Cabeçalho modalidadesJá se esgotaram todas as palavras e adjetivos para descrever o momento: Rafael Nadal é o primeiro tenista da era Open (quer na vertente masculina, quer na feminina) a vencer 10 edições de uma prova do Grand Slam. O espanhol mostrou ao mundo que depois de ultrapassar um autêntico calvário no que diz respeito a lesões e outros problemas, está num momento de forma que é incomparável – por várias razões – com qualquer outro atingido pelo maiorquino na sua carreira, e prova disso é esta vitória em Roland Garros que nunca havia sido conquistada de forma tão descomplicada e ao mesmo tempo autoritária. O espanhol passou, durante esta quinzena parisiense, apenas 12 horas em court, o que para um torneio do Grand Slam é sobejamente pouco e revelou que nenhum outro atleta no circuito está sequer perto do nível a que se exibe Nadal em pó de tijolo, particularmente em Roland Garros.

Hoje, ao entrar em court para defrontar Wawrinka, Rafa já sabia que iria vencer. E desconfio que todos os presentes também – incluindo o suíço, do outro lado da rede. Nadal entrou convicto de que o troféu não lhe escaparia e, não tendo sido uma final particularmente espetacular a nível de jogo técnico ou tático, o espanhol pura e simplesmente fez o que tinha a fazer da forma mais eficaz possível. Massacrou a esquerda de Wawrinka como de habitual, entregou-se a cada bola como se fosse a última como de habitual e esperou que o suíço quebrasse, ponto após ponto, set após set, durante quase duas rápidas horas. Sabíamos à partida que Wawrinka teria de estar num plano mental e psicológico quase transcendente para que pudesse (sequer) ter hipótese de disputar de igual para igual a Final hoje no court Philippe Chatrier.

E Stan tem de estar de consciência tranquila. Ao fim ao cabo, o suíço foi humano e o resultado disso foi um desmoronamento a nível mental e motivacional perante a fortaleza “Nadaliana” que hoje estava destinada a sair vencedora. No entanto, Stan tem de ficar orgulhoso da sua prestação em Roland Garros visto que dizimou todos os adversários que defrontou até ao derradeiro encontro, incluindo um sempre perigoso Gael Monfils e claro, o líder do ranking ATP Andy Murray naquele que foi um dos melhores encontros que passou pelo court principal de Roland Garros nesta sua 116ª edição.

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Thiem foi um dos destaques da prova Fonte: Dominic Thiem
Thiem foi um dos destaques da prova
Fonte: Dominic Thiem

Merece destaque também Dominic Thiem, que pelo segundo ano consecutivo chega às meias-finais em Paris tendo derrotado de forma contundente Novak Djokovic (concluindo um encontro com um 6/0, algo que Djokovic já não sofria em Grand Slams desde…2005). O jovem austríaco tem-me impressionado particularmente devido ao seu estilo de jogo que se baseia numa potência quase avassaladora mas que ao mesmo tempo, devido à sua técnica que roça a perfeição, consegue passar uma sensação de suavidade aos espetadores mais perspicazes. Se continuar assim, com uma louvável humildade (como seria bom que Kyrgios, Coric, Zverev ou Rublev seguissem o mesmo caminho!) e um espírito de conquista como o que tem demonstrado, será certamente um dia líder do ranking mundial.

Segue-se agora a época jogada sob relva, que contará com o regresso de Roger Federer, que tentará certamente colocar um travão nesta aura que envolve o espanhol e sobre esta edição de Roland Garros pouco mais há para acrescentar para além de que foi, apesar de previsível, uma das mais emocionais para os fãs de ténis e particularmente, do herói espanhol Rafael Nadal.