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Há poucas coisas que mexem mais com o meu sistema nervoso que a falta de memória ou a memória seletiva. Ontem, após o jogo com o AEK os benfiquistas parecem ter sofrido um colapso que, de facto, lhes afetou a memória. Como tal, esta carta é para todos aqueles que partilharam capas de jornais feitas nos momentos mais áureos da «era JJ».

Antes de mais, meus caros compatriotas (podemos tratarmo-nos assim?), não estou prestes a escrever uma tese a favor do Rui Vitória nem tão pouco contra Jorge Jesus, mas há que pôr os pontos nos i’s. Visto que estamos numa de recordações, comecemos pelo início.

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Estamos no ano de 2009. Ninguém quer o Jorge Jesus no Benfica, pois todos se recordam das suas declarações enquanto treinador do Braga. Tudo certo, afinal, seria a reação normal de qualquer adepto. Pouco tempo depois, percebemos que se calhar até foi uma boa ideia de Luís Filipe Vieria e dá gosto ver aquele Benfica! Aliás, permitam-me dizer, que foi o melhor Benfica que vi na minha curta vida. Recordo a época 09/10 com carinho. Voltámos a ser campeões e, melhor, com Aimar, Saviola, Di Maria, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Cardozo. Morro de saudades desse ano. Mas depois lembro-me que andámos até ao fim a lutar pelo título com o SC Braga e fico com cara de enjoada.

Depois desse campeonato, lembram-se do que aconteceu? Ah, se calhar essa parte fugiu-vos da memória. Quando todos atacam o “medíocre” Rui Vitória, apagam da memória os três anos em que o Benfica foi HUMILHADO pelo rival FC Porto. Deixem-me avivar-vos a memória do Benfica «era JJ».

Novembro de 2010 diz-vos alguma coisa? David Luiz a defesa esquerdo, ajuda? Não vos julgo. Eu também apaguei esse jogo da minha memória, mas, meus queridos, ele aconteceu. O Sport Lisboa e Benfica, com Jorge Jesus no comando técnico, levou cinco batatas no Dragão. Mas o mau é o Rui Vitória, que tem um registo péssimo em jogos ditos de grandes. E Abril de 2011? Que época fatídica! Depois de levar cinco no Dragão, perdemos em casa e deixando o nosso rival festejar um campeonato na Luz (apagada). Mas calma, que 2010/11 ainda não acabou… Lembram-se de quem foi o nosso grande adversário nas meias finais da Liga Europa? Ah, o grande Braga! E quem é que ganhou? O Braga “do Jesus”, porque, como sempre, os clubes que vencem depois de ele de lá sair, só o fazem graças ao «cérebro».

Fontes: Record, ABola, OJogo

Meus queridos amigos, companheiros de bola e perfeitos desconhecidos, desçam à Terra. Pensem antes de falarem de boca cheia. A memória não vos pode falhar assim. Chega a ser vergonhoso.

A época acaba e Vítor Pereira assume o comando técnico do FC Porto. E o Benfica perde o campeonato. Os lenços brancos continuam a aparecer na Luz, não se percebe como Jorge Jesus ainda não foi despedido! Sim, porque foi isso que aconteceu. Depois do vergonhoso ano de 2010/11, já ninguém podia ver o senhor à frente e este ainda se dá ao luxo de perder outro campeonato, conquistando apenas a “taça da cerveja”.

E agora, querem avançar para o ano do tri do nosso rival ou ficamos por aqui? Falo do minutos 92? Do Kelvin? Não vale a pena. Mas há uma coisa nessa época que vale a pena recordar. Eu sei que quando pensamos na Taça de Portugal, só nos lembramos de um arraso emocional, de um Cardozo a sentir o clube contra Jorge Jesus e dele a afirmar, e com razão, “a culpa é tua!”. Mas eu vou ajudar-vos a ir mais além. Perdemos essa taça com o medíocre Vitória Sport Clube, treinado pelo medíocre Rui Vitória. Surpresa, surpresa!

E o que acontece depois? Todos querem o Jesus na rua. Ele não presta. Teve três anos a sobreviver de Taças da Liga e a proporcionar vergonhas frente ao rival do norte. Nenhum outro treinador teria as oportunidades que ele teve!

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