Foi com alguma apreensão que o mundo do ténis viu o anúncio do líder do ranking ATP, dizendo que o seu regresso à competição seria na eliminatória entre a Espanha e a Alemanha, embate a contar para os quartos-de-final da Taça Davis. Por um lado, o espanhol iria regressar à competição “em casa” perante o apoio e conforto dos seus compatriotas e colegas, numa competição que é a sua cara disputada sob o seu piso predileto. Para além disso, estava garantido que disputaria, no máximo, dois encontros. Porém, se tudo isto indicava para uma excelente escolha, o próprio Rafa reconheceu que “voltar à competição e jogar encontros à melhor de cinco sets é mais duro do que eu gostaria”.

Mas foi mesmo nessas condições que Rafa fez o seu regresso oficial aos courts, depois de uma tentativa falhada de regresso em Acapulco, no início do mês de março. O tenista de Manacor foi recebido – como é apanágio do povo espanhol – em total euforia em plena Plaza de Toros de Valencia, aquando do seu primeiro compromisso com as cores de Espanha ao peito frente ao alemão Philipp Kohlschreiber.

Enquanto as casas de apostas refletiam as dúvidas de muitos e colocavam as odds bem mais altas que o habitual para um jogo em terra batida, em Espanha, entre Nadal e Kohlschreiber (algumas casas ofereceram 1.30 como recompensa por casa euro apostado no espanhol), o maiorquino não esteve com rodeios e cilindrou o alemão concedendo lhe apenas sete jogos em três sets, numa exibição que tirou um peso de cima dos ombros dos fãs de Rafa.

Nadal teve um regresso triunfante aos courts
Fonte: Davis Cup

Dando o primeiro ponto à seleção espanhola, Rafa assistiu a uma exibição não menos categórica por parte de Alexander Zverev – líder da comitiva germânica – que venceu Ferrer, igualando a eliminatória a um ponto. O sábado trouxe o já tradicional (pelo menos até ao próximo ano) encontro de pares que tantas vezes dita o destino final da eliminatória. A dupla espanhola Marc Lopez e Feliciano Lopez, largamente rotinada a jogar junta, era a clara favorita a vencer o encontro que os colocava frente a Jan-Lennard Struff e ao relativamente desconhecido Tim Puetz.

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A arena ficou absolutamente aterrada quando os alemães venceram os dois primeiros sets, contrastando claramente com a euforia demonstrada quase quatro horas depois do início do encontro quando a dupla Lopez/Lopez venceu o 3.º e 4.º sets. A comitiva espanhola, que contou com as presenças de Bautista Agut, Carreño Busta, Ferrer, Nadal e do capitão Sergi Bruguera, estava em pulgas sendo Rafa o espelho de toda essa emoção, bem típica destes encontros de Taça Davis. No entanto, a frieza alemã revelou-se letal para os espanhóis e Puetz/Struff deram mesmo vantagem aos germânicos. 2-1 para a Alemanha, tudo por decidir no Domingo em que seriam disputados os encontros Nadal-Zverev e, em caso de empate, Ferrer-Kohlschreiber.

E à partida para este dia, os fãs de Taça Davis e de tudo o que a competição significa já esfregavam as mãos, pois Rafa iria – provavelmente – vencer Zverev, e tudo se decidiria no encontro de Ferrer e Kohlschreiber. E logo Ferrer! Mas começando pelo encontro matinal, Rafa mostrou-se mais uma vez imperial, fazendo lembrar os bons velhos tempos e “despachou” Zverev como quem bebe um copo de água – duas horas e 15 minutos foras mais que suficientes para Nadal cerrar os punhos e passar “a batata quente” a Ferru, na busca de colocar a Espanha nas primeiras meias-finais desde a edição de 2012.

13:40 era a hora marcada no relógio do court improvisado da Praça de Touros de Valência quando os protagonistas entraram em cena. Desde cedo se percebeu que o jogo tinha tudo para ser um osso duríssimo de roer para todos os presentes na praça, desde os jogadores aos adeptos passando pelos capitães. E as expetativas confirmaram-se. Fez-se história e durante mais de quatro horas e 30 minutos, Ferrer e Kohlschreiber deram um show digno de Taça Davis, e de tudo o que esta competição significa. Uma verdadeira lição àqueles que querem alterar o modelo da prova, encurtando os encontros. Um hino à modalidade, ao talento, e à capacidade de concentração e sacrifício por parte destes dois veteranos. Mas se há um clichê que se pode aplicar aqui – devidamente adaptado – é que encontro de Taça Davis dura o tempo que durar e no fim… ganha David Ferrer.

Ferrer decidiu a eliminatória a favor da Espanha
Fonte: Davis Cup

Aos 36 anos (36!), o valenciano ofereceu aos seus conterrâneos o terceiro e decisivo ponto num encontro memorável que terminou com os parciais de 7/6, 3/6, 7/6, 4/6, 7/5. Rafa e companheiros pularam como molas do banco acudindo e celebrando com a restante comitiva num momento bonito do ténis espanhol.

Fica então o registo de uma eliminatória fantástica, bem disputada, na qual o grande protagonista Rafael Nadal tranquilizou os mais receosos e mostrou-se forte e fresco fisicamente, dando boas indicações para a época de terra que aí vem e que será crucial em termos de pontos para o tenista das baleares.

Foto de Capa: Tenis España

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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