liga europa

Com uma equipa alternativa e sem pôr o pé no acelerador, a Fiorentina passeou no Restelo e bateu o Belenenses por esclarecedores 4-0 na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Não se esperava tarefa fácil dos portugueses frente ao líder do campeonato italiano, mas a postura da equipa de Sá Pinto não ajudou. Com linhas demasiado recuadas e sem capacidade de sair para o ataque, hipotecou as poucas hipóteses que tinha de discutir o resultado e, pior do que isso, desaproveitou a montra europeia.

Desde o princípio do encontro que se percebeu que jogo íamos ter no Restelo. O líder da Serie A fez jus ao seu estatuto e instalou-se tranquilamente no meio campo do Belenenses, que se organizou defensivamente com duas linhas de quatro homens, com Carlos Martins e Luís Leal a pressionar mais à frente. A estratégia receosa da equipa de Sá Pinto, ciente de que enfrentava um adversário em grande forma e com jogadores de enormíssima qualidade, tornou a partida num jogo de paciência para a Fiorentina, que ia circulando a bola de um flanco para o outro à procura de espaços para criar perigo.

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O primeiro golo surgiu através do sentido de oportunidade do promissor Bernardeschi, que aproveitou uma defesa para a frente de Ventura (ficou a ideia de que podia fazer melhor). Por estar demasiado recuado, o Belenenses não teve capacidade de sair para o ataque, mas, em desvantagem, o conjunto de Sá Pinto foi obrigado a subir as linhas. Apesar de uma tímida reacção no final da primeira parte, com um toque em Kuca que deixou a sensação de ter ficado uma grande penalidade por marcar, os azuis não conseguiram contrariar o maior poderio dos italianos e, à saída para o intervalo, tiveram um lance de infelicidade, com um remate de Babacar a desviar em Gonçalo Brandão e a trair Ventura. Estava feito o 2-0 para a Fiorentina, um resultado natural face ao domínio avassalador dos comandados de Paulo Sousa, mas algo castigador se considerarmos que a formação viola não teve muitas ocasiões para marcar.

Com o jogo praticamente decidido, a Fiorentina abrandou o ritmo no início da segunda parte, já a pensar no campeonato italiano, e permitiu que o Belenenses tivesse o seu melhor período no jogo, pressionando a saída de bola contrária. Ainda assim, o ímpeto inicial desapareceu rapidamente e a partida tornou-se monótona até final. A animação no relvado não era muita, mas o mesmo não acontecia nas bancadas. Mesmo com o rebentamento de um petardo na zona dos adeptos da Fiorentina, cheia de tarjas alusivas às boas relações com o Sporting (os tiffosi italianos cantaram várias vezes o nome do clube leonino), o entusiasmo nas bancadas centrais, repletas de estudantes trajados a puxar pelos “pastéis”, não esmoreceu.

O jogo contou com muita animação nas bancadas
O jogo contou com muita animação nas bancadas

No relvado, a turma de Paulo Sousa ia descansando com bola, sem forçar, e os azuis do Restelo também se acomodaram e deixaram de acreditar num resultado positivo. Sá Pinto tentou acordar a equipa a partir do banco, mas as entradas de Fábio Nunes e Tiago Caeiro revelaram-se inconsequentes. Embora o ritmo de jogo dos transalpinos não fosse muito elevado, ainda houve tempo para dar contornos de goleada ao resultado. Kuba saltou do banco para ter participação decisiva no 3-0, cruzando para um desvio de Tonel para a própria baliza, e Rossi, em crescendo depois de longa ausência, assinou o 4-0 final.

Paulo Sousa promoveu uma rotatitividade que se esperava, tendo em conta que o objectivo principal é o campeonato. A Fiorentina jogou com o habitual sistema de três defesas, sendo que Marcos Alonso, que habitualmente faz a ala esquerda, recuou no terreno para dar entrada a Bernardeschi. O italiano foi a principal figura do conjunto viola, mas houve outros destaques positivos, como Mário Suárez, tanto a médio como a central, Matias Fernández, que pautou o jogo no meio campo com um nível elevado, e os avançados Ante Rebic (a jogar pela direita) e Babacar, com participações interessantes. Do jogo de hoje fica mais uma vez a ideia de que este sistema permite que haja sempre superioridade numérica no meio campo e constantes opções para o portador da bola, o que facilita o jogo de posse que o técnico português implementou.

Na equipa do Belenenses, o receio com que a equipa abordou o jogo acabou por impedir que houvesse muitos destaques individuais. Carlos Martins apareceu nos melhores momentos da equipa de Sá Pinto, mas nunca teve o apoio necessário para desequilibrar nas transições ofensivas (foi frequente vê-lo rodeado por vários adversários sem nenhuma linha de passe). A chave do jogo foi o facto de os azuis terem de lidar com a presença de seis homens contrários na zona intermédia, entre os três centrais e Babacar, e estarem a defender com uma linha de apenas quatro elementos, o que dificultou a tarefa dos médios André Sousa e Rúben Pinto. Também os laterais André Geraldes e Filipe Ferreira voltaram a demonstrar algumas limitações, mesmo com a ajuda dos extremos. Sturgeon e Kuca (depois Dálcio e Fábio Nunes) desgastaram-se a fechar o espaço interior e a dobrar os laterais e não tiveram capacidade de chegar ao último terço tantas vezes quanto seria desejável.

A Figura:

Federico Bernardeschi – Foi o único a dar alguma alegria a um jogo absolutamente desinteressante durante o primeiro tempo. Abriu o marcador e procurou sempre desequilibrar a partir da faixa esquerda através de mudanças de velocidade de de direcção. Acabou por ser o primeiro a sair, mas merece o destaque.

O Fora-de-Jogo:

Sá Pinto – Mesmo tendo consciência de que era claramente inferior ao adversário, não devia ter abdicado de discutir o jogo. Oferecendo a bola e a iniciativa a um conjunto tão bem oleado e com tanta qualidade individual como a Fiorentina, era previsível que o golo acabaria por surgir mais tarde ou mais cedo. É o principal responsável pela má abordagem à partida e revelou-se incapaz de transmitir a agressividade – tática e nos duelos – que o caracteriza.

Artigo de Francisco Manuel Reis e Tomás da Cunha