Um nome já conhecido dos mais atentos ou o nome sensação de quem apenas prestou atenção à tour americana de março, Borna Coric já anda no circuito há uns bons anos.

Campeão do US Open na categoria Junior aos 16 anos e 10 meses, o croata nascido em 1996 fechou como número um do mundo (após esse título em Flushing Meadows) o seu capítulo de junior – última fase antes da entrada no tão difícil circuito “dos adultos”. Mas Borna Coric não teve rodeios e entrou no circuito ATP como se de a sua casa se tratasse e foi precisamente um ano depois de vencer o grand slam americano que, em 2014, se deu a conhecer aos adeptos de todo o mundo, quando afastou Ernests Gulbis, Andrey Golubev e Rafael Nadal para alcançar as meias-finais do ATP500 de Basileia.

Aos 21 anos, já somou triunfos sobre Nadal, Murray e outros nomes grandes
Fonte: BNP Paribas Open

Depois de entrar na principal montra do ténis mundial, chegou a derrotar nomes como Andy Murray e isso gerou, naturalmente, uma grande expetativa em torno de um miúdo de 17/18 anos. E isso, como já falei nas anteriores edições “Olheiro”, é tudo menos recomendável para o desenvolvimento dos jovens atletas.

Recordo-me do hype em torno da vinda de Coric ao Estoril Open em 2015, que levou inclusive a organização a colocar duas figuras gigantes do Croata e do australiano Nick Kyrgios – com quem dividia protagonismo em termos de jovens esperanças – levantando a questão “Qual deles chegará primeiro a número 1 do mundo?”. Pressão a mais, a meu ver.

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Coincidência ou não, o croata não correspondeu às expetativas que existiam ao seu redor, de que seria o melhor do circuito dentro de pouco tempo. Isto não quer dizer que o croata tenha estado propriamente mal naqueles que foram os seus primeiros anos enquanto jovem promessa do circuito. Na realidade, em 2016 e 2017, Coric somou três finais em torneios ATP (em Chennai e por duas vezes em Marraquexe, vencendo uma delas) e boas vitórias sobre Kyrgios, Nadal – por 6/1 e 6/3 – ou Murray que o levaram a atingir quartos-de-final em Cincinnati e Madrid. No entanto, a última metade do ano passado não foi famosa para o jovem nascido em Zagreb.

Falta de confiança levou a algumas derrotas surpreendentes (aos olhos de um público que lhe exigia quase a perfeição), a pressão aumentou e piorou a situação ao ponto de Coric ter chegado a andar fora do top 60 e muitos se terem resignado com a situação, colocando diretamente o croata na gaveta dos flops. Enquanto Kyrgios, Zverev, Shapovalov e Chung eram as promessas confirmadas, e a dar cartas no circuito nessa altura do ano. A impressão de que o croata teve um final de época desastroso é, no entanto, exagerada. Recorde-se que terminou o ano em 48º do ranking e foi 4º no ATP NextGen Finals.

Coric tem mostrado a estabilidade que lhe faltou em alguns momentos no passado
Fonte: BNP Paribas Open

Mas o momento atual parece ser mesmo o melhor desta – para já curta – carreira de Coric. Dono de um ténis simples, sem muitos floreados, com consistência a ser a sua palavra de ordem, o croata parece ter recuperado a sua melhor forma e já está de novo nas bocas do mundo, particularmente depois daquela meia-final em Indian Wells frente a Roger Federer, em que o próprio suíço veio a admitir que, se houvesse justiça, o jovem de 21 anos seria o merecido vencido.

Depois de um inicio de primavera fabuloso nos EUA, o jovem croata vem agora para a Europa disputar a época de terra batida. Este piso tem tudo para ser amigo de Coric que, como já referi, assenta o seu ténis na linha de fundo e na deslocação do adversário sendo dono de um invejável jogo de pés – rápido e coordenado – que torna a vida de quem está do outro lado da rede muito difícil.

Seja como for que corra, Borna Coric parece ter atingido um equilíbrio emocional que lhe permite jogar o seu melhor ténis com serenidade e uma postura absolutamente irrepreensível dentro do court, e isso só poderá trazer vitórias e bons momentos para o atleta e para aqueles que gostam de o ver jogar.

Foto de Capa: ATP

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro