Estamos em fase de pré-temporada, onde são lançadas muitas discussões sobre qual será a melhor forma de preparar uma equipa para uma época longa e dura.

Longe vão os tempos em que se privilegiava a preparação física na pré-temporada. Era comum as equipas de futebol irem correr para a mata sem porem os olhos na bola. Isto numa altura em que a preparação física era vista como a base das componentes técnicas e tácticas.

No Benfica, foram célebres os treinos do Jimmy Hagan. O técnico inglês, que representou o clube encarnado entre 1970 e 1973, era um treinador que dava mais importância à preparação física do que à organização da equipa, ficando particularmente conhecido por mandar os jogadores irem correr nas bancadas do velhinho estádio da Luz. Só a chegada de Sven Goran Eriksson, em 1982, ditou uma revolução nos métodos de treino no Benfica e no futebol português. Com o técnico sueco, a bola era um elemento indispensável nos treinos, mesmo nos de preparação física.

Bruno Lage é um treinador que valoriza o treino
Fonte: SL Benfica

Actualmente, vivemos numa era em que há uma nova mentalidade na forma de pensar o treino que pode ser designada de Periodização Táctica, existindo várias metodologias de treino aplicadas no futebol com o objectivo de desenvolver um modelo de jogo. Mas dentro destas metodologias de treino existem vários parâmetros a ser analisados na altura de avaliar quais os métodos de treino que são mais apropriados para a equipa e para a sua forma de jogar.

Primeiro que tudo, há-que ter em conta que a componente física, apesar de deixar de estar em primeiro plano, não deixa de ter a sua importância. Isto porque uma metodologia de treino assente do desenvolvimento de processos de jogo requer capacidade para pensar o jogo e tomar a decisão certa na hora exacta, sendo que a falta de condição física pode condicionar a capacidade de tomada de decisão.

Sendo assim, trabalhando com um treinador como Bruno Lage, que privilegia o futebol positivo, aquilo que se propõe nos treinos de pré-temporada é que se prepare a equipa para a forma como esta joga, ou seja, que se treinem exercícios que privilegiem o modelo de jogo que se pretende implementar: a forma como a equipa ataca, como a equipa defende, como se organiza em campo, etc.

Neste sentido, a preparação física deve ser ajustada ao modelo de jogo. Por exemplo, uma equipa que pressione alto e tenha uma reacção agressiva à perda da bola exige uma preparação física diferente de uma equipa que baixe as linhas em organização defensiva. Posto isto, os jogos na pré-temporada servirão para o treinador avaliar como os jogadores se estão a adaptar ao modelo de jogo que pretende.

Com isto, as conclusões a que se podem chegar é que a importância do treino na pré-temporada é servirá para os jogadores assimilarem os processos do modelo de jogo, ao mesmo tempo que ganham os índices físicos necessários para as exigências da época e dentro daquilo que as suas funções e dinâmicas exigem dentro do modelo de jogo.

Foto de Capa: SL Benfica

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