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Se nem Messi ou Cristiano Ronaldo geram unanimidade entre os fãs de futebol, não é qualquer outro jogador que o vai fazer. Salvio não é mau jogador, mas os outros dois são algo fora do comum. Mas não é sobre Messi ou Ronaldo que se vai focar este texto. É mesmo sobre Salvio e a sua faceta de querer sempre mais, o que tanto pode ser bom como mau, mas vamos por partes.

Futebol.

Neste momento estão a perguntar o que quero dizer com a palavra” Futebol”. Pois bem, eu explico. Na verdade, não tenho intenção de dizer nada e não pretendo acrescentar informação nenhuma ao texto. Continuam sem perceber? Ok, vou ser mais específico. Esta foi a forma mais fácil de explicar as exibições de Salvio na maioria das vezes.

O argentino quer sempre dar mais um toque, fazer mais uma finta ou correr mais uns metros com a bola, mas à semelhança da palavra “Futebol”, o último toque ou a última finta de pouco servem. Não mudam o rumo do jogo nem acrescentam nada à intensidade da partida. Talvez seja por essa ser uma característica dele que Rui Vitória por vezes sinta necessidade de o fazer ir ao banco de vez em quando. Uma ou duas vezes é compreensível, qualquer jogador trabalha para se destacar, mas fazê-lo com a regularidade com que Salvio o faz não é vontade ou ambição, é teimosia.

Aquela finta que se concretizada era um regalo para os olhos dos adeptos, ou aquele toque a mais para colocar a bola mais a jeito, inúmeras vezes resultam em oportunidades perdidas de ganhar superioridade numérica ofensivamente ou mesmo da equipa marcar um golo. E Salvio, que é um jogador rápido, pode ganhar mais a nível de performance se optar por ser mais pragmático – aquele passe que parece fácil pode ser o que decide um resultado.

Esta época, Salvio marcou 3 golos nos 14 jogos que disputou Fonte: João Trindade/Flickr
Esta época, Salvio marcou 3 golos nos 14 jogos que disputou
Fonte: João Trindade via Flickr

Contudo, se aquele último toque nada acrescenta o mesmo não se pode dizer daquela corrida em esforço para ajudar a linha defensiva. E Salvio, embora pareça algo despercebido neste capítulo, é realmente bom nisso.

Com Salvio em campo, a equipa raramente se descompensa nas aulas, isto porque o mesmo assume a primeira linha de pressão com intensidade para recuperar de imediato a bola, o que não são muitos os extremos a fazerem – por norma, preocupam-se apenas em ocupar o espaço e a obrigar a equipa adversária a tentar transportar jogo por outra zona do terreno. Não é por acaso que na seleção argentina, que frequentemente joga em 3-5-2 ou num 3-4-3, o argentino tem sido testado como médio ala ficando com a tarefa de fazer toda a ala direita da equipa.

É, sobretudo, na compreensão tática do jogo e na capacidade posicional que o argentino marca a diferença, bem como pela entrega que mostra em campo. Seja no meio campo, seja numa zona mais perto da baliza da própria equipa, Salvio é dos jogadores que mais coopera em tarefas defensivas.

Querer mais é bom, mas só será ótimo quando Salvio apenas der mais em termos da disponibilidade física que oferece ao jogo, relegando para segundo plano aqueles toques que, sinceramente, não acredito que sejam a principal qualidade dele.

Foto de Capa: Oleksandr Gusev via Flickr

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