Foram 72 os encontros que disputou Rafael Nadal no Principado do Mónaco. Werner Eschauer – diz lhe alguma coisa? Provavelmente não. No entanto o maiorquino talvez se lembre que foi este austríaco o seu primeiro adversário de sempre em Monte Carlo. Para encontrarmos esse confronto, temos de recuar até ao longínquo ano de 2003 onde, aos 16 anos, Rafael Nadal era um menino franzino, equipado com t-shirts enormes para o seu corpo, e que em Monte-Carlo tinha o estatuto de 15º cabeça-de-série…do qualifying. E foi por aí que começou, levando de vencida Eschauer e Andrei Stoliarov para chegar ao quadro principal do torneio monegasco. Karol Kucera foi a primeira vítima do jovem maiorquino que enfrentaria na segunda ronda o campeão em título de Roland Garros, Albert Costa. E foi esse o primeiro grande momento da carreira do então 96º classificado do ranking ATP – levou de vencida o compatriota em dois sets (7/5 e 6/3). Guillermo Coria foi então o responsável por terminar a campanha deste “rebelde” espanhol, derrotando-o nos oitavos-de-final. Não fazia ideia Coria que durante dez anos seria o único a poder gabar-se de tal feito. Isto porque entre 2005 e 2013, em 40 encontros disputados sob a argila monegasca, Nadal venceu todos, acabando por morder o troféu entregue pelo Príncipe Alberto do Mónaco oito anos consecutivos.

Rafa Nadal em 2003, na sua estreia em Monte-Carlo
Fonte: Propaganda-Photo

Foi preciso esperar até 2013, ano que ficou marcado na carreira do espanhol como um dos melhores regressos à competição depois de paragem por lesão de sempre. O espanhol começou por disputar as provas de Viña del Mar (onde perdeu a Final para Horacio Zeballos), venceu no Rio, em Acapulco e em Indian Wells e, depois de prescindir de jogar em Miami, chegou a Monte-Carlo com algumas dúvidas relativamente ao seu joelho. Felizmente para o espanhol, a sua condição física não o traiu, mas na nona final consecutiva no Mónaco, Djokovic surgiu em grande força e, numa das suas tardes mais inspiradas de sempre, venceu o espanhol quebrando a série de 44 vitórias consecutivas de Rafa. Esse foi o início de uma “mini-era” malfadada para o maiorquino no Mónaco, já que em 2014 viria a ceder frente a David Ferrer nos quartos-de-final da prova e em 2015 seria de novo Djokovic a vencer Nadal, desta vez nas meias-finais.

Por essa altura, muitos declararam o fim da “Era-Nadal”, aclamado por alguns como o melhor jogador de sempre em terra batida. Mas se há alguma coisa em que os grandes campeões são peritos é em virar todas as previsões de pernas para o ar, e sair por cima dos desafios. E foi isso que Rafa Nadal fez, mais uma vez na sua carreira, quando regressou às vitórias no principado, derrotando Gael Monfils numa final estranha em que o espanhol venceu por 7/5; 5/7; 6/0 erguendo o troféu pela nona vez. “La decima” chegaria de forma natural em 2017, depois de Rafa vencer de forma tranquila todos aqueles que do outro lado da rede encontrou, sendo Albert Ramos Viñolas o último, e aquele que ficou com honras de finalista vencido no Mónaco.

2018 revelou-se mais uma vez um ano complicado para o maiorquino a nível de lesões, tendo Rafa desistido de todos os torneios que havia planeado disputar entre o Grand Slam australiano e os quartos-de-final da Taça Davis, disputados já este mês de abril, que colocaram a Espanha e a Alemanha frente a frente. Com dois encontros disputados apenas antes de chegar ao seu “trono” monegasco, a expetativa era muita para ver se Nadal conseguia manter-se fisicamente forte para tentar levantar o troféu pela 11ª vez. E Nadal mostrou ser como o vinho do Porto – fica cada vez melhor com o tempo. Pelo menos olhando para os resultados deste ano no principado, Rafael Nadal quase não precisou de suar, e levou de vencida todas as suas partidas de forma assustadoramente fácil. No “saco” ficaram Dominic Thiem – que depois de vencer Djokovic viu um rolo compressor passar-lhe por cima (6/0 e 6/2) – Grigor Dimitrov (6/4 e 6/1) e Kei Nishikori (6/3 e 6/2).

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Rafael Nadal continua demolidor no que a encontros disputados sob terra batida diz respeito e a falta de concorrência à altura é gritante. Na ausência de Roger Federer, pessoalmente não vislumbro ninguém que, com o espanhol pelo menos a 70% da sua capacidade física, seja capaz de o derrotar, particularmente nos courts centrais de Monte Carlo e Roland Garros – os dois courts mais lentos do circuito, ao contrário do que acontece, por exemplo, na Caja Magica onde se disputa o ATP 1000 de Madrid. Dando este início a mais uma época de terra batida, Nadal parece preparado para bater o seu record de 2013 e 2017 (em que amealhou os inacreditáveis 5100 pontos ATP) e manter assim o seu estatuto de líder do ranking mundial no ano em que cumpre 32 anos de idade. Pela frente, o espanhol terá os torneios de Barcelona (ATP500) e os ATP1000 de Roma, Madrid e o Grand Slam francês Roland Garros – estando neste momento 4500 pontos ao alcance do maiorquino.

Foto de Capa: IMG