Por mais que as circunstâncias obriguem uma prudência extra no ataque ao mercado – e por estes dias já se noticiam as intenções do novo treinador do Benfica em discernir todo o talento do actual plantel antes de ir às compras – o Bola na Rede tentou ajudar o departamento de scouting encarnado com cinco sugestões.
Quatro destas sugestões estão em acção no Mundial; a excepção, que todo o analista pensou ser uma certeza na convocatória e uma forte hipótese para o onze, entra por esse sentido de oportunidade que se gera e pelo claro acrescento de qualidade a um meio-campo que só tarde se definiu em 2025-26.
1.
Keito Nakamura, Stade de Reims – “Bonito, fala três idiomas e ainda está solteiro”: é assim que um portal vietnamita destaca a figura de Nakamura, a quem apelida de «galã» da selecção japonesa. E insistem, acrescentando que é «fluente em japonês, inglês e francês», além do «1,80m de altura, físico atlético, bons recursos financeiros e aparência marcante», para explicar o porquê de tanta fama no Sudeste Asiático para o jogador do Stade de Reims.
E se ao Benfica não lhe interessarem as potencialidades do marketing e do alcance de marca, há atributos bem mais convincentes para influenciar Rui Costa de que é, efectivamente, um reforço ao actual plantel: perdido na Ligue 2, Nakamura passa de ponta-de-lança quando em serviços clubísticos para ala esquerdo em defesa a cinco entre nipónicos, como tão bem ficou apresentado contra os Países Baixos. Hajime Moriyasu, adepto do 3-4-2-1, viu em Nakamura todas as capacidades para operar como ala invertido a partir da esquerda, com Maeda a explorar a largura mais à frente.
Passou sempre a dezena de golos com o clube francês e, aos 25 anos, mostra estar pronto para a elite – e o Transfermarkt diz que o valor de mercado se fixa nos 10 milhões.
2.
Kodai Sano, NEC Nijmegen – Tal e qual Morita, Moriyasu enveredou pela decisão polémica e deixou-o em casa, mesmo que a lista final já tivesse poucos médios e ainda se tenha lesionado Endo, atleta do Liverpool e capitão de equipa.
Kodai foi o dínamo do exigente sistema implementado por Dick Schreuder no NEC Nijmegen, a grande surpresa da passada Eredivisie (entrarão na Champions via pré-eliminatórias, se tudo correr bem). 22 anos, pulmões de maratonista, um raio de acção de área a área e técnica bastante para cumprir todas as funções, de recuperador a construtor: precisando Marco Silva de alguém para fazer companhia a Aursnes, seria Kodai uma escolha acertadíssima, mais não seja pelo perfil tão completo, reunindo os melhores predicados de Barreiro, Manu e Richard Ríos.
Por enquanto, o Ajax surge como mais convicto interessado – o leilão, a existir, começa nos 20 milhões.
3.
Abbosbek Fayzullaev, Istanbul Basaksehir – Dentro da lógica em recrutar alguém no mesmo perfil de Harry Wilson, organizadores abertos com tendência para explorar terrenos interiores, há nome mais descarado que o de Fayzullaev?
Sim, há alguns mais fáceis de nos chegarem ao discernimento, mas o prodígio usbeque grita por uma séria oportunidade na Europa de primeiro nível: mesmo que o Benfica dispute a segunda competição continental, a liga turca parece já estreita demais para tão volumoso talento. Melhor jogador do Usbequistão aos 17 anos e melhor jogador asiático na competição sub-20, Abbosbek oferece facilidade de processos a partir da ala e criatividade suficiente para assumir operações no último terço.
Provou credenciais de clube grande em Moscovo, com 71 jogos em dois anos ao serviço do CSKA e, na selecção, prevê-se que Fabio Cannavaro o utilize a partir da direita na última linha dum 3-4-2-1 (atenção, Nuno Mendes e Inácio). Principal concorrente do Benfica na contratação? O Marselha, que estará prestes a perder Mason Greenwood para a AS Roma – que, por sua vez, se quer ver livre de Matías Soulé, outro criativo que daria muito jeito às águias… mas, convenhamos, obrigará a um outro tipo de esforço financeiro.
4.
Lucas Herrington, Colorado Rapids – Na nova geração australiana, o mais destacado perfil é o de Alessandro Circati, líder defensivo de Socceroos e Parma aos 22 anos.
Por isso, tenha talvez deixado de estar ao alcance do actual Benfica, sem financiamento de Champions. Com cinco épocas de Serie A e excelentes desempenhos ao serviço de Carlos Cuesta em 2025-26, a concorrência será grande demais para encarnados; só que na mesma geração australiana, há outro nome a sublinhar para o eixo defensivo.
Com 18 anos, Lucas Herrington trocou os Brisbane Roars pela MLS sem qualquer dificuldade, cumprindo 17 jogos desde o início do ano pelos Rapids. À inerente confiança necessária para esse registo, junta-se o à-vontade com a bola no pé, a velocidade que o permite jogar em linha subida e capacidade física para o choque com avançados mais fortes e experientes.
A sua vinda obrigaria ao desenvolvimento de António Silva e Tomás Araújo como líderes de balneário e capitães, opção mais corajosa e mais rentável para as suas carreiras e para o próprio clube, em vez da simples substituição de Otamendi por alguém com semelhante experiência.
5.
Tarik Muharemovic, Sassuolo – Junto a Circati e Tiago Gabriel, os grandes prospects da Serie A da época que findou. Na abertura do Mundial, Muharemovic mostrou-se da maneira que todos vimos ou podemos ver. Claro, já circulam as notícias de que Inter e sobretudo Juve, que o descobriu na Áustria aos 18 anos antes de o emprestar ao Sassuolo, querem fazer dele o novo recruta.
Porque devia o Benfica intrometer-se na discussão? Porque o bósnio é exactamente o perfil que Marco Silva idealiza para o lado esquerdo do seu eixo (e por isso se falou tanto em Jorge Cuenca): canhoto, confortável tanto no transporte como no passe, capaz de se associar em jogo curto, tudo isto aliado a um perfil físico de elite (altura, velocidade, mobilidade, timing, antecipação, tem tudo) que o permite controlar larga área de terreno, dando ao lateral do seu lado toda a liberdade na exploração do corredor.
Para bem do Benfica e das suas hipóteses, uma esperança: que a Bósnia não faça grande figura no Mundial.

