Cabec¦ºalho ciclismo

Três dias de Volta a Portugal e já temos algumas diferenças significativas na geral individual. Como esperado, o top10 é composto apenas por ciclistas da Península Ibérica. Dos 3 ciclistas espanhóis, 2 deles estão nos dois primeiros lugares da classificação geral.

Começando pelo prólogo, foi realmente um percurso com algumas complicações, apesar de ter sido curto. Parte era irregular, o que não ajudou certos ciclistas. Além do mais, tinha uma subida que fazia a diferença nas contas finais (alguns ciclistas que fizeram grandes tempos até ao ponto intermédio – um pouco antes dessa subida – não conseguiram continuar assim até ao final e foram perdendo alguns lugares até terminarem).

Um dos destaques antes deste contrarrelógio era o jovem ciclista Rafael Reis. O 4.º classificado do CR dos Mundiais de 2014, depois de fazer mais de metade do percurso, teve um problema com a bicicleta e acabou por ter de trocá-la. Era um daqueles de quem se esperava melhor resultado no final desta etapa, mas acabou por ter azar e foi “em modo passeio” até ao fim. De certeza que estará ansioso pelo CR na penúltima etapa para remediar este prólogo.

No final, foram os belgas que dominaram e conseguiram ter 2 ciclistas no pódio, sendo que Gaetan Bille foi mesmo o vencedor da etapa (Gustavo Veloso – vencedor da Volta a Portugal do ano passado – ficou a muito pouco de voltar a vestir a camisola amarela e teve de se contentar com o 2.º lugar).

Anúncio Publicitário

A primeira etapa não ofereceu grande história, além da típica fuga. Alberto Gallego, contrariando a vontade e, provavelmente, as ordens da equipa, foi para a fuga e acabou por ser o último homem a ser apanhado. O espanhol desgastou-se e perdeu tempo desnecessário para o pelotão. Certamente a equipa de Rui Sousa não deverá ter ficado nada contente com esta iniciativa de um dos jovens mais promissores deste pelotão, isto porque, em princípio, Gallego poderia servir como uma espécie de plano B caso Rui Sousa não se mostrasse capaz de voltar a liderar a equipa no alto dos seus incríveis 39 anos.

Gustavo Veloso já é camisola amarela Fonte: Facebook da Volta a Portugal
Gustavo Veloso já é camisola amarela
Fonte: Facebook da Volta a Portugal

A vitória acabou por ir para o espanhol Vicente de Mateos (ciclista que foi expulso da Volta o ano passado, devido a desacatos com outro ciclista), que bateu ao sprint homens como Samuel Caldeira, Davide Vigano e Filipe Cardoso. Nota para um excelente ataque final por parte de José Gonçalves, que surpreendeu todos e quase conseguia a vitória (ainda terminou no 7.º lugar da etapa). A amarela continuava na posse do belga Gaetan Bille.

A segunda etapa foi melhor, mas só começou a “aquecer” nos quilómetros finais, onde tivemos alguns ataques. Antes disso, Bruno Silva conseguiu voltar a entrar na fuga para cimentar a sua liderança na classificação da montanha. Depois de vários ataques, a vitória foi discutida, claro está, entre um espanhol e um português. Délio Fernandez e José Gonçalves conseguiram sair na melhor altura do pelotão muito reduzido (onde estava a maioria dos favoritos, sendo que o anterior líder da geral, Gaetan Bille, perdeu o contato a poucos quilómetros do final) e decidiram ao sprint a vitória, que foi mesmo para o ciclista espanhol. José Gonçalves volta a não conseguir vencer (neste momento, é o “Peter Sagan” da nossa Volta) e Délio Fernandez mostra que, apesar de ter Gustavo Veloso como seu líder, está pronto para discutir a vitória, caso o seu líder tenha um dia menos bom e perca alguns segundos para os principais favoritos.

Na classificação geral, os 3 primeiros da etapa de hoje são igualmente os 3 primeiros da geral individual (por ordem: Gustavo Veloso, Délio Fernandez e José Gonçalves). Para amanhã, na chegada a Fafe, estará prevista uma chegada ao sprint, sendo que no Domingo teremos uma das mais míticas etapas da nossa Volta, que terminará em Mondim de Basto (no alto da Senhora da Graça).

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal