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Para Jorge Jesus, o campeonato continua a ser a prioridade do SL Benfica. Interessava – ainda que não seja do seu interesse – que quem de direito dentro da tão afamada estrutura encarnada viesse a público, com a coragem que tem faltado dentro e fora de campo, admitir que por “campeonato” entende-se a qualificação para a Liga dos Campeões.

Essa é a verdadeira luta das “águias” até final da temporada, secundada pela Taça de Portugal. Acreditando, e desejando, que o FC Paços de Ferreira e o Vitória SC vão manter-se próximos de FC Porto, SC Braga e SL Benfica no campeonato remanescente, serão, assim, cinco os candidatos a dois postos de qualificação para a Liga dos Campeões – com apenas um a entrar de forma direta.

Como tal, o SL Benfica terá que ser melhor, pelo menos, do que três dos quatro opositores. Previsivelmente, sê-lo-á. Mas… e se não for? E se, chegado o final da jornada 34 da Primeira Liga 2020/2021, as “águias” não estiverem em lugar de acesso à próxima edição da prova milionária?

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São “ses” que podem bem ser “quandos”, se a qualidade e a constância exibicionais da turma da Luz não sofrerem melhorias significativas muito em breve. Após uma qualificação falhada para a prova maior de clubes europeus na presente época, em claro contraciclo com o avultado investimento feito, absurda, desnecessária e infrutiferamente, pela (falta de) direção encarnada, uma repetição do caso será desastrosa.

As nocivas consequências desportivas, financeiras, financeiras logo desportivas e desportivas logo financeiras serão bastantes e terão repercussão nos anos sequentes. A não qualificação para a Liga dos Campeões por duas épocas aumentará a suspeita de adeptos e sócios, suspeita essa já bem vincada em alguns aglomerados de benfiquistas.

Incutirá, igualmente, desconfiança nos principais patrocinadores, que, seguramente, começaram a indagar-se se fará sentido apostar num clube que não marca presença na principal montra financeiro-desportiva da Europa. Num momento em que é difícil prever quando voltarão a surgir, sobretudo de forma significativa, as receitas de bilhética, manter os principais patrocínios é fundamental.

Atrair jogadores que possam ser mais-valias para a equipa e para o campeonato português tornar-se-á, também, mais complicado. Uma equipa pouco apelativa num campeonato cada vez mais poluído não é propriamente o sonho dos jogadores de gama, digamos, média-alta.

A ausência da Liga dos Campeões associada à incapacidade de contratar jogadores de considerável gabarito implicará, inevitável e invariavelmente, a definitiva adoção da estratégia de aposta na formação. No entanto, será muito difícil manter os jovens de maior potencial – como já se vê com Ronaldo Camará – e contratar outros que recheiem o Benfica Futebol Campus de qualidade para o futuro.

Jovens como Ronaldo Camará precisam de perceber que o clube é o melhor lugar para o seu presente e futuro
Fonte: SL Benfica

Os jovens formandos do Seixal começam a perceber que, permanecendo nas “águias”, ou não serão aposta de Jorge Jesus ou, sendo-o, vão viver uma fase complicada do clube, caso, lembro o cenário hipotético em jogo, os encarnados voltem a falhar a fase de grupos da liga milionária.

No entanto, as mudanças profundas não deverão impactar apenas a equipa, mas todo o clube. Apesar de estarmos ainda na ressaca das eleições presidenciais de outubro de 2020, a liderança, cada vez menos pujante, de Luís Filipe Vieira ficará bastante enfraquecida com nova ausência da Champions. Com isso, também as posições dos seus eleitos (incluindo JJ) ficarão comprometidas.

Tudo pode ruir. São previsões fatalistas, claro, mas que não me parecem, de todo irrealistas, – e as que constam no parágrafo anterior seriam até positivas, na minha opinião, num sentido de “mal que viria certamente por bem”. Pode, também, “a coisa endireitar-se” até ao término da temporada – que nunca deixará de ser um fracasso.

Ainda está em aberto – e em fogo – a luta pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões. É esperar para ver e desejar que nada do escrito acima venha a suceder nos tempos próximos ao Sport Lisboa e Benfica.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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