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WTA US Open 2021: Assim nascem duas estrelas

Pedro Marques dos Santos · 5 min

Foto: Next Gen Finals

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Depois de uma quinzena repleta de encontros de enormíssima qualidade entre as melhores tenistas da atualidade, coube a duas teenagers a tarefa de encerrar as festividades naquela que foi a mais jovem final de um Grand Slam desde que Martina Hingis, com 18 anos, e Serena Williams, com 17, disputaram o título do US Open, em 2009.

Quem são essas 2 estrelas do US Open?

Leylah Fernandez, número 73 do mundo, e Emma Raducanu (150.ª do ranking) seriam as protagonistas das competição, mesmo que caíssem antes do encontro decisivo, mas as jovens asseguraram, na base do talento, garra e maturidade, o direito de chamar a si todos os holofotes e discutir, numa fase embrionária das suas carreiras, um troféu que poucas têm a oportunidade de conquistar.

LEYLAH FERNANDEZ: VARIEDADE, EXTROVERSÃO E TRAJETO SEM MÁCULA NOS MOMENTOS CRÍTICOS

Nascida no Canadá, filha de pai equatoriano e mãe filipino-canadiana, e a viver nos Estados Unidos, Leylah Fernandez é a mais credenciada das duas finalistas, ainda que a tenra idade de ambas não abra espaço a grandes diferenças entre os seus currículos.

Contudo, a canadiana conta já com um título no palmarés, conquistado esta época em Monterrey, no México, e fruto da maior competição nos últimos meses, tinha já lugar cimentado no interior do Top 100 mundial à entrada para o torneio.

Embora as duas tenham realizado um percurso brilhante no caminho à final, a jovem de 19 anos, feitos já durante este US Open, impressionou sobretudo pelos nomes que foi sucessivamente deixando para trás. A primeira vítima de renomeada, à terceira ronda, foi Naomi Osaka (3.ª), a que se seguiram Angelique Kerber (16.ª), Elina Svitolina (5.ª) e Aryna Sabalenka (2.ª). O mesmo é dizer que Fernandez afastou duas antigas número um mundiais e campeãs do US Open, a atual segunda da hierarquia, e a medalhada de bronze dos Jogos Olímpicos de Tóquio e antiga número 3 do mundo.

Estas vitórias são ainda mais notáveis por terem sido conseguidos em batalhas de três partidas, muitas delas com tie-breaks, o que denota uma capacidade invulgar nesta idade para lidar com a pressão do momento e de responder à adversidade, algo que caracteriza os melhores do mundo.

Junte-se a isso um estilo de jogo vistoso, com poder de fogo e variedade de pancadas, e está explicado o fenómeno desta norte-americana com sangue latino que festeja efusivamente os pontos ganhos, angariou imenso fãs ao longo do torneio e promete muito para o presente e futuro da modalidade.

EMMA RADUCANU: CONSISTÊNCIA, MATURIDADE E DOMÍNIO ASSUSTADOR

À semelhança da sua adversária da final, também Emma Raducanu é produto de origens multiculturais. Pai romeno, mãe chinesa, nascida no Canadá e a viver no Reino Unido desde os 2 anos, a britânica apresentou-se ao mundo do Ténis há poucos meses, quando deslumbrou até aos oitavos de final de Wimbledon. Desistiu, devido a problemas respiratórios causados pela ansiedade, mas estava dado o sinal do que estaria para vir.

Depois de 16 meses sem competir, por causa da pandemia e também para concluir os estudos, Raducanu entrou de rompante no circuito WTA com bons resultados nos torneios do escalão secundário na antecâmara do US Open dos Estados Unidos. Com direito a wild card para o mítico torneio de relva, a jovem de 18 anos garantiu a vaga no último Major da temporada através da fase de qualificação, que ultrapassou sem ceder qualquer set.

No quadro principal, o registo é ainda mais fascinante. Ainda que não tenha enfrentado tantas adversárias do topo do ranking como Fernandez, ganhou os seis encontros sem perder uma única partida e chegou aos quartos de final, onde teve o seu teste mais duro diante da campeã olímpica Belinda Bencic (12.ª), como a jogadora que cedeu menos jogos de serviço às oponentes.

Na verdade, em nenhuma ocasião a britânica perdeu mais do que quatro jogos num set no caminho para se tornar na primeira qualifier a atingir a final do US Open na Era Open.

Com um jogo menos variado que a sua adversária da final, o aspeto mais extraordinário do jogo de Raducanu é mesmo a sua consistência. Paciente e inteligente a construir os pontos, a número 150 do mundo não oferece borlas às oponentes, levando-as a arriscar e, por consequência, aumentar os erros não forçados.

A sua solidez ao nível do serviço é também pouco comum nestas idades. Menos efusiva que Fernandez, a britânica demonstrou uma enorme maturidade, mantendo-se sempre focada e calma em court.

LEYLAH FERNANDEZ VS. EMMA RADUCANU: O FUTURO DO TÉNIS ESTÁ ASSEGURADO

Num embate entre o ténis mais artístico da canadiana e a consistência da britânica, foi a mais experiente das duas a acusar maior nervosismo nos primeiros pontos. Duplas faltas e erros não forçados no seu primeiro jogo de serviço, que se transformou numa batalha de mais de dez minutos, permitiram a Raducanu chegar ao 2-0, apesar de ter salvo cinco break points.

No entanto, a resposta foi imediata e, em mais um longo jogo de serviço, Fernandez fez o contra-break, ajudada por alguns erros pouco habituais da número 150 do mundo e ausência do primeiro serviço.

Seguiram-se jogos muito bem disputados, com as duas atletas a exibirem-se perto do seu melhor e a assegurem os serviços. Mas como tem acontecido ao longo da competição, Raducanu pressionou quando a canadiana servia para não perder o set inaugural e, à quarta oportunidade, conseguiu mesmo quebrar a oponente e fechar a primeira partida por 6-4.

No segundo set, Fernandez foi a primeira a conseguir a quebra de serviço, apesar de ter precisado de salvar três pontos de break consecutivos no jogo imediatamente anterior. Contudo, à imagem do que sucedeu na primeira partida, a britânica recuperou logo de seguida a quebra para fazer a igualdade e depois adiantar-se para 3-2.

Não satisfeita, Raducanu conseguiu nova quebra de serviço, após um excelente passing shot, somou o terceiro jogo consecutivo e, após confirmar o break, chegou ao 5-2 e colocou-se em posição privilegiada para conquistar, na sua estreia no torneio, o primeiro US Open, o primeiro Grand Slam e, inclusivamente, o primeiro torneio no circuito WTA.

Depois de esbanjar dois match points no serviço de Leylah Fernandez, conseguiu-o no seu jogo de serviço, com um ás e salvando break points, para vencer a final pelos parciais de 6-4 e 6-2.

Com esta vitória, Emma Raducanu sobe da 150.ª posição da hierarquia para o 23.º lugar, torna-se a primeira qualifier a ganhar um Major e a primeira a ganhar o torneio sem ceder sets desde Serena Williams, em 2014. Por sua vez, Leylah Fernandez passa a ser a 28.ª no ranking.

Foto de Capa: Next Gen Finals

Pedro Marques dos Santos

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