.

Após derrotas frente às seleções da Grã-Bretanha e da Letónia (por 0-3), bem como contra a seleção da Turquia (por 1-2), Portugal acabou por garantir hoje a vitória frente à Bósnia e Herzegovina no play-off de manutenção por 2-1 e, desse modo, cumpriu a missão de permanência no Grupo I da Fed Cup a que inicialmente se propôs. Na competição a seleção portuguesa somou um total de três vitórias e nove derrotas registo que, não sendo brilhante, foi suficiente para dar resposta às aspirações lusas.

Individualmente o destaque vai para Michelle Larcher de Brito, tenista sempre muito criticada pelos amantes de ténis em Portugal mas que se apresentou na competição ao seu melhor nível. Venceu dois encontros, frente a Dea Herdzelas (473ª no ranking WTA) e Cagla Buyukakcay (86ª), tendo apenas sido derrotada por duas tenistas do top-50 mundial: Jelena Ostapenko (35ª) e Johanna Konta (10ª). Com este desempenho Larcher de Brito afirma-se cada vez mais, aos 24 anos, como a melhor tenista portuguesa de sempre, tornando-se na jogadora com mais vitórias em encontros de singulares na Fed Cup ao serviço da seleção de Portugal (ultrapassando Sofia Prazeres, a anterior recordista).

 Fonte: Michelle Brito
Fonte: Michelle Brito

Também Inês Murta, frequentemente criticada ao longo dos últimos dias, alcançou a sua primeira vitória na competição aos 19 anos de idade. É certo que foi derrotada em três encontros mas, no único em que teve a oportunidade de defrontar uma adversária que ocupa uma posição semelhante à sua no ranking WTA (Jelena Simic, 551ª da hierarquia mundial), a tenista portuguesa foi dominadora e acabou por vencer por 6-4 e 6-0. Para Francisca Jorge e Rita Vilaça, convocadas pela primeira vez para a Fed Cup, esta foi a sua oportunidade para se estrearem na prova pese embora não tenham vencido qualquer encontro.

Destes quatro dias de competição fica uma boa notícia para o ténis feminino português (a manutenção no Grupo I da zona euroafricana da Fed Cup) e, sobretudo, algumas questões para o futuro da modalidade em Portugal. Desde logo fica claro que as tenistas portuguesas e, em especial, Michelle Larcher de Brito, não merecem ser alvo de críticas tão duras quanto aquelas que têm sido publicadas, sobretudo nas redes sociais, ao longo dos últimos dias. No caso de Larcher de Brito pode até dizer-se que, pese embora algumas opções de carreira duvidosas e um percurso que não tem correspondido totalmente às (demasiado) elevadas expetativas que em 2013 (após vencer Maria Sharapova em Wimbledon) lhe foram colocadas, ficou claro que esta tem um nível tenístico compatível com a ocupação de um lugar no top-100 mundial.

De igual modo, mais importante do que criticar as tenistas portuguesas é refletir acerca das condições que lhes são disponibilizadas para a prática da modalidade (com a exceção de Michelle Brito). Importa questionar os patrocínios existentes e se esses mesmos patrocínios permitem cobrir os gastos associados à participação das atletas em torneios (sobretudo internacionais); importa questionar o número de torneios ITF que se realizam em Portugal na vertente feminina, sabendo que estes são extremamente importantes para a evolução das jogadoras; importa questionar a excessiva centralização dos centros de treinos; e, finalmente, importa questionar a profissionalização das atletas, na medida em que algumas delas (como é o caso, por exemplo, de Rita Vilaça) conjugam a carreira desportiva com a frequência escolar/académica.

Foto de capa: Michelle Brito

Francisco Sampaio
Francisco Sampaiohttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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