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Foi apresentado recentemente o projecto para o Centro de Alto Rendimento (CAR) de Ténis para o ano de 2014. Depois das alterações no comando técnico das selecções nacionais, Vasco Costa aposta agora no rejuvenescimento do CAR. Pior, certamente, não será possível.

Com André Lopes como coordenador técnico nacional, será o também treinador de Rui Machado a orientar o percurso do CAR e os tenistas que dele irão usufruir. Uma das novidades é o acompanhamento em torneios e não só na vertente treino, tal como no passado. É importante fazer a ponte não só com os melhores torneios nacionais mas também com o calendário internacional, tão importante na transição para profissional.

Muitas das vezes são os erros nessa transição que acabam por “matar” as carreiras dos jovens tenistas, pelo que é extremamente importante aqui um acompanhamento de técnicos competentes que saibam orientar da melhor forma os nossos jovens atletas. É aqui que entra a equipa do CAR: Gonçalo Nicau, Hugo Anão e Paulo Figueiredo.

Dos três tenho boa impressão profissional. São todos eles conhecedores do ténis ao mais alto nível e do circuito profissional. O Gonçalo acompanhou já tenistas do circuito ATP; enquanto o Hugo, para além de ser um dos melhores tenistas a jogar em Portugal de há uns anos para cá, tem desenvolvido um belissímo trabalho com a Fastsports e com as escolas de ténis de Belas e do Instituto Superior Técnico.

Paulo Figueiredo é um preparador fisico que trabalhou já com Rui Machado, nas melhores (e nalgumas das piores) fases da carreira do tenista, sendo também alguém que é conhecedor das exigências do ténis ao mais alto nível.

Há aqui no entanto uma “nuance” que é importante dissecar. O CAR apenas irá integrar este ano tenistas masculinos, por terem “carreiras individuais menos estruturadas” do que as das tenistas femininas. Será? Ou será pelo facto de as raparigas necessitarem de um outro tipo de acompanhamento mais específico, tendo em conta que as especificidades profissionais do ténis masculino e feminino são bastante díspares. Enfim, não sendo uma crítica, até porque o importante é construir bem as bases de uma “casa” que se quer sustentável, fico à espera de que para o ano o ténis feminino possa reentrar neste Centro de Alto Rendimento com a mesma qualidade que o masculino.

Esperemos então que esta nova estrutura com este novo pensamento à volta do CAR proporcione aquilo que André Lopes defendeu publicamente que ser uma “maior integração com as selecções nacionais”, resultando assim em melhores resultados e numa selecção nacional cada vez mais competitiva que só pode trazer benefícios para o ténis português.

Uma vez um treinador de futebol cujo nome agora não recordo disse: “não gosto de não ter problemas em fazer a minha convocatória”; no ténis, os nossos seleccionadores precisam de “ganhar dores de cabeça”, sendo isso sinónimo de mais qualidade e competitividade.

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O Miguel jogou ténis durante mais de dez anos, sendo actual vice-presidente do clube ténis da sua terra natal, Almeirim. Para além disso, acompanha a modalidade desde 2008, tendo feito já a cobertura do Portugal Open, entre outros, e tendo sido já comentador convidado da Eurosport para a modalidade.                                                                                                                                                 O Miguel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.