Na madrugada desta terça-feira, fechou mais uma edição do mercado de transferências, que trouxe neste último mês ao SL Benfica muito pouco acerca de novas movimentações. Cádiz foi emprestado ao Dijon, Morato contratado para a equipa B e Chrien segue o mesmo caminho, tendo sido inscrito pelos encarnados no Deadline Day.

No que toca ao reforço de outras posições, muitos ansiavam por um lateral direito que pudesse ganhar a posição de André Almeida, por um médio centro que fizesse concorrência a Gabriel, por um avançado que viesse jogar na posição de Félix e Jonas e um guarda-redes que preenchesse de forma mais completa a baliza encarnada, chefiada por Odysseas. Porém, o derradeiro mês pouco ou nada trouxe à Luz no que a estes setores diz respeito.

Nos últimos 15 dias, falou-se muito no nome de Elias Pereyra, Gian-Luca Waldschmidt e Morato, contratado para a formação secundária das águias.

O interesse no avançado alemão foi muito mas o SL Benfica nunca pareceu sequer aproximar-se dos valores necessários para convencer o Friburgo a ponderar aceitar negociar. Já o lateral argentino parece ter sido somente um pequeno rumor a surgir na imprensa argentina.

Morato assinou, mas nunca será um reforço para esta época. Isto porque será um jogador para o futuro e constituirá uma excelente aposta a longo prazo.

À exceção do central, as últimas horas mostraram o desinteresse da direcção em reforçar a equipa de Bruno Lage, o que pode ser prejudicial às aspirações europeias do clube.

As águias inscreveram Martin Chrien, que irá ser utilizado na equipa B
Fonte: SL Benfica

Assim, Bruno Lage irá atacar esta época com um plantel sem alternativa nem competitividade na baliza. Odysseas dá garantias mas não preenche todas as necessidades do jogo colectivo da equipa.

Nas laterais tudo indica que irá avançar com três jogadores para duas posições. André Almeida continuará dono do lugar e provavelmente sem concorrência. Nuno Tavares não pode ser opção à direita e o nigeriano Ebuehi é ainda uma total incógnita – nem se sabe quando estará em reais condições físicas de jogar ao mais alto nível.

A dupla de centrais é jovem mas também sustentada por um central como Jardel. Para a Europa ficam as dúvidas se uma dupla com maturidade é suficiente para jogar a esse nível. O potencial de crescimento é tremendo mas o clássico com o FC Porto trouxe tremideira muito preocupante.

No meio-campo a equipa parece carecer de um médio que possa substituir Gabriel. Um jogador mais capaz de ter e guardar a bola, pausar o jogo e construir. Felizmente o marroquino Taarabt parece estar à altura do desafio.

No ataque é mesmo a zona central que levanta dúvidas. O segundo-avançado nunca foi contratado e, com a lesão do Chiquinho, a equipa parece necessitada de um jogador que faça a ligação defesa-ataque de frente para a baliza, cabeça levantada, visão de jogo e capacidade de aparecer em zonas de finalização. A dupla Seferovic-RDT não só não apresenta um jogador com estas competências como prejudica individualmente as capacidades de cada um deles.

No mercado, todos os reforços chegaram para o ataque: Chiquinho, Caio Lucas, Raul de Tomas e Vinícius (além de Cádiz, entretanto emprestado). Todos jogadores de qualidade, principalmente Chiquinho e RDT.

O médio português tem pés e cabeça de craque. Boa técnica, criatiividade, leitura de jogo e capacidade de decisão. Pode jogar no lugar de Pizzi ou até em parceria com este, atrás do ponta de lança. Já o avançado espanhol tem tudo para ser o jogador mais avançado da equipa. Muito bom a encontrar espaço com a bola controlada, tem um toque de futsal e pode ser mortífero dentro da área.

Caio é um extremo rápido e criativo que vai viver na sombra do Rafa e Vinícius um ponta de lança possante, com boa técnica e capacidade de finalização. Ambos jogadores para segundas linhas do ataque.

O ataque do SL Benfica ao mercado deixou muito a desejar. Não só não foram reforçadas as posições mais carenciadas como não foram atendidos os pedidos públicos do treinador.

Por fim, há a situação dos excedentários. Também aqui o clube não foi suficientemente eficaz. Svilar, Cervi, Zivkovic e Fejsa são quatro bons exemplos de jogadores que o clube teria obrigatoriamente de solucionar no próximo mercado.

Já com o mercado encerrado, estamos perante uma ineficaz abordagem ao defeso, tanto em entradas como em saídas, uma vez que seria de esperar uma maior demonstração de força dos encarnados num contexto de ataque à Europa financiado com a venda histórica de João Félix.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves

Comentários