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O Belenenses deu um passo de gigante rumo à fase de grupos da Liga Europa depois da vitória por 0-1 frente ao SCR Altach, clube austríaco que eliminou na última pré-eliminatória o Vitória Guimarães. Com um golo apontado por Tiago Caeiro aos 14 minutos, a equipa comandada por Ricardo Sá Pinto ficou a um pequeno passo de fazer história e entrar na fase de grupos da Liga Europa.

Para que esta vitória tenha acontecido, em muito contribuiu a primeira parte de grande nível que a equipa portuguesa realizou em Innsbruck. Com duas alterações relativamente ao onze mais utilizado neste início de época por Sá Pinto – Tiago Silva e Tiago Caeiro renderam Carlos Martins e Abel Camará – o Belenenses entrou a todo o gás na partida e partiu para um primeiro quarto de hora excelente. Fruto de um jogo posicional de grande qualidade – onde se evidenciou a ação dos médios-ala Fábio Sturgeon e Miguel Rosa – a equipa belenense surpreendeu um Altach que entrou completamente apático na partida. Avisado para os perigos da equipa austríaco, os homens da equipa do Restelo fizeram do aproveitamento do espaço entre linhas a sua principal arma para contrariar o jogo austríaco. Neste tópico, realce para o papel dos médios da equipa portuguesa, que foram aproveitando a apatia austríaca, dominando sempre os espaços e tendo sempre a bola em zonas adiantadas do terreno, onde o tridente ofensivo, coadjuvado por Tiago Silva, criava perigo.

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Por tudo isso, não foi de estranhar que o Belenenses tenha chegado à vantagem ao minuto 14, em virtude de um belo golo do ponta de lança Tiago Caeiro. Aproveitando um excelente cruzamento de João Amorim e um péssimo posicionamento defensivo da equipa do Altach, aquela que foi uma das duas surpresas no onze de Sá Pinto fez o golo inaugural da partida, concluindo da melhor forma um quarto de hora excelente em termos exibicionais. A partir desse momento, e como seria expectável, a equipa portuguesa optou por recuar linhas e passar para um novo momento estratégico no jogo. A questão é que, do outro lado do terreno, esteve sempre uma equipa cujo futebol ofensivo não existiu durante a primeira parte. Em termos ofensivos, Aigner e Seeger foram sempre presa fácil para Tonel e Gonçalo Brandão; enquanto Mahop e Salomon nunca foram bem servidos, fazendo com que o rendimento ofensivo dos austríacos tenha sido uma completa nulidade. À partida para os balneários, a vantagem belenense era mais do que justa tendo em conta a superioridade física, técnica e tática que a equipa de Sá Pinto demonstrara frente aos austríacos.

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O Belenenses conseguiu uma importante vitória na Áustria
Fonte: Facebook CF Belenenses

A segunda parte acabou por trazer uma toada distinta à partida. Ao contrário do que havia sucedido no primeiro tempo, os segundos quarenta e cinco minutos trouxeram um Belenenses parco em ideias. As dificuldades em ter bola foram muitas e a eficácia no passe esteve muito abaixo dos níveis exigidos. Em contraponto, o Altach, como seria expectável, entrou mais forte, mais intenso e com os setores mais interligados. Apesar de raramente ter criado lances de perigo (o remate de Leinhart aos 84 minutos para bela defesa de Ventura foi a exceção), a verdade é que o Belenenses foi passando por sustos sucessivos mais por demérito seu do que por mérito do adversário. As ligações para o ataque eram insuficientes e o meio campo belenense foi colecionando erros na primeira fase de construção ofensiva. Ainda assim, e muito fruto da constante ineficácia ofensiva austríaca – as dificuldades técnicas dos jogadores do Altach foi por demais evidente – o Belenenses conseguiu passar a segunda parte com a vantagem no marcador, conseguindo uma vantagem que pode ser fundamental para o apuramento para a fase de grupos da Liga Europa. Na próxima quinta feira, no Estádio do Restelo, terá que ser um Belenenses ao nível do que vimos na primeira parte para poder chegar à segunda competição mais importante de clubes a nível europeu. E isto depois de uma exibição onde mesmo sem o “cérebro” da equipa Carlos Martins em campo, a equipa de Sá Pinto conseguiu sempre ter cabeça para conseguir os seus intentos.

Figura do Jogo: Miguel Rosa – O jovem extremo português foi incansável no jogo frente ao Altach. Com movimentos interiores taticamente perfeitos, Rosa foi sempre o farol do jogo ofensivo belenense. Não teve interferência direta no golo, mas porventura terá sido esse o único lance ofensivo onde não teve influência. Jogo incansável e exibição a roçar a perfeição do talento da equipa de Sá Pinto.

Fora de Jogo: Incapacidade ofensiva do Altach – Apenas dois remates perigosos em 90 minutos é o espelho de uma insuficiência gritante a nível ofensivo da equipa austríaca. Para ainda sonhar com o apuramento, a equipa do Altach terá que ter outro tipo de comportamento no Estádio do Restelo, na segunda mão desta eliminatória.