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O Ténis, à semelhança de outras modalidades, comporta várias eras e muitas mudanças nos países que as dominam. Pois bem, outrora uma das principais potências deste fantástico desporto, os EUA, pátria de grandes campeões como Pete Sampras ou Andre Agassi, finais de anos 1990, inícios de 2000; ou do lado feminino nomes como as míticas irmãs Williams, ainda em atividade ou Lindsay Davenport, antiga vencedora também de provas do Grand Slam, bem como antiga número um mundial.

Isto, apenas para nos concentrarmos em exemplos mais recentes no Ténis, que parecem agora enfrentar alguns problemas de sucessão principalmente no circuito ATP, apesar de no que diz respeito às senhoras, não haverem jovens prodígios em catadupa como aconteceu nas décadas de 80 e 90.

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É preciso esclarecer que este gigante é o país que concentra maior número de atletas federados de Ténis, segundo dados recentes, nos EUA estão registados mais de vinte milhões de praticantes, pelo que neste artigo de opinião não poderei afirmar que se tem verificado propriamente um desinvestimento, mas sim, não nos podemos esquecer que o ténis é cada vez mais praticado um pouco por todo o mundo. Exemplo disso é o caso do Japão, que atualmente conta do lado dos rapazes com três tenistas no Top 100, algo que há cerca de uma década seria impensável.

Com o crescimento de alguns países nos quais a modalidade carecia de algum aperfeiçoamento, bem como de algum investimento sobretudo fomentando uma maior e mais concreta competição entre desportistas dessas paragens. Veja-se o caso chinês que organiza seis torneios com a WTA e três provas que integram o circuito ATP para compreender que isto apesar de ser um facto estranho, face a outras modalidades como o basquetebol, onde esta nação é dona e senhora arrecadando praticamente todas as edições de grandes competições, neste desporto têm vindo a perder o ascendente que já tiveram.

Vamos a factos: os EUA, que não há tanto tempo assim, contavam com pelo menos um ou por vezes mais membros no Top 10 da hierarquia individual masculina, como na altura em que jogavam por variadíssimas vezes entre si as mais importantes finais, agora vêm o melhor nesta classificação ser o muito jovem, na minha opinião, ainda longe de poder sequer sonhar em devolver a glória à sua pátria, dado ser bastante irregular e com um tipo de jogo claramente talhado para superfícies mais rápidas como os hard courts ou a relva, Taylor Fritz, de apenas 23 anos que na presente semana ocupa o posto número 30 do ranking individual masculino.

Uma das mais fracas prestações de sempre dos praticantes de ténis norte-americanos, com exceção dos canadianos, visto que a nação organizadora do US Open se encontra em “queda livre”, após e já no começo da presente temporada ver, pela primeira ocasião desde 2010, ficar órfã de representantes nos 20 primeiros da referida classificação.

Afinal quem podem ser os jovens a quebrar o paradigma?

Uma vez que Fritz não me parece ter “pedalada” para aguentar muito tempo em postos de destaque no ranking individual e com John Isner atualmente número 38 da tabela ATP, já a ver o final da carreira bastante próximo, uma vez bem entrado nos trinta, creio que o único capaz de aos dias de hoje poder num futuro próximo voltar a recolocar este país no “trilho” das grandes conquistas ser, se as lesões não o apoquentarem, Sebastian Korda.

No início da presente época fora dos 150 primeiros, começou a aplicar o adágio popular: “filho de peixe sabe nadar” ou neste caso filho de tenista sabe jogar! Logo no começo da mesma, prescindindo de disputar a fase de qualificação no Open da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada, em prol de defender as «chances» no torneio da categoria ATP 250 disputado em solo pátrio em Delray Beach. Aí apresentando uma qualidade de jogo bem superior ao que o ranking indicava, fazendo jus ao seu apelido, dado que seu pai Petr havia sido vencedor do maior torneio realizado em solo australiano corria o ano de 1998. Sebastian Korda, de somente 20 anos e vencedor do mesmo torneio que seu pai duas décadas antes, com este a ser conseguido na categoria de juniores, assinando um grande e surpreendente trajeto, para muitos, que apenas parou no encontro decisivo às custas de Hubert Hurkacz, polaco que ocupa atualmente o 16.º posto da já referida tabela ATP.

Refira-se ainda que no decurso deste encontro, Sebastian deu bastante luta, principalmente no primeiro parcial, antes de ver uma lesão impedi-lo de oferecer uma ainda maior réplica nessa disputa.

Nos quartos de final recentemente em Miami, prova de categoria Masters 1000, série de provas mais importantes após os Grand Slams, apenas derrotado sem grandes hipóteses perante Andrey Rublev, russo número oito mundial, provam que se nenhum infortúnio lhe bater à porta será o grande porta-estandartes da bandeira norte-americana nos anos imediatos.

Quanto aos demais tenistas masculinos do país, não os vejo a breve trecho serem capazes de se baterem de igual para igual nos maiores eventos com os atletas de topo. Defendendo a tese de que talvez tenha havido alguma falta de aposta na formação de tenistas capazes de ombrear com os melhores, isto apesar do número de praticantes aumentar a cada ano que passa e das condições, quer económicas quer geográficas, serem propícias ao desenvolvimento deste desporto.

Em contraponto, olhando de forma sumária para a vertente feminina, parece-me que essa questão já não será um problema tão visível. Apesar de que as irmãs Williams, grandes dominadoras do circuito nos últimos 20 anos, sempre que estiveram saudáveis, ao mais alto nível verem “o fim” cada vez mais próximo, com a sucessão ao que parece já assegurada, pois Sofia Kenin, atual número quatro Mundial na última atualização do ranking individual feminino, ter já, apesar dos seus apenas 22 anos, levado para casa um título do Grande Slam, conquista essa que data de 2020 na competição realizada nos antípodas australianos.

Nomes como Jennifer Brady, em claro crescimento aos 25 anos, sendo atualmente a segunda melhor norte-americana no ranking WTA quedando-se pela 14.ª posição, Sloane Stephens, mais experiente, Madison Keys, que urge em confirmar as credenciais que lhe eram apontadas ou a “menina prodígio” do ténis dos EUA, de seu nome Cori Gauff, parecem ter condições para conferirem alegrias à sua nação com as manas Williams a poderem assistir à herança por estas cultivada. Agora veremos se estes prognósticos se confirmam, bem como se no entretanto podem surgir novos nomes que reforcem as minhas convicções, ou, se pelo contrário, as mesmas serão contrariadas!

Até lá já sabe, fique na boa companhia do BNR, conferindo tudo o que de mais importante se passa no mundo do desporto. Aqui todos têm voz!

Foto de Capa: Davis Cup

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