A ‘Festa da Taça’. É assim que é conhecida a festa que surge em volta dos jogos da prova rainha, a Taça de Portugal. Por todo o país, das mais diversas divisões do futebol profissional, centenas de equipas lutam para chegar ao Jamor e erguer o troféu emblemático das mãos do Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa.

Ao início, as eliminatórias colocam frente a frente as equipas dos escalões inferiores, sendo que só a partir desta fase que agora nos encontramos, a terceira eliminatória, é que entram as equipas da Primeira Liga Portuguesa e é precisamente nesta altura que a ‘Festa da Taça’ se torne efervescente com a possibilidade de equipas de escalões muito abaixo do escalão principal, verem equipas ‘grandes’ a jogar nos seus palcos, para as suas gentes.

Porém, infelizmente, a realidade não é assim tão bela. Este festival que o futebol poderia proporcionar para os clubes mais ‘pequenos’ termina antes de começar.

“É inacreditável! (…) depois de tudo o que aconteceu, (…) termos lá o Benfica é a cereja em cima do bolo (…)”. As declarações apaixonadas do presidente do Sertanense que, depois de ser a primeira equipa sorteada, festejou que lhe tivesse calhado o Benfica. “Sabemos da grandeza da festa linda da Taça (…). A festa irá para o povo da Sertã (…)”. Mas não vai. A festa irá para Coimbra, para o Estádio Cidade de Coimbra, a cerca de 74 km de distância do reduto do Sertanense.

O campo da Sertã não está em condições e estará assim, vazio, no dia do jogo contra o Benfica
Fonte: Sertanense

A euforia durou apenas dois dias, depois do clube lançar um comunicado a dizer que o Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos não está em condições para que aquele jogo fosse lá realizado, tendo de tomar uma “decisão dolorosa” que “entristece toda a equipa e concidadãos da Sertã”. Portanto, a ‘Festa da Taça’ não será na Sertã. Será longe da vila portuguesa.

Anúncio Publicitário

Em Loures está o clube que foi sorteado com o Sporting CP e que também não poderá entregar a festa à sua população, partindo esta para Alverca, a 20 km. Embora seja um local mais próximo, a verdade é que é outra população que não vai receber a festa da prova rainha nas suas casas.

É triste ver que estas partidas não possam ser jogadas nos campos das equipas mais ‘pequenas’ devido à falta de condições do relvado; que estas pequenas vilas não vejam as grandes equipas a jogar ali; não possam ter uma história para contar de que este ou aquele jogador – que se tornou um fenómeno mundial – já esteve ali naquele campo quando o Benfica foi lá jogar para a Taça de Portugal.

Na minha ilha, a Graciosa, nos Açores, já lá esteve o Diego Costa, avançado espanhol que representa o Atlético de Madrid, quando era jovem – com apenas 18 anos – a representar o Penafiel, num jogo da Taça de Portugal. Numa ilha com ínfimos habitantes, isto é uma recordação fantástica. A sorte foi ele não ser um jogador de um dos grandes portugueses, senão o relvado não ia ter condições e o jogo teria de ser jogado longe da segunda ilha mais pequena de Portugal. É a vida… dos pequenos.

Foto de Capa: SL Benfica