Ultrapassada a primeira semana na catedral do pó de tijolo, Roland Garros, e fruto de grandes prestações no masculino, com três praticantes apurados para os oitavos de final da prova, é tempo de perceber se Musetti, Sinner e Berrettini poderão almejar ao título em Paris. Igual destaque merecerá a situação oposta vivida do lado feminino.

Após cerca de duas décadas de total apagamento dos tenistas italianos, num país que já contou com nomes grados como Nicola Pietrangeli, uma lenda dos anos 70 que dá nome a um dos courts do fórum itálico onde habitualmente se joga o Masters 1000 de Roma ou Potito Starace, que embora sem tantos resultados de destaque e que sempre que o circuito passava para a temporada de terra batida realizava resultados de superior qualidade, a situação está claramente ultrapassada!

JANNIK SINNER, UMA ESPERANÇA OU JÁ UMA CERTEZA?

Com apenas 19 anos, o romano Jannik Sinner, não obstante ser o número dois do país (19.º ATP), ao passo que Matteo Berrettini ocupa a nona posição da tabela individual masculina, parece conseguir mais e melhores resultados, explanando toda a riqueza, subtileza e, acima de tudo, a lucidez já demonstrada, em tão tenra idade, nas mais variadas superfícies. A prová-lo estão os já três troféus de campeão que o mesmo arrecadou, assim como os vários milhões que já recheiam a sua conta bancária, dois deles em terra e um outro em piso rápido, Hard Courts.

Como nem só de troféus e vitórias se faz a carreira e se escreve a história de Sinner no circuito principal da modalidade, fica como apresentação dois factos que me parecem relevantes para o jovem que se iniciou nas lides desportivas pela prática do Esqui Alpino, igualmente popular em solo pátrio. Foi aquele que na edição de 2020 “roubou” mais jogos, 14, ao “touro de Manacor”, capitulando de forma pouco esperada e resistindo enormemente como um atleta maduro, habituado a atuar no Philippe Chatrier, um dos maiores estádios da modalidade, e, mais que tudo, afrontando com armas muito eficazes aquele que é reconhecido unanimemente como o maior de todos os tempos na referida superfície.

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Não esquecer que Rafa teve de se confrontar com o sérvio e líder da hierarquia, Novak Djokovic, no derradeiro duelo que faria Nadal escrever só mais um capítulo de glória na cidade luz.

Roma 2021 reservou, de novo, face a face entre Jannik e o maiorquino. Se é certo que o mais credenciado se voltou a impor, não será menos verdade e impressionante a réplica oferecida pelo jovem.  Embora derrotado por 7-5 e 6-4, o jovem praticante do país das pizzas tem um gigante futuro pela frente, como admitira o maiorquino após a conclusão do embate relativo à segunda ronda, pois consegue alear na perfeição as duas maiores vertentes para um atleta de ténis alcançar o estrelato: capacidade física e técnica e uma força mental que mais parece uma “rocha”.

Todas estas questões levam-me a pensar que, eventualmente, o teste supremo à condição de Rafa poderá ocorrer no próximo confronto.

MATTEO BERRETTINI “EXPLODE” NO PÓ DE TIJOLO

Matteo Berrettini parece ter finalmente conseguido estabilizar as suas exibições sob pó de tijolo, já apurado para os quartos de final em virtude da desistência de Roger Federer. Seria no ATP 250 de Belgrado, o primeiro de dois eventos na capital sérvia, que Matteo daria a sua primeira grande mostra, conquistando o primeiro título no referido piso para o que se seguiria na cidade gaulesa.

Sem caraterísticas, que digamos à primeira vista, atribuídas a um “terráqueo” nascido em Florença há 25 anos, tem rubricado exibições que fazem olhar os seus predicados e capacidades no piso com outros olhos. Serviço, direita potente e recurso a bolas em toque, algo desenvolvido por ele ao longo do último ano e meio, deverão ser “pancadas” que, se continuarem a sua evolução natural, serão chave para boas atuações de Berrettini sob terra!

Lorenzo Sonego, com finais disputadas em todas as superfícies, e Fábio Fognini são os restantes membros da nação no Top 30 mundial. Não subestimar as capacidades de Fábio, um dos ilustres do circuito, vencedor em 2019 do Masters 1000 de Monte Carlo e um dos dois tenistas a bater Nadal à melhor de cinco sets após a cedência da partida inaugural.

Atestando a qualidade e o trabalho desenvolvidos pela Federação Italiana de Ténis ao longo de mais de década e meia, os frutos recolhidos e bem sumarentos são os dez praticantes que o país, nos dias de hoje, coloca entre os 100 primeiros a nível mundial, sendo que, de entre os restantes, Lorenzo Musetti é o que possui maior margem de progressão. Começando a dar muito cedo que falar, foi na presente temporada, com 19 primaveras recém cumpridas, que se consolidou entre a elite da modalidade. Com o corolário dessa afirmação e dessa consolidação a serem a situação “virgem” de se apurar no segundo Grand Slam da temporada vigente para a sua primeira segunda semana de um dos quatro grandes.

Se nos senhores as coisas correm de vento em popa, nas senhoras a situação é diametralmente oposta. O país apenas se faz representar, na atualidade, por três praticantes no Top100 do ranking WTA: Camila Giorgi, Jasmine Paolini e Martina Trevisan, com a primeira a ser a mais bem cotada (80.ª).

Por este motivo, não vejo com facilidade que apareça uma digna herdeira da vedeta Gabriela Sabatini nos próximos longos anos, apesar de na forja, ao que me é dado a perceber, existirem algumas atletas juvenis e juniores que parecem apresentar alguma qualidade tenística. No entanto, a ver vamos como ocorrerá a sua passagem para o circuito principal, visto a mesma ser bastante complicada, exigente e requerer uma grande força anímica.

Atentaremos até onde poderão chegar a nova geração de bons rapazes e promissoras raparigas do ténis italiano, bem como de que modo conseguirão afrontar os nomes grados da modalidade.

Foto de Capa: ATP Tour

Artigo revisto por Joana Mendes

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