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Já a findar o primeiro terço da Primeira Liga, vemos Rui Vitória ainda numa espécie de pré época alargada. O treinador das águias chega a novembro ainda a tentar arranjar a melhor solução tática para este Benfica, andando de tempo a tempo a experimentar novas equipas a entrar no apito inicial.

É sabido que a preferência do treinador de Vila Franca de Xira recai para o 4-2-3-1 (ou um 4-4-2 disfarçado), com Jonas a servir de avançado móvel, Raul ou Seferovic na frente, Pizzi e Fejsa no meio campo, dois extremos que vão alterando e, claro, o quarteto defensivo. Ora, esta época Vitória viu o seu esquema predileto a não resultar da mesma forma que resultara em épocas passadas, onde a equipa foi constantemente uma equipa vencedora e, pelo ditado, em equipa que ganha não se mexe.

Acontece que este ano, a equipa não anda a ganhar, ou pelo menos, não anda a ganhar bem, obrigando então a que o timoneiro encarnado perca um pouco dos neurónios a desenhar um novo onze nas quatro linhas.

O habitual no Benfica, tem vindo a ser um jogo com uma dupla atacante. Salvo alguns jogos excecionais, os encarnados acabam por ter sempre duas referências de ataque, sendo uma mais móvel e outra mais fixa. Temos os exemplos de Cardozo e Saviola; Cardozo e Lima; Jonas e Mitroglou. Esta dupla de avançados era sempre acompanhada por dois extremos e (aqui está um ponto importante) por dois médios de alta qualidade, que conseguiam sozinhos, defender (o mais recuado) e fazer jogo (o mais adiantado). Já voltamos aqui, regressemos à frente de ataque.

Ora esta temporada, vemos o Benfica com menos soluções de avançado de área, devido à venda do goleador grego, Mitroglou, ficando com Raúl, um jogador claramente rápido e que pouco tem a ver com a postura tática de Mitroglou; e com Seferovic, que embora com um início goleador, também não tem a presença na área que é necessário para unificar este estilo tático que anteriormente resultava tão bem. Jonas, a peça constante neste tabuleiro, é como se da Rainha no xadrez se tratasse, é importante ficar em jogo.

Está visto, então, que a saída de Mitroglou trouxe alguns problemas a Rui Vitória, obrigando-o então ao bailarico tático que temos visto este início de temporada. Já jogou com Jonas e Raul e com Jonas e Seferovic, trocando extremos e jogando com Pizzi e Fejsa, Pizzi e Filipe Augusto e até com Fejsa e Filipe Augusto. No entanto, temos um momento fulcral que veio possivelmente salvar um pouco a cabeça de Rui Vitória: o jogo frente ao Manchester United.

Contra os red devils, Vitória alinhou com três médios, Filipe Augusto, Fejsa e Pizzi, e com apenas um ponta de lança, Raúl Jiménez. Enquanto surpreendia, de certa forma, José Mourinho, via que o Benfica voltara a jogar minimamente bem para o calibre dos encarnados. Verdade que o jogo acabou com vitória dos ingleses, mas em nada se comparou com a vergonha passada em Basileia, ainda por cima sendo o FC Basel uma equipa bastante inferior ao Benfica, quanto mais relativamente ao Manchester United.

Ora, depois desta experiência, viu-se que este novo desenho tático tinha margem de manobra, um conceito interessante para este novo Benfica. Um 4-3-3 que em muito difere do que habitualmente os encarnados jogam.

No entanto, e repescando o que foi abordado uns parágrafos antes neste texto, faltava aqui uma peça fundamental para que este sistema tático pudesse resultar, como resultou em Guimarães. A chaves estava em Krovinovic.

Krovinovic tem agradado Rui Vitória e parece um sério candidato a agarrar a titularidade prolongada Fonte: SL Benfica
Krovinovic tem agradado Rui Vitória e parece um sério candidato a agarrar a titularidade prolongada
Fonte: SL Benfica

Sendo verdade que Pizzi é um dos melhores jogadores da Primeira Liga, também se sabe que as exibições sobre-humanas do português já tiveram melhores dias. Agora que regressou à Terra e voltou a ser humano, apenas as suas exibições boas não se mostravam suficientes para que um avançado sozinho fosse apenas o necessário. Com a chegada ao onze de Krovinovic, para o meio campo partilhado com Pizzi e Fejsa, o desequilíbrio que as exibições menos fantásticas de Pizzi deixaram, podem vir a ser compensadas (e quem sabe melhoradas) com este jovem ex-Rio Ave.

Se Jonas se dará bem sozinho lá na frente, sendo ele um avançado que muitas vezes vai atrás para ajudar na construção de jogo, ainda está para se saber. Os seus recuos à procura de bola, deixariam a área sem referência. Contudo, a sua saída do onze seria a desgraça da equipa.

Contra um Vitória de Guimarães, oitavo na Primeira Liga, o sistema funcionou e Jonas acabou mesmo por marcar. Mas e contra um FC Porto, Sporting CP ou algum clube acima desse nível?

Este novo rascunho do Benfica 2017/18 parece ser uma pintura interessante, mas ainda lhe faltam os acabamentos. Ainda que com algumas dores de cabeça em vista, um dos passos parece estar dado na direção certa, falta agora Vitória saber aprimorar os pormenores. Será este novo quadro benfiquista digno de Louvre, ou irá acabar por ir parar à despensa do museu? Saudações Benfiquistas!

Foto de Capa: SL Benfica

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