Adeus, Chalana | Génios como tu são entidades transgeracionais

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Estreou-se em Março de 1976, com 17 anos e 25 dias (um recorde ultrapassado por… Marco Caneira, em 1996, que se estreou no dia do aniversário). Substitui Toni ao intervalo e entusiasma desde logo a massa adepta. Mário Wilson deu-lhe o baptismo, Mortimore apoiou-se no seu talento para ir buscar, num sprint épico, o campeonato á cova dos leões, que começaram bem e acabaram a nove pontos (quando a vitória valia 2…).

Estávamos em 1976-77. Até 1984 construiu uma lenda e tornou-se figura de culto no futebol português, quer fosse pelo que fazia no Benfica quer pela Selecção.

A completa explosão internacional no Euro 84 abre-lhe as portas da Ligue 1 e do Bordéus, a equipa que emprestava á França campeã europeia um sem número de craques – Giresse, Tigana, Tusseau ou Lacombe. Chalana seria a estrela da companhia no assalto ao êxito.

Mesmo a um nível aquém do que poderia fazer e que nunca atingiu desde aí, Chalana levou os Girondinos ás meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus (onde perderam 3-2 no agregado contra a Juventus de Platini): nessa caminhada há o desempate por penalties com o Dnipro, um daqueles momentos que traçam os limites entre bons jogadores e os verdadeiros artistas da bola. Chalana, apesar de quase sempre confrontado com muitas e exaustivas contrariedades, era homem que se diferenciava nos momentos de maior pressão.

Aimé Jacquet era o seu treinador, o mesmo general dos Le Bleus campeões mundiais de 1998 – famosa ficou a sua insistência em Guivarc’h, em detrimento de Henry ou Trezeguet – e talvez por aí se explique um pouco do insucesso de Fernando em terras gaulesas.

Isso, a inveja de alguns colegas,  as lesões, o circo mediático que Anabela – sua esposa – nunca teve lucidez ou boa vontade para controlar e as consequentes saudades de casa provocaram o regresso á Luz, derrotado, em 1987. Reestreou-se em Outubro desse ano, depois dum período de recuperação física e anímica.

Diz quem viu que a Luz veio abaixo, puro extâse – depois de muito se assobiar Pacheco, ainda menino, que sem ter culpa nenhuma acabou por se tornar um estorvo ao ser titular naquele dia.

Mas não era o mesmo Chalana. O atleta que até 1984 parecia sobrenatural era agora apenas bom jogador – impensável avaliação para quem o tinha visto no auge e admirado o seu génio quando nenhuma bola do mundo era incontrolável para aquele meio palmo de gente.  Continuavam a surgir momentos que outros nunca imaginariam sequer executar, mas de forma muito menos frequente.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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