Última horaVasco da Gama de Pedro Emanuel empata com o Remo na 30.ª jornada do Brasileirão
Publicidade

O fim das extraordinárias (ou extraordinariamente chatas) batalhas em Wimbledon

Henrique Carrilho · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Numa decisão não consensual, a organização de Wimbledon anunciou na semana passada que, na edição de 2019, o maior torneio de ténis britânico irá implementar o sistema de tie-break no último set dos encontros de singulares. Desde o seu início, o torneio inglês teimou por resistir às mudanças inerentes à passagem dos anos, mas pouco a pouco Wimbledon está a deixar de ser um torneio atrasado no tempo (ou fiel às origens, como dizem os amantes da “tradição a todo o custo”).

A primeira grande mudança deu-se em 2009, imediatamente após a mais épica Final de todos os tempos, disputada entre Rafael Nadal e Roger Federer. Se todos os bons adjetivos se esgotam para qualificar o desempenho dos dois melhores tenistas da nossa era nesse fim de tarde, já o mesmo não se pode dizer da organização de Wimbledon, que se mantinha inflexível na manutenção da tradição e obrigou os atletas a disputar o encontro de forma intermitente (devido às sucessivas interrupções por chuva). Pior ainda quando, já para lá das oito da noite, com a escuridão a abater-se sobre Londres, os jogadores retomaram o encontro para tentar terminá-lo no domingo. A organização teve de recorrer a métodos, digamos, pouco comuns, tais como aumentar a luminosidade de todos os painéis eletrónicos ou utilizar flashes e lanternas de jornalistas para que os atletas pudessem continuar a jogar, tudo em nome da tradição que recusava a utilização de luz artificial no All England Club. Por esta vergonha, Wimbledon adotou mesmo as modernices e em 2009 estreou o Court Central remodelado, com cobertura retráctil, e iluminação artificial é algo que não falta hoje nesse court (mas apenas nesse court). Já só resta o Grand Slam parisiense abrir as portas a este método, elementar nos dias que correm.

Mas e o tie-break?

O segundo jogo mais longo de ténis da história de Wimbledon terminou com um sentido abraço

Fonte: ATP World Tour

Até 2018, Wimbledon sempre hasteou orgulhosamente a “bandeira” de ser o único Grand-Slam a manter-se fiel às tradições, recusando o uso de tie-break no decisivo quinto set dos encontros de singulares masculinos (terceiro no caso das senhoras). Graças a essa regra foi possível estabelecer o recorde de encontro mais longo de sempre, entre John Isner e Mahut : 6/4 3/6 6/7 7/6 70/68 (sim, 70/68, não é gralha). O mesmo Isner que já este ano se “alongou” de tal forma frente a Kevin Anderson nas meias-finais (desta vez perdeu por 7/6 6/7 6/7 6/4 e “apenas” 26/24, em seis horas e meia de encontro) que obrigou Rafa Nadal e Djokovic a ver o seu encontro começar tão tarde que não pôde ser concluído no mesmo dia. Encontros extraordinários ou extraordinariamente chatos?

Na minha opinião (que pelos vistos é partilhada por mais alguém que tem poder nas decisões), é penoso ver um encontro desta duração quando os intervenientes baseiam o seu jogo em tiros de serviço que resultam em ases “ponto sim, ponto não”. Se entre Anderson e Isner se dispararam 102 ases durante todo o encontro, no encontro mais longo de sempre foram 216 os serviços ganhantes (não contando aqueles em que o adversário toca na bola sem hipóteses de devolução). Não colocando em questão o mérito de quem trabalha o seu serviço aproveitando a alta estatura que possui, creio que a decisão de implementar o tie-break na quinta partida faz todo o sentido, protegendo não só os atletas (que deixam de ser obrigados não só a estar a um nível de exigência física e mental alto como o vencedor da batalha a recuperar para um ou dois dias depois estar de novo ao mais alto nível) como os espectadores que apreciam batalhas épicas, mas com o máximo de “ténis jogado” possível. Nota final apenas para o “detalhe” (ou não estivéssemos a falar de Wimbledon) de que o tie-break será disputado não aos 6-6 como habitual mas sim … aos 12-12. Melhor que nada!

Foto de Capa: Wimbledon

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Henrique Carrilho

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
FC Porto

Um golpe de génio no meio da insistência | Marítimo 1-2 FC Porto

O FC Porto venceu, este sábado, o Marítimo, por 1-2, na 8.ª jornada da Primeira Liga, num encontro em que esteve longe de apresentar a sua melhor versão, mas conseguiu transformar uma exibição irregular numa vitória importante.   Depois de uma primeira parte marcada pelas dificuldades na construção e pela chegada à vantagem por parte dos madeirenses, os dragões, que empataram ainda antes do descanso, cresceram após o intervalo, assumiram o controlo e chegaram ao triunfo com um momento de talento individual de Oskar Pietuszewski. Entre a inspiração do jovem polaco, a influência das substituições de Francesco Farioli e os problemas que a equipa voltou a revelar, o resultado acabou por sorrir ao líder, embora o caminho até aos três pontos tenha sido mais complicado do que precisava.

Raul Saraiva · 10 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica
Fórmula 1

Antevisão GP Singapura: Max Verstappen conquista a 50.ª pole position da carreira

A ANTEVISÃO: MAX VERSTAPPEN CONQUISTA A PRIMEIRA POLE EM SINGAPURA, OS FERRARI PROMETEM DAR LUTA E A MERCEDES FICA AQUÉM DAS EXPETATIVAS Está a ser um fim de semana perfeito para Max Verstappen. Depois da vitória na corrida Sprint, o tetracampeão mundial foi o mais rápido no circuito de Marina Bay e conquistou a sua primeira pole position em Singapura e a 50.ª da carreira na Fórmula 1. Será que o Max Verstappen do final de 2025 está de volta?

Gonçalo Carneiro · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.