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Uma nação que promete tomar de assalto o ténis mundial | Ténis

Diogo Rodrigues · 4 min

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Esta semana verificaram-se vários marcos históricos para o ténis a nível mundial: a tunisina Ons Jabeur tornou-se a primeira mulher de origem árabe a sagrar-se vencedora de um torneio no mais alto patamar do ténis feminino, o WTA Tour, ao consegui-lo sob a relva de Birmingham, em Inglaterra, num evento de categoria 250.

Outro facto de extrema relevância na modalidade, sendo o mesmo ponto de partida para o artigo desta semana, foi o título obtido por Liudmila Samsonova.

RÚSSIA: UMA NAÇÃO QUE AMEAÇA DOMINAR

Se entre os homens a nação soviética já havia dado provas mais que evidentes de que pode, num futuro não muito distante, ser o país mais bem sucedido da atualidade na modalidade da bola amarela, nas senhoras, e no decurso das semanas mais recentes, estas parecem voltar a adquirir um protagonismo perdido nos últimos anos.

De entre a elite masculina destacam-se nomes como: Daniil Medvedev‎ (segundo ATP), Andrey Rublev (sétimo ATP) que marcou presença nos courts germânicos de Haale sob relva na sua primeira final neste piso, encontro esse perdido para o gaulês Ugo Humbert.

Também Karen Khachanov e Aslan Karatsev – todos dentro dos trinta primeiros da hierarquia individual masculina – têm mais que provas dadas quanto ao seu potencial.

Quanto às russas, outrora grandes vedetas do circuito, contando nas suas fileiras e apenas olhando às últimas décadas com nomes entre os quais se destacam Maria Sharapova, antiga número um mundial e vencedora de seis títulos do Grand Slam. O primeiro conquistado em 2004 na relva de Wimbledon, quando, com apenas 17 anos, derrotou a favorita incontestada ao troféu a “campeoníssima” Norte Americana Serena Williams.

Dinara Safina, irmã do grande Marat Safin, foi uma das três atletas que, estando na liderança do ranking, nunca logrou conquistar nenhum dos quatro grandes. Ana Kournikova e Svetlana Kuznetsova foram, entre tantas outras jogadoras de culto, oriundas destas paragens.

Êxitos recentes como os de Anastacia Pavlyuchenkova (19.ª WTA), que jogou o derradeiro encontro em Roland Garros, imitando a façanha na variante de pares, e Liudmila Samsonova parecem fazer esperar o melhor do lado das raparigas.

De reforçar que a jovem de 22 anos, que disputou a fase de qualificação no WTA 500 de Berlim, estava longe de imaginar sequer nos seus melhores sonhos, que sairia da capital germânica com o título de campeã desta prova – uma das competições preparatórias para o torneio de Wimbledon a principiar já na próxima segunda-feira.

Samsonova logrou derrotar no duelo de atribuição desta conceituada prova a suíça Belinda Bencic (11.ª WTA), que recolhia grande dose de favoritismo para derrotar Liudmila. Só que tal facto apenas deu mais motivação à moscovita, que, fora do Top 100 (número 106 antes do início da semana), provou que nada no desporto de alta competição pode ser dado como adquirido ou conquistado.

É certo que a menos experiente a este nível, embora viesse de múltiplos sucessos em torneios Chalangers, entrava claramente por baixo, talvez perdendo a batalha face aos nervos, tendo cedido a partida inaugural por 6-1 em menos de 30 minutos, numa exibição que não augurava nada de bom para a estreante.

Mas uma disputa de ténis apenas se pode dar como concluída aquando da vitória e Liudmila estava longe de querer entregar os pontos, e com uma reta final demolidora arrasou por completo a helvética, que, após capitular no segundo parcial com o resultado a ser fixado num claro e inequívoco 6-1, nunca mais demonstrou argumentos físicos e mentais capazes de desregular o jogo bastante profundo e “chapado”, tão típico da escola soviética, levando Liudmila a fazer a festa em berço bávaro.

Bem se pode apelidar este trajeto da praticante como um conto de fadas pois, e após mais de uma década, deu-se a situação de uma tenista, então fora do lote das 100 mais cotadas a nível mundial, arrecadar um troféu desta magnitude. Sendo que Samsonova, com esta grande e inolvidável conquista, subirá aproximadamente 40 posições, passando a integrar o Top 70 mundial (63.ª WTA).

Esta vertiginosa ascensão da tenista de Moscovo traz de imediato à memória dos amantes da modalidade um nome: Aslan Karatsev, que em menos de um fósforo, em concreto em cerca meio ano trepou desde as profundezas da tabela até uma posição confortável dentro do Top 30 mundial, sendo que o russo é, sem margem de dúvidas, um nome, que principalmente nos hard courts, revela em minha opinião qualidades imprescindíveis para bater qualquer uma das principais figuras do desporto.

Serão estes incríveis resultados do ténis russo sinais de uma quinzena “Wimbledaniana” repleta de motivos de festejos? A minha resposta é sim!

Como esta temporada de relva é muito curtinha, somente três semanas até ao torneio jogado no All England Club, sendo que  a primeira foi preenchida pelo ATP 250 de Estugarda que decorreu em simultâneo com a segunda semana de Roland Garros, inviabilizando assim as hipóteses de alguns dos principais atletas se prepararem com afinco numa superfície tão específica e peculiar.

Creio que quem se sair bem durante este período levará a dianteira para esse terceiro evento do Grand Slam a ser jogado na presente época.

Foto de capa: ATP Tour

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos