Cabeçalho modalidadesDecorreram, nos dois últimos fins-de-semana, as poules de apuramento das seleções de sub-20 femininos e sub-21 masculinos para o Campeonato do Mundo de 2017 e das seleções de sub-18 femininos e sub-19 masculinos para o Campeonato da Europa de 2017.

Mais uma vez, nenhuma das formações o conseguiu. Se num dos casos esteve perto e a oportunidade fugiu por uma unha negra, nos outros, o que se verificou foi mais do mesmo. E isto não é uma crítica: é a constatação de um facto.

Mas não quero entrar pela discussão dos resultados, quero antes tentar perceber o motivo dos mesmos.

Com o passar dos anos, as desculpas para os maus resultados a nível de seleções têm sido sempre as mesmas: falta de apoios, jogadores baixos, jogadores sem condições, falta de apoios (sim, a repetição é propositada!). Então, “pode” dizer-se que, ano após ano, a culpa é sempre de fatores exteriores, nunca vem de dentro. Não se olha para o trabalho desenvolvido e pela comunicação que é feita pelas entidades competentes. Se temos bons jogadores, porque os temos (não vamos dizer que não, basta ver alguns exemplos que estão nas melhores ligas internacionais: Miguel Rodrigues, Alexandre Ferreira, …), porque é que isso não se reflete nos resultados coletivos? E se a culpa estiver no pensamento e na mentalidade desportiva? Não atiremos sempre a culpa para os outros!

Fonte: Vanda Pinto
Fonte: Vanda Pinto

É preciso fazer mais, querer mais, mostrar mais, treinar mais. Não basta dizer que se quer. Não basta ser-se bom, é preciso fazer por isso. Ser bom jogador não implica ser bom atleta e de bons jogadores está o mundo cheio. E é preciso querer mais, não só da parte dos jogadores, mas nos vários lados da questão: dos jogadores, dos treinadores, dos dirigentes, dos diretores e de quem dirige a modalidade.

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E nas seleções, em que à partida as condições são bem melhores do que nos clubes, porque é onde estão, supostamente, os melhores atletas e treinadores, onde há melhores condições de treino e onde se aposta mais, é que os resultados não estão de acordo com essas condições… É certo que os resultados não têm de estar numa proporcionalidade direta com a qualidade de trabalho, mas… Fica aqui a questão.

Com tudo isto não quero dizer que a culpa é exclusivamente interna (nem eu sou a pessoa mais competente e indicada para o dizer), até porque, na minha humilde opinião, não é. Mas isso fica para outro capítulo…

Foto de capa: Vanda Pinto

Artigo revisto por: Francisca Carvalho