Katsouranis é convidado especial dos oito anos de Bola na Rede. Foi também ele o camisola 8 do SL Benfica entre 2006 e 2009, tendo realizado 122 jogos e marcado 15 golos. Era médio-defensivo, mas conseguia também desempenhar as funções de defesa central ou médio centro. Chegou a ser capitão de equipa do SL Benfica e está também ligado ao maior feito da história do futebol grego conseguido em terras lusitanas: a conquista do Campeonato da Europa de 2004. Pelas águias conquistou apenas uma Taça da Liga, mas deixou uma marca na equipa e saudades entre os adeptos da equipa portuguesa. Passados vários anos, Katsouranis abre o jogo ao Bola na Rede e conta tudo. Desde os tempos passados no SL Benfica à atualidade do futebol nacional e internacional. Uma entrevista só para ti!

Bola na Rede: Katsouranis, antes de mais, obrigado pela entrevista. Gostava de começar por te perguntar se as saudades de Portugal já apertam?

Kostas Katsouranis: Sim, tenho mesmo muitas saudades de Portugal.

BnR: Qual é que foi o teu momento mais marcante em Portugal?

KK: Os três anos que passei no Benfica foram fantásticos. Digo mesmo que foi uma experiência inesquecível para mim.

BnR: Quem é que eram os teus companheiros no SL Benfica? Os melhores amigos, digamos assim…

KK: Tive uma excelente relação com todos os meus colegas de equipa. Destaco o David Luíz, o Ricardo Rocha e o Nuno Assis.

BnR: Foste campeão europeu pela Grécia em Portugal. Consideras que este foi o melhor momento da tua carreira enquanto jogador?

KK: O Euro 2004… O momento em que ganhámos a competição, foi, sem qualquer dúvida, o melhor momento da minha carreira como jogador.

Katsouranis é uma referência do futebol grego
Fonte: Federação Grécia

BnR: Depois disso foste treinado por Fernando Santos, que foi também selecionador de Portugal e o responsável pela conquista portuguesa no Euro 2016. Ainda tens algum tipo de contacto com ele?

KK: Sim, nós continuamos a falar. O Fernando Santos foi o treinador que marcou a minha carreira. Respeito-o muito. Adoro-o, na verdade. Desejo-lhe tudo de bom!

BnR: Dizias que guardas boas memórias do nosso país. Ainda vens a Portugal durante os períodos de férias?

KK: Por acaso, até ao dia de hoje, não consegui ir. Mas tenho esse objetivo: voltar a Portugal – em férias – faz parte dos meus planos.

BnR: E o que é feito de Katsouranis? Continuas como dirigente do Panachaiki?

KK: Sim, sou o diretor técnico do Panachaiki FC, que está localizado em Patras, que é a minha terra natal. Foi a equipa onde comecei a jogar futebol. Atualmente estamos na categoria B do futebol profissional grego, ou seja, estamos na segunda divisão. Eu e os meus colegas temos feito um trabalho muito sério e de recuperação do clube, dando a máxima prioridade às academias do clube e aos jovens jogadores com talento que aparecem pelo clube.

BnR: O Benfica está no mesmo grupo que o AEK de Atenas e haverá jogo no Estádio da Luz entre as duas equipas. Estás a pensar em vir a Portugal para ver o jogo?

KK: Quando o Benfica veio a Atenas – 3 de outubro de 2018 – eu fiz questão de ir visitar a comitiva ao hotel. Desejei-lhes muitas felicidades para o jogo. Claro que nesse jogo acabei por ir ao estádio. Quanto ao Estádio da Luz… Ainda não sei.

BnR: Ainda costumas ver os jogos do SL Benfica?

KK: Sim, eu tento não falhar nenhum jogo do Benfica, até porque sou um grande fã do [Andreas] Samaris.

BnR: Samaris está no plantel do SL Benfica, mas tem perdido espaço nas opções de Rui Vitória. Qual é que é a tua opinião acerca do médio grego?

KK: O Samaris é um jogador fantástico. Sinceramente, não consigo encontrar uma explicação válida para que não tenha sido incluído na lista de inscritos para a Liga dos Campeões…

BnR: É cada vez mais provável que Samaris deixe o SL Benfica no final da época e até já se fala num alegado interesse do FC Porto e do Sporting CP no jogador. Achas que a ida para um rival seria uma boa mudança na sua carreira?

KK: Eu sei que o Samaris ama o Benfica e que quer ficar. Mas o mais importante é que ele seja profissional e sei que ele vai fazer o que entender que é melhor para a sua carreira.

Katsouranis foi referência no plantel encarnado
Fonte: SL Benfica

BnR: E quanto a Odysseas Vlachodimos? Já tiveste oportunidade de o ver em ação? Que opinião tens sobre ele?

KK: Claro que sim, eu conheço bem Vlachodimos. Já o vi jogar e ele é muito competente. Estou perfeitamente convencido de que vai ser importante no Benfica.

BnR: Achas que pode vir a ser importante para a seleção grega?

KK: Sim, tenho a certeza de que vai ser uma boa solução para a Grécia.

BnR: Jogaste com o Luisão no SL Benfica. Ele retirou-se nesta temporada e gostava de saber a tua opinião sobre ele, uma vez que jogaste lado a lado com ele [entre 2006 e 2009].

KK: O Luisão é uma pessoa magnífica e era um jogador excecional. Fomos colegas e só tenho a dizer que aprendi imenso com ele.

BnR: Quais é que são as maiores diferenças entre esse Benfica dos teus tempos e o Benfica atual? Acreditas que a equipa deste ano tem capacidade para vencer o título?

KK: O Benfica agora é muito mais organizado. Não tem nada a ver com a equipa na qual joguei. Todos os jogadores mudaram e já não resta ninguém dos meus tempos. O plantel atual tem muitos jovens jogadores e eu estou convencido de que o Benfica pode ganhar o título nesta época. Mas, para isso, é preciso continuar a trabalhar como tem trabalhado até ao momento.

BnR: E, em relação à equipa deste ano, quais é que são os jogadores que mais aprecias na formação orientada por Rui Vitória?

KK: Tirando, claro, Samaris e Vlachodimos, acho que vou dizer Pizzi e Salvio.

BnR: És capaz de dizer qual foi o melhor jogador com quem já partilhaste o balneário?

KK: Tive o prazer de jogar com jogadores muito bons, portanto seria injusto para todos que mencionasse apenas alguns. Felizmente, consegui jogar com grandes jogadores!

BnR: Katsouranis, nestes oito anos de Bola na Rede, foi um gosto entrevistar um antigo camisola “8” do SL Benfica. Em nome do BnR, desejamos-te sorte para a tua carreira.

KK: Muito obrigado por tudo!

Foto de Capa: SL Benfica

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