Faz 21 dias que o mercado de transferências abriu. 21 dias em que a equipa do SL Benfica começou a preparação para a nova época no Seixal. 21 dias de saídas, entradas, propostas feitas e propostas recebidas. 21 dias de construção de um plantel para Lage afinar até ao jogo da Supertaça com o Sporting CP, o jogo de lançamento para uma época de ataque à Champions e ao Bi-Campeonato nacional. Até agora, passaram 21 dias, três amigáveis e já algumas conclusões a tirar quanto à qualidade do plantel actual.

Este mercado tem-nos trazido movimentações mais intensas a nível da baliza e das peças de ataque.

Comecemos precisamente pela posição mais recuada. Por agora, Bruno Lage tem contado com Odysseas Vlachodimos, Mile Svilar e Ivan Zlobin. O greco-germânico parte em vantagem depois de uma época como titular abrilhantada com algumas excelentes exibições. Tanto o belga como o russo lutam somente pela segunda posição da hierarquia, algo que não deverá ser suficiente nem para a ambição nem para o desenvolvimento do primeiro. Vlachodimos apresenta uma maturidade superior à concorrência mas ainda não convenceu totalmente numa posição que já foi de Ederson e Oblak.

A baliza tem sido provavelmente a posição onde me parece mais relevante encontrar um reforço de peso. Depois da queda dos negócios de Keylor Navas e Cillessen, aparece a possibilidade de Mattia Perin. O suplente da Juventus é um nome interessante. Um guarda-redes que brilhou desde bem cedo no Génova e que acabou por chegar na época passada à Juventus. Muito ágil e rápido entre os postes, um guarda-redes felino. Perin mantém-se, contudo, muito preso entre os postes e não iria acrescentar um maior domínio das costas da defesa. Não me parece um verdadeiro upgrade a Odysseas e por 15 milhões nas condições físicas em que se encontra consideraria uma má contratação.

Outra posição onde mais se tem sentido a falta de reforços é a de lateral direito. André Almeida tem sido dono e senhor do lugar, apesar das muitas limitações que apresenta. Um jogador consistente, esforçado, influente e que sente o símbolo que carrega ao peito. Contudo não tem a qualidade de outros que por lá passaram – Maxi e Semedo por exemplo – nem dos restantes titulares. Com o término do contracto de Corchia, as únicas alternativas são o nigeriano Ebuehi e o jovem João Ferreira. O miúdo não deverá ser aposta para esta época e Ebuehi é uma incógnita, principalmente porque esteve um ano parado devido a lesão.

Tudo indica que o SL Benfica irá começar a presente época com a lateral direita entregue novamente a Almeida, trabalhando ao mesmo tempo Ebuehi para poder disputar essa posição com o avançar da temporada. Tal como a posição de guarda-redes, esta seria uma posição a reforçar com a maior urgência.

“O guarda-redes greco-germânico parte em vantagem depois de uma época como titular abrilhantada com algumas excelentes exibições”
Fonte: SL Benfica

Já a lateral esquerda encontra-se bem entregue a Grimaldo. O espanhol é o craque daquele corredor e tudo indica que voltará a ficar na Luz esta época. Com a saída de Yuri Ribeiro, a única alternativa será o jovem Nuno Tavares. Apesar de se ter falado em possíveis reforços para esta posição – Mário Rui à cabeça – parece-me que a dupla Grimaldo/Tavares corresponde às necessidades de um grande SL Benfica.

O eixo central da defesa também tem dado que falar neste defeso. De momento, Bruno Lage conta com a dupla que fechou a época passada como titular – Rubén Dias e Ferro –com o recuperado Jardel e o renascido Conti. A meu ver, a dupla Rubén/Ferro é uma aposta certeira. São dois jogadores com qualidades complementares e já rotinados. Um mais aguerrido, posicional, forte e líder. O outro mais jogador, mais leitura e inteligência. Com Jardel e Conti a dar cobertura, esta é uma posição que não preocupa. Contudo estamos a falar da dupla de centrais de um clube que se quer afirmar na Europa, mais concretamente na Liga dos Campeões.

Veria com muito bons olhos um central mais evoluído para o lugar deixado por Luisão e hoje ocupado por Rubén Dias. Dos possíveis reforços que se têm falado todos me parecem mais pensados para substituir Ferro. Os últimos nomes referenciados foram os de Morato e Gonçalo Cardoso. Dois jogadores de 18 anos e que nunca poderiam ser uma afirmação no SL Benfica já esta época.

O meio-campo foi o sector mais transformado por Bruno Lage. Não só abdicou do trio de médios com um vértice defensivo em prol de uma dupla a actuar lado a lado, como recuperou dois jogadores do esquecimento para a titularidade – Samaris e Gabriel, não esquecendo a promoção de Florentino ao plantel e ao 11 titular. Com Samaris e Gabriel, uma opção de um médio de recuperação como é Florentino e outra de um médio de transporte como é Gedson, não vejo grandes necessidades de reforçar este sector do terreno. Krovinovic já saiu e Fejsa deverá seguir o mesmo caminho, pois não se integra num meio-campo construído a dois. Para esta posição também têm treinado com o plantel principal o jovem talentoso David Tavares, mas ainda longe de poder competir para já por um lugar nos convocados.

Não se tem falado em reforços para esta posição e a acontecer deveria somente investir-se num médio capaz de se superiorizar a Samaris.

No carrossel de Bruno Lage os extremos confundem-se com os pontas de lança. Mesmo assim, é possível distinguir quem partirá mais da ala e quem se fixará mais pelo centro de ataque.

Nas alas de Lage há uma dicotomia rasgo/construção, banhada em criatividade dos pés à cabeça. Na direita surge o jogador mais temporizador e à esquerda o mais acelerador.
Bruno Lage já não conta com Salvio. Apesar de toda a sua qualidade, há já algum tempo que o argentino tinha sido ultrapassado pelos seus concorrentes. A sua saída também faz sentido neste contexto posicional do jogador de rasgo mais à esquerda. À disposição de Lage estão portanto Pizzi, Chiquinho, Tiago Dantas, Zivkovic, Taarabt, Rafa, Caio Lucas, Cervi e Jota. Uma enormidade de opções e qualidade.

A direita será do cérebro de Pizzi enquanto a esquerda parece estar dividida entre o rasgo de Rafa e o de Caio Lucas. O brasileiro é um poço de talento mas ainda não estou convencido que tenha uma maturidade de jogo suficiente para ser titular do SL Benfica – consistência, leitura de jogo e timing de passe. Por agora coloco as minhas cartas em Rafa. Para a esquerda há também o rasgo menos brilhante de Cervi. O argentino surge como um excedentário no plantel encarnado. Na direita os suplentes naturais de Pizzi são Chiquinho e Zivkovic. Se deposito imensas expectativas no português, já o rendimento do sérvio tem sido uma desilusão. Tem talento para mais. Tal como Cervi, Zivkovic deverá estar na porta de saída. Às quatro principais opções já referidas é importante juntar a juventude e versatilidade de Jota, o talento e versatilidade de Taarabt e ainda o talento e potencial do miúdo Dantas. Este último terá um futuro brilhante mas deverá continuar o seu crescimento na equipa B. Já Taarabt e o Jota são jokers fantásticos que acrescentam dinâmica, criatividade e poder ofensivo ao ataque encarnado. É este o tipo de profundidade e qualidade que criam um ataque de nível mundial.

Tiago Dantas “terá um futuro brilhante, mas deverá continuar o seu crescimento na equipa B”
Fonte: SL Benfica

Falamos de seis opções para as alas onde três delas – Chiquinho, Taarabt e Jota – irão certamente actuar também enquanto segundo avançado.

Apesar de vários nomes já referenciados como reforços para as alas encarnadas, estou convicto que esta é uma posição que não precisa de qualquer contractação. Os 17 milhões por Pedro Neto não farão qualquer sentido.

Recentemente tem-se falado na possibilidade de Brekalo. O extremo croata tem muita qualidade, é um jogador tecnicista que joga de cabeça levantada e numa constante procura do jogo colectivo. Acho-o superior a Caio Lucas por exemplo.

Por fim, a posição de avançado. Com Bruno Lage, o SL Benfica retomou um sistema com dois avançados, tipicamente com um mais móvel e outro mais de área. A dinâmica lagiana torna-se interessante por permitir que o ponta de lança saia da sua posição abrindo espaço entre os centrais tanto para o avançado móvel como para os extremos aparecerem de frente em zonas de finalização. Jonas e João Félix eram as estrelas na posição de segundo avançado. Dois craques, um a caminho do Olimpo e outro no restrito mundo dos génios. Substituir o brilho que estes dois davam ao centro do ataque encarnado será um dos grandes desafios deste plantel. Como já referi, Jota, Taarabt e Chiquinho aparecem como excelentes opções para o lugar.

Como pontas de lança, o plantel conta com o “Bola de Prata” Seferovic e os recém contratados Raul de Tomas, Cádiz e Carlos Vinicius. São quatro jogadores para uma posição. Contudo, a mobilidade e inteligência de jogadores como o suíço e o espanhol permite que possam actuar juntos no centro do terreno. Seferovic e o RDT seriam as minhas opções para a luta de um lugar no 11, sendo que até poderiam coabitar. Secundados pelo Cádiz, um ponta de lança mais vertical, o ataque estaria fechado. Juntando o recém-chegado Vinicius – bom jogador, um avançado com boa capacidade de finalização, presença na área, potência e bom toque de bola – parece já haver excesso de jogadores nesta posição, o que torna totalmente dispensável a contratação de Schettine ao Santa Clara.

Em jeito de conclusão diria que o SL Benfica deverá ser mais activo na procura de um guarda-redes e de um defesa direito, podendo também estar atento à possibilidade de contractar um excelente central para comandar a sua defesa. Dos nomes actualmente falados nenhum entusiasma especialmente. Perin é um guarda-redes interessante mas não nas condições físicas em que se encontra. Brekalo é um extremo de qualidade mas numa posição onde o seu espaço está já muito bem ocupado.

Nota: Já se falou no nome de Lo Celso mas parece-me só um delírio. O médio internacional argentino está avaliado em 50 milhões de euros, o Bétis pede 75 e já recusou uma proposta de 68. A disputa pelo jogador é neste momento feita entre o Tottenham e o Bayern, entre a Premier League e um colosso Europeu.

Foto de Capa: SL Benfica

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