Académica OAF 0-2 Rio Ave FC: Paciência na base de um resultado justíssimo

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19 de Setembro de 2015 diz muito sobre este jogo. Nessa data, o Rio Ave vencia fora de casa pela primeira vez, na Liga, batendo o Paços por 3-0. Um dia depois, a Académica perdia com o Boavista, em casa, José Viterbo saía do comando técnico da Académica e Gouveia assumia o comando da Briosa. Desde esse dia até hoje, o Rio Ave não mais tinha ganho sem ser no Estádio dos Arcos e a Académica não tinha perdido qualquer encontro naquela que começava a ser conhecida como a Fortaleza de Gouveia. Até hoje. Os vilacondenses impuseram a sua qualidade técnico-táctica e levaram a melhor sobre a Briosa, estacionando, provisoriamente, no tão almejado 5.º lugar e deixando a Briosa afundada no penúltimo lugar, correndo o risco de ver os seus adversários directos fugir-lhe nos encontros que ainda vão disputar.

Ambas as equipas trouxeram o mesmo figurino táctico para dentro de campo, e encaixaram no 4x3x3 do adversário, não havendo, por via desse “engate”, lugar a grandes oportunidades de perigo, com excepção de um remate de Ukra à trave depois de ganhar espaço a Rafa Soares. Fora isso, o protagonismo esteve no meio-campo, onde Wakaso, Tarantini e Bressan travaram duro duelo com Leandro, Fernando Alexandre e Nuno Piloto, numa batalha renhida… Mas com ligeiro ascendente dos primeiros, nos últimos minutos da primeira parte, que contribuiu para que a bola fugisse do centro do campo para o último terço ofensivo vilacondense. Primeiro com uma ameaça de Kuca… Concretizada mais tarde, num lance desenhado por Edimar, que galgou terreno pelo lado direito da defesa academista, antes de oferecer o golo ao cabo-verdiano.

À entrada para a segunda parte, Gouveia partiu o meio-campo e desfez o 4x3x3 para passar a jogar em 4x2x3x1 com a entrada de Gui para o lugar de Nuno Piloto. A equipa parece ter acusado o toque, e o costa-marfinense dispôs de uma boa oportunidade, estando no lugar certo para aproveitar um mau alívio de Roderick e rematar para boa defesa de Cássio. Depois disto, Rafa Soares, após a bola circular pela área vilacondense sem que ninguém soubesse o que fazer com ela, disparou para fora. Era o aviso da Académica. O sinal de que queria mudar o resultado e o rumo do jogo. Só que o Rio Ave, como equipa matreira e experiente que é, soube manietar esta reacção e nem mesmo quando Gouveia forçou a barra, colocando Rabiola e Rafa Lopes para os lugares de Nii Plange e de Gonçalo (passou a jogar num 4x4x2 declarado), a Briosa soube conseguir ganhar forças para sair das teias tácticas em que se via amarrada. Mérito, muito, para Pedro Martins. O treinador do Rio Ave conseguiu neutralizar o meio-campo com a ajuda de Yazalde (que veio buscar muito jogo lá atrás, em auxílio do meio-campo), e a fugacidade das alas dos estudantes com uma exibição competente dos jogadores das alas, incluindo a dos extremos, que foram muito inteligentes a defender.

O segundo golo do Rio Ave surgiu, com alguma naturalidade, ao minuto 69, com Kayembe (substituiu Ukra) a descobrir Yazalde, que, fugido à defesa da Académica numa diagonal com um rasto intenso de protagonismo, finalizou sem piedade de Pedro Trigueira. 0-2, jogo praticamente arrumado. A Briosa não baixou os braços, e ainda esteve perto de reduzir o marcador, através de Rabiola e Fernando Alexandre. Porém, ao procurar mitigar o prejuízo, expôs-se em demasia e também podia ter saído do Cidade de Coimbra vergada a uma derrota mais pesada – Kayembe e Heldon estiveram perto de ampliar.

Na sala de imprensa, Gouveia deixou um apelo à força dos sócios, mesmo depois da contestação vivida no Cidade de Coimbra
Na sala de imprensa, Gouveia deixou um apelo à força dos sócios, mesmo depois da contestação vivida no Cidade de Coimbra

O jogo terminou com cânticos de “Vocês são uma vergonha” da parte da Mancha Negra, claque afecta a Académica, e que se explicam pela frustração dos adeptos, que não vêem uma vitória da sua Briosa, que tanto carece de uma demonstração de força por parte dos seus jogadores, há quase um mês. O Rio Ave venceu, e bem, para deleite dos seus adeptos, que vêem, cada vez mais, o objectivo da Liga Europa como algo palpável.

A Figura:

Yazalde – Marcou o segundo golo, foi importante no primeiro, arrastando a marcação, entregou-se a uma batalha (a do meio-campo) que não entrava na sua área de jurisdição pelo bem da equipa, tornando-se decisivo para que o seu conjunto ganhasse ascendente, e ainda entregou o corpo ao manifesto, sendo raras as vezes em que foi desarmado e frequentes as ocasiões em que ganhou faltas cirúrgicas quando a sua equipa procurava controlar o jogo.

O Fora-de-Jogo:

Gonçalo Paciência – O ponta-de-lança da Académica esteve muito desinspirado. É certo que conseguiu desequilibrar quando foi capaz de impôr o físico e de pôr o colectivo à frente do individual; porém, isso aconteceu pouquíssimas vezes e, em muitas delas, foi o egoísmo que imperou, estando na génese de vários lances prometedores perdidos para a sua equipa (que colocou vários adeptos da casa à beira de um ataque de nervos, tendo mesmo dificuldades para sair do Estádio, sendo dos mais visados pela fúria dos associados), o mais flagrante quando o jogo ainda estava empatado a 0 – numa posição privilegiada, preferiu adornar o lance, com mais uma finta, ao invés de se focar na baliza. Ainda não tem legitimidade para exibir os tiques de vedetismo (quando a bola vem para ele, não a confia a outros companheiros que possam decidir em melhor circunstâncias) que há muito demonstra. Foi substituído aos 65 minutos.

Sala de Imprensa:

Filipe Gouveia:

“Já sabíamos que íamos ter um jogo difícil, uma equipa experiente, com jogadores rápidos e importantes nas transições, que luta pela Liga Europa. Uma equipa que se apanhou em vantagem, tornando tudo muito complicado”.

“Temos de ir à Madeira buscar estes três pontos perdidos”.

“Talvez tenha sido a nossa pior exibição, em casa”.

“Como estamos nesta situação [zona de despromoção], a bola parece que pica nos pés”.

“Tenho muita confiança neste grupo de trabalho”.

“Tirar o chapéu ao público. E deixar-lhes uma mensagem: é nos momentos difíceis que as pessoas aparecem. Isto é a Briosa”.

“Deixo um apelo para que sejam mais fortes e contidos nas redes sociais, porque há jogadores que têm família, filhos, pais… E há certas situações que são desconfortáveis. Temos de ter bom senso”.

Pedro Martins:

“Vitória importante, difícil, porque a Académica vem em crescendo, como mostram os resultados. Desde o início que quisemos mandar no jogo. A primeira parte foi bem conseguida, a segunda mais inteligente”.

“Os nossos objectivos têm sido cumpridos. Faltam 12 finais, com a Taça de Portugal”.

“A lesão do Kuca é muscular; só dentro de 48 horas saberemos a sua extensão”.

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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