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Depois de uma primeira jornada em que ambas as equipas desiludiram, Académica e Setúbal entraram para o último jogo da ronda 2 da Liga NOS com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. O Setúbal apostado em limpar a pobre imagem deixada no Bonfim, onde deixou fugir uma vantagem de dois golos frente a um adversário em inferioridade numérica, e a Académica em começar a vencer em casa, algo que já não acontece desde Abril deste ano.

Os estudantes até começaram melhor, impondo a sua presença no meio-campo, impulsionados, sobretudo, pelo estreante Leandro Silva, muito pressionante na primeira fase de construção do Vitória de Setúbal, que só se conseguiu libertar desta por volta dos 10 minutos, altura em que a velocidade dos atacantes sadinos começou a aparecer, com um cruzamento para a área num lance em que Trigueira ficou zonzo depois de chocar com um jogador do Vitória de Setúbal. O guarda-redes da Académica continuou em campo, mas não melhorou a sua condição, algo que não espanta quem viu o jogo e o golo de Suk, num golaço de dar a volta a cabeça a qualquer guarda-redes e que valeu elogios dos dois treinadores – “candidato a um dos melhores do campeonato” (disse Viterbo, na conferência de imprensa) e “um golo daqueles que só se costumam ver na Premier League” (Quim Machado).

José Viterbo compreendeu a frustração dos adeptos mas afirmou que o resultado foi demasiado pesado para aquilo que se passou em campo Fonte: Facebook da Académica de Coimbra
José Viterbo compreendeu a frustração dos adeptos mas afirmou que o resultado foi demasiado pesado para aquilo que se passou em campo
Fonte: Facebook da Académica de Coimbra

A Académica reagiu bem a este percalço (ao contrário de Trigueira, que saiu, seguiu para o Hospital da Universidade de Coimbra e a quem, segundo nos foi comunicado, foi diagnosticado  “prognóstico reservado” pela perda momentânea de consciência), circulando a bola no meio-campo contrário, onde chegava por meio do seu principal “motor” – Ivanildo (ganhou muitas faltas) –, algo que, porém, não se manifestou em lances de maior perigo de bola corrida. Só de bola parada, os estudantes criaram perigo, com Bouadia, na marcação de um livre, a ficar a centímetros do golo.

Rúben Semedo entrou para o lugar de Ruca, no Vitória de Setúbal, e as coisas começaram a mudar drasticamente. O jogador vinculado ao Sporting deu maior impermeabilidade ao sector defensivo dos sadinos e permitiu que a frente de ataque se soltasse, procurando espaços nas costas dos laterais da Briosa. Conseguiu-o, por várias vezes, com Suk e Costinha em evidência neste particular. Fruto disto mesmo, o coreano chegou mesmo a bisar depois de grande jogada individual. A Académica pareceu ir abaixo e revelou-se bastante permeável e completamente embrulhada na táctica que José Viterbo trouxe a jogo e chegaram, sem surpresa, mais oportunidades de perigo para os sadinos e, consequentemente, golos. O terceiro foi da autoria de André Claro, assistido por William Alves, lançado por… Suk!

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O avançado português voltaria a beneficiar da passividade conimbricense para se isolar, mas na cara de Lee atirou à figura. Gonçalo Paciência reagiu (fugindo ao “vedetismo” que o assombrou grande parte do jogo, levando-o, não raras vezes, ao egoísmo e a futebol com brilho mas pouco objectivo), com um remate que obrigou Raeder a aplicar-se; pensou-se que a Briosa estava de volta ao jogo, sobretudo depois da expulsão de Fábio Pacheco (78 minutos), mas o Setúbal não se fez rogado – saiu André Horta, entrou Dani, e continuou a explorar as costas dos laterais da Académica com sucesso. Costinha ganhou espaço a Emídio Rafael, isolou-se e não vacilou perante Lee.

Estava feito o 0-4 final, um resultado “exagerado” (disse Viterbo e nós concordamos), mas que chama a atenção para uma desorganização e uma permeabilidade defensiva que não podem existir em equipas de Primeira Divisão, quanto mais como um histórico como o da Académica.

Desta vez, o Setúbal soube dar continuidade ao que fez de bem na primeira parte, respondendo da melhor forma às críticas apontadas após o primeiro jogo. Desta vez os jogadores souberam dar a resposta emocional adequada (conforme disse Quim Machado ao Bola na Rede) e construíram um resultado histórico para os sadinos, que há 34 anos não venciam por quatro ou mais golos fora de portas.

Figura do jogo:

Suk – O primeiro golo é fantástico, partido da esquerda para o meio e disferindo um pontapé que só acaba ao ângulo superior esquerdo da baliza da Académica. Mais tarde viria a bisar num excelente lance individual e ainda arranjou maneira de intervir no terceiro golo. Mas não fica por aqui a exibição do homem da partida, que foi sempre uma seta apontada à baliza da Briosa e uma peça importante no momento de construção ofensiva, deslocando marcações ou encontrando aberturas.

Fora-de-jogo:

Emídio Rafael – Esteve ligado a três golos dos sadinos. É certo que em dois deles se podem alegar irregularidades (há, de facto, foras-de-jogo), mas não é isso que iliba uma exibição pálida e apática – imagem gritante da sua equipa.

 

Foto de capa: Facebook da Académica de Coimbra