liga europa

Num dia onde a história poderia ser escrita os adeptos corresponderam e fizeram uma boa casa no Restelo. Bancadas cheias de energia no apoio ao Belenenses no caminho rumo à fase de grupos da Liga Europa. Na primeira mão os homens de Sá Pinto tinham vencido por 1-0 e tinha ficado a certeza de que os homens do Restelo eram claramente mais fortes do que o Altach. Os austriacos apostaram num meio-campo reforçado e preparado para aproveitar  o espaço concedido pelo Belenenses e sair em contra-ataque. No entanto, foram os da casa os donos do jogo, mesmo que tenham adoptando uma postura mais expectante. Sem precisar de se esforçar muito, ao Belenenses bastava acelerar o ritmo que o Altach não tinha andamento. Guiados pela arte e bom toque de bola de Miguel Rosa (claramente dos melhores jogadores do plantel), o Belenenses dispôs de várias oportunidades, atirando mesmo uma bola ao poste.

O Altach procurava o contra-ataque, mas quase sempre não passavam de tentativas fugazes de aproximação à área. E tudo isto mais por culpa da defesa do Belenenses, que se mostrou algo intranquila, sendo o pior do conjunto azul e branco na primeira parte. O Altach apareceu pouco mas, as vezes que apareceu, foi com bastante perigo. Primeiro um cabeceamento defendido por Ventura (as bolas paradas são um ponto forte dos austríacos) e um chapéu falhado são duas das oportunidades mais perigosas de toda a primeira parte. E ambas devem-se a falhas na defesa portuguesa. Ao intervalo o empate aceitava-se, mas com golos. Se formos a analisar somente as oportunidades, o Altach só teve duas mas foram bastante perigosas. Se analisarmos os 45 minutos todos, o Belenenses teve mais bola e o controlo do jogo.

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miguel rosa
Miguel Rosa voltou a ser uma das principais figuras do Belenenses
Fonte: osbelenenses.com

Depois do intervalo, os austríacos, obrigados a marcar, subiram um pouco de rendimento e empurraram o Belenenses para trás durante boa parte do tempo, apostando sobretudo no jogo directo. Ainda assim, os azuis do Restelo tiveram, uma vez mais, em Miguel Rosa o grande destaque. O médio combinou muito bem com Sturgeon e flectiu várias vezes da esquerda para o meio, criando desequilíbrios. O Belenenses, contudo, nem sempre procurava a baliza, fazendo com que o seu futebol perdesse alguma objectividade.

O jogo foi ficando partido e, à medida que o tempo avançava, era cada vez mais disputado com o coração. A entrada de Tiago Silva, para o lugar do desinspirado Abel Camará, contribuiu para fechar um pouco mais a baliza e equilibrar o Belenenses, que não marcou quando o podia ter feito e que via agora a sua baliza ser alvo do assalto final. Num dos lances mais perigosos do Altach, Ngwat-Mahop rematou à barra, para alívio da equipa da casa. Sofrimento talvez excessivo para um Belenenses tecnicamente superior mas que, devido a alguma inoperância no ataque, aliada ao facto de ter jogado com a vantagem obtida na Áustria e a um nervosismo crescente próprio da inexperiência, teve de viver na indefinição até final.

Quando o árbitro apitou pela última vez, o Restelo irrompeu num clima de festa que tem sido raro por estas bandas. Os jogadores eufóricos e as buzinadelas de carros já fora do estádio patenteiam bem a grandeza do feito dos homens de Sá Pinto. A Liga Europa tem equipas muito mais fortes do que o Belenenses mas, como disse o treinador, agora é tempo de desfrutar.

 

A Figura

Ventura – depois de alguns jogos muito pouco conseguidos, rubricou uma excelente exibição frente ao Altach. O posto de guarda-redes é ingrato mas se, contra o Rio Ave, destacámos o 24 do Belenenses pela negativa, hoje achamos que ele merece os créditos por ter mantido a baliza inviolável com três ou quatro defesas de grande nível. Num jogo em que a equipa de Sá Pinto mostrou, a espaços, alguma intranquilidade defensiva, o facto de não ter sofrido golos deve-se em larga medida a Ventura. Miguel Rosa foi o melhor jogador de campo e também merece uma palavra.

O Fora-de-Jogo

Abel Camará – claramente o jogador mais desinspirado dos azuis, não causou estranheza a ninguém que tivesse sido o primeiro sacrificado, fruto de algumas perdas de bola e vários lances inconsequentes. Com a entrada de Tiago Silva, a equipa melhorou e conseguiu estar à altura do período de maior aperto austríaco.

 

Nesta sexta-feira realizou-se o sorteio da Liga Europa, tendo o Belenenses ficado no grupo I com:

Basileia – 6 jogos e 6 vitórias é, para já, o saldo dos hexa-campeões suíços, que continuam a dizimar toda a concorrência interna. Pese embora a saída de Fabian Schar, os homens de Urs Fischer têm em Taulant Xhaka, Matías Delgado e os recém-contratados Walter Samuel e Zdravko Kuzmanovic algumas das suas figuras de maior renome. Equipa de nível de Liga dos Campeões, no ano passado ganhou ao Liverpool em casa e empatou fora, ficando à frente dos ingleses no grupo. Nos oitavos-de-final defrontou o FC Porto, a quem esteve a ganhar em casa ate 10 minutos do fim (perdeu 4-0 no Dragão).

Fiorentina – a equipa italiana ficou em 4º no último campeonato e agora, treinada por Paulo Sousa, já conta com uma vitória em casa por 2-0 contra o Milan. Já sem Mario Gómez e Mohamed Salah, mas com Borja Valero, Josip Ilicic, Giuseppe Rossi e o nosso conhecido Matías Fernández, os florentinos apresentam uma formação compacta com soluções de grande qualidade em todas as zonas do terreno, jogam cada vez mais como uma equipa grande nas competições internas e são, juntamente com o Basileia, os favoritos ao apuramento.

Lech Poznan –  o campeão polaco tem sempre o seu estádio a fervilhar mas não teve o melhor dos arranques no campeonato, estando já a 5 pontos do primeiro com 6 jogos disputados. Equipa bastante jovem, conta com Kasper Hamalainen como uma das figuras mais emblemáticas, embora o médio Karol Linetti seja talvez a maior esperança. Atenção ao flanco direito, uma vez que os promissores Tomasz Kedziora e Dawid Kownacki costumam causar estragos.

 

O Belenenses irá ter, portanto, vida muito complicada neste regresso à Europa. Contudo, a presença na fase de grupos deve ser encarada sobretudo como forma de ganhar experiência e dinheiro.

 

Texto de André Conde e João Vasconcelos e Sousa