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Salazar caiu por problemas com uma cadeira, Vieira caiu por problemas com um banco. Perdoem-me o paralelismo se o consideram demasiado forte ou até vil e desrespeitador, mas a verdade é que a liderança de Luís Filipe Vieira nos últimos anos tendia em crescendo para um regime ditatorial (ou, no mínimo, semelhante a um).

Já há largos anos Vieira tinha, de forma metafórica (e de forma literal), a mão na garganta dos sócios, abafando cada palavra e investindo na alienação da massa associada da vida administrativa e política do clube, com natural reflexo em todas as restantes esferas da vida do SL Benfica.

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Igual perdão peço aos que considerem parco o motivo da queda de Vieira presente na primeira frase desta redação. Os problemas com o Novo Banco não são, de todo, o único fator que provocou o fim de 18 anos da “Era Vieira”. Nem será, para os benfiquistas, o principal agente de rutura da ligação entre o clube e o ex-dirigente.

A usurpação de dinheiros do clube será o maior osso na garganta dos sócios e adeptos do clube no meio do enredo desta Operação Cartão Vermelho. Aliada à usurpação dos valores democráticos que desde sempre constituíram o cerne do Sport Lisboa e Benfica, é motivo para que a grande e sensata maioria dos benfiquistas celebre com fulgor a demissão de Luís Filipe Vieira.

Demissão tardia, diga-se de passagem. Depois da quarta-feira santa de sete de julho de 2021 (para sempre marcada, sob a forma de uma enorme mancha, na história do clube da Luz como a data da detenção de um presidente do clube em funções), foi preciso aguardar até à quinta-feira de cinzas de 15 de julho do referido ano para se conhecer a única decisão com sentido que poderia ser tomada pelo até então Presidente do SL Benfica.

As cartas de demissão chegaram por fim. Aleluia, aleluia, por fim se desenha mais um traço visível que pode ajudar a clarificar a indefinida situação que assiste o clube. Por fim, algo mais de concreto se sabe. Isto porque a prorrogação da decisão de Vieira abriu espaço a um ambiente ainda mais obscuro no que respeita à vida política do clube.

Na ausência do Presidente eleito, assumiu as rédeas o vice-presidente Rui Costa. Contudo, pouco mais se sabia. “Assume de forma interina? Se sim, até quando? Haverá eleições? E se Vieira voltar?”. Nos últimos dias, fomos obtendo respostas a estas perguntas. Hoje, pudemos enfim responder à última das suprarreferidas: Vieira já não volta!

E eu sei que há quem, em sentido contrário, não estará a exultar neste momento com a queda de Vieira. Eu sei que há quem, ainda que poucos (quero crer!), considera ainda que Luís Filipe Vieira era o sol que alumiava o destino do clube. Eu sei que há quem tenha medo que agora se instale a escuridão. Para essas pessoas, uma mensagem.

Luís Filipe Vieira é um nome cada vez mais fraturante no SL Benfica
Aos quinze dias do mês de julho do ano de dois mil e vinte um, Luís Filipe Vieira apresentou a sua demissão
Fonte: SL Benfica

Vieira não era esse sol. Ninguém o será. O SL Benfica não precisa de um sol quando tem um céu cheio de estrelas ao seu alcance. Vieira, era sim, um Rei-Sol. Mas o Rei-Sol já se pôs. Caminhemos, pois, sem medo da escuridão, em direção às estrelas que a pontificam, em direção às estrelas que nos foram prometidas! Às estrelas que nos foram fadadas pelos deuses do futebol naquele domingo, 28 de fevereiro de 1904!

É nosso fado alcançar as estrelas. É nosso fado ser a Luz na escuridão. Cumpramo-lo, pois “Senhor, falta cumprir-se o Benfica”!

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