Académica OAF 1-1 FC Paços de Ferreira: Um ponto para lutas diferentes

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Terminou tudo empatado no segundo jogo da segunda volta do campeonato nacional, com Académica e Paços a somarem um ponto, cada uma no final de 90 minutos intensos, aguerridos e, a espaços, com grande qualidade táctica.

O Paços entrou melhor no jogo, conseguindo, com um bloco compacto, condicionar a construção ofensiva da Briosa, apostando depois na exploração dos flancos (Pelé era o principal municiador). No lado esquerdo estava Diogo Jota, rebelde inconformado que só parece viver bem quando provoca o caos nos outros (adversários), e que deu muitíssimo trabalho a Aderlan contando com a colaboração de Andre Leal e Hélder Lopes para as tabelinhas que patrocinavam os seus intentos; na ala contrária estava Edson Farías, cujas incursões para o meio, principalmente sem bola, permitiam a penetração de Andrezinho, normalmente solto de marcação. Foi numa jogada deste género, aliás, que fez surgir o golo dos pacenses, com o médio emprestado pelo Benfica ao Paços a lançar o lateral direito que, depois de tabelar com o seu colega de flanco, aproveitando o espaço deixado pela defesa academista, cruzou para o coração da área, onde apareceu Diogo Jota, a inaugurar o marcador.

Tentava reagir a Académica, procurando furar uma organização compacta, em busca de um erro, de uma falha que permitisse palmilhar o terreno virgem que era, até então, a área pacense. Não conseguia, e era o Paços a avisar que podia ampliar a vantagem, utilizando o mesmo método que lhe permitiu chegar à vantagem no marcador, mas, desta vez, o cruzamento saiu ao primeiro poste e Bruno Moreira falhou a emenda por milímetros.

Jogo disputado entre a Académica e o FC Paços de Ferreira Fonte: Académica OAF
Jogo disputado entre a Académica e o FC Paços de Ferreira
Fonte: Académica OAF

A Académica conseguiu, finalmente, soltar-se das amarras tácticas e encontrar erros para explorar. Primeiro foi Marco Baixinho, que, tentando sair a jogar, perdeu a bola e deixou a equipa numa situação difícil, mas que Marafona atenuou com uma saída irrepreensível aos pés do isolado Marinho. Depois, foi o outro central, Fábio Cardoso, condicionado pela presença de Gonçalo Paciência a deixar a bola para João Real, que, em zona privilegiada, empatou a partida, e este, isolado, atirou para o fundo das redes, num lance em cima do intervalo.

O Paços, talvez “azambuado” pelo final do primeiro tempo, entrou sem a mesma dinâmica que tão bons frutos dera nos minutos iniciais do encontro, porém, a Académica, porventura “espantada” pelos espaços que ia tendo, falhou imensos passes, contribuindo para tornar o jogo confuso, sendo preciso esperar até aos 73 minutos para se vislumbrarem lances de perigo. Leandro Silva bateu um “canto de mangas arregaçadas”, Fernando Alexandre ganhou nas alturas e cabeceou à trave da baliza de Marafona. O Paços respondeu, mas involuntariamente, com Diogo Jota a fazer um cruzamento-remate que quase traía Trigueira.
A Briosa não se atemorizou e encostou o Paços às cordas, nesta altura, já com um meio campo reforçado (Rui Pedro deu lugar a Nuno Piloto) e um ataque refrescado (Rafa Lopes e Hugo Seco entraram por Gonçalo Paciência e Marinho). Primeiro foi Rafa Lopes a atirar por cima, após boa combinação, na esquerda, com Hugo Seco, depois foi Ivanildo a dar o mesmo destino à bola, com a cabeça, após mais um livre cobrado por Leandro.

Entretanto, Romeu foi expulso (por acumulação de amarelos), por desaguisado com Leandro Silva, a seis minutos do final. A Académica empolgou-se e tornou a criar perigo, com Hugo Seco, lançado por Fernando Alexandre, a ganhar a oposição de Helder Lopes e a cruzar para o primeiro poste, onde apareceu Rafa Lopes a rematar ao lado. Foi o canto do cisne. O Paços quis guardar o pontinho (Jorge Simão tirou Bruno Moreira e colocou Christian em campo, não abdicando de atacar, mas recuando claramente a linha mais avançada) e foi eficaz nesse intento.

No final, ninguém se ficou a rir, mas ambas as equipas se terão conformado com a soma de um ponto para as respectivas lutas. A Académica, por enfrentar um candidato à Europa, o Paços, por jogar fora de portas e por ter acabado o encontro com menos um jogador.

A Figura:

Pelé (FC Paços de Ferreira) – Poder de choque brutal, que permitiu ganhar muitas batalhas a meio-campo a favor da sua equipa. A isto, aliou uma capacidade posicional que o fez parecer “omnipresente” e uma capacidade de passe que permitiu o brilho das alas (Diogo Jota, em evidência) pacenses.

O Fora-de-Jogo:

William Gustavo (Académica OAF) – Num jogo com tamanha intensidade, pedia-se outra intensidade e outro discernimento. Não foram raras as vezes em que entregou a bola ao adversário.

Sala de Imprensa:
Filipe Gouveia (Académica OAF):
“Mais um ponto na nossa caminhada, e hoje especialmente porque morreu um ente querido da Académica, e nós gostaríamos de oferecer os três pontos à família do professor, e ficam desde já, aqui, os meus sentimentos.
Estávamos avisados para o perigo do Paços, uma equipa que é muito difícil quando se vê em vantagem e só um conjunto com a confiança que a Académica tem é que conseguiria marcar um golo ao Paços nessa circunstância.
A haver um vencedor, seria a Académica.”

Jorge Simão (FC Paços de Ferreira):
“O empate acaba por se justificar, dadas as circunstâncias (jogo fora, uma expulsão). Em termos de situações, não foi um jogo muito rico, mas foi intenso, entretido [SIC], uma boa propaganda para o futebol.
Acho que fizemos um jogo onde ficou claro uma imagem de rigor, organização e demonstração de talento dos meus jogadores, uma coisa que considero importante. Vendeu-se bem o produto “futebol”. Nessa linha, o jogo também foi importante para nós.
O importante é a luta pontual. Desde a primeira hora, foi essa a meta [48 pontos] estabelecida e será essa que vai ser procurada. “

Leandro Silva (Académica OAF):
Pergunta BnR: Quando há uma bola parada, costumas ser o alvo preferencial para batê-la, e o público galvaniza-se quando pegas nela. Sentes-te uma referência da equipa?
“Não. Tento ser mais um e ajudar os meus colegas num capítulo em que sou particularmente bom. Mas posso ser eu como outro qualquer”.

Foto de Capa: Académica OAF

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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