20 milhões trouxeram-no de Madrid a Lisboa, 20 milhões o levam de volta a Espanha. Raúl de Tomás chegou a Portugal para ser “o” reforço de verão do SL Benfica, mas sai poucos meses – e poucos golos – depois, sem ter contribuído para muito: salvam-se os golos em São Petersburgo (que se revelou importante nas contas europeias) e em Vizela (que ajudou os encarnados a vencerem pela margem mínima os da casa) e o túnel do Algarve, inaugurado quando da Supertaça – único título conquistado pelo espanhol de águia ao peito (para já, ainda pode ser campeão).

O negócio com o RCD Espanyol de Barcelona não é bom, é excelente. Seja por 80% do passe ou pela sua totalidade, com ou sem bónus, a pronto ou a prestações, em dinheiro vivo numa mala como nos filmes de Hollywood ou por MB Way, com euros, dólares, yenes ou dinheiro do Monopólio. Seja como for, recuperar os 20 milhões investidos no atleta é de uma engenharia financeira e negocial dignas de registo.

A perda desportiva… não é significativa. A qualidade técnica e o faro de golo estão lá, indubitavelmente; contudo, não foi capaz de expor as suas diversas e imensas aptidões, nas várias oportunidades que teve – que, diga-se, nem sempre foram as ideais.

Raúl de Tomás assinou até 2024, mas não cumpriu sequer esse número de minutos (jogou 1042´)
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Acredita o histórico emblema espanhol – último classificado da Liga Espanhola, certo, mas presente nos 16-avos de final da Liga Europa, fruto do sétimo lugar da temporada transata e de ter vencido o seu grupo – que R.D.T. pode voltar a fazer em Espanha o que levou o campeão nacional a investir na sua contratação.

Acredita o clube catalão e acredito eu. De Tomás tem muito mais para mostrar e, com 25 anos, ainda vai a tempo de voltar à alta-roda do futebol europeu – e aí ficar. Certo é que a experiência em Portugal não resultou de todo, tendo o jogador espanhol fracassado e, pior do que isso, sem alguma vez ter demonstrado capacidade para lidar com o fracasso.

Em Espanha, num ambiente confortável e integrado num plantel em que poderá ser estrela e receber a adulação consequente, pode vir a provar valer mais do que estes 20 milhões que tanto alarido causaram no verão e que tanto alarido têm causado agora.

Não obstante, à Luz de hoje, não tinham as águias forma de declinar uma oferta (quase) mirabolante por um atleta que ficou a mais de braço, braço e meio de sequer arranhar as expetativas nele depositadas. Não sabendo o que o futuro reserva e querendo esquecer o que o passado comporta, só posso exultar com a venda de Raúl de Tomás, por mais que apreciasse – e aprecie – as suas qualidades.

De Madrid a Lisboa a Barcelona. De craque a flop a… ver vamos o que se segue. É este o trajeto de um futebolista que não chegou a aprender a palavra mais distintiva da língua portuguesa: saudade. Não as deixa, não as leva. No fim, ficou tudo como no início. Repetir-se-á a história?

Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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